3% – Primeiras impressões sobre a nova série da Netflix

3% é a nova série da Netflix e a primeira produção de ficção científica brasileira Nesta sexta feira, 25, na Netflix, estreia a nova série de ficção científica brasileira...

3% é a nova série da Netflix e a primeira produção de ficção científica brasileira

netflix-3Nesta sexta feira, 25, na Netflix, estreia a nova série de ficção científica brasileira 3% e tivemos a oportunidade de conferir dois episódios. Afinal o que do que se trata?

Em um Brasil 100 anos no futuro, a humanidade vive em total e absoluta miséria, com exceção de 3% da população que vive no Maralto, uma região paradisíaca de tecnologia avançada onde nenhuma pessoa passa necessidade e provavelmente a regra dos 28 minutos do Habib’s ainda é respeitada. Para merecer o direito de viver de regalias, quando todas as pessoas fazem 20 anos, elas são obrigadas a passar pelo processo, uma série de testes intensos para provar que o indivíduo é digno de morar no Maralto. Assistimos o primeiro e o quinto episódio. Vamos dar uma olhada?

Episódio 1:

Aqui acompanhamos o primeiro dia do 104° Jogos Vor… quer dizer Processo. Diversos jovens deixam suas moradias esquálidas na gigantesca favela que se tornou o Brasil e rumam a um imenso e imponente prédio onde decidirão qual facção… quer dizer, farão o processo. Os jovens Michele (Bianca Comparato), Fernando (Michel Gomes), Rafael (Rodolfo Valente), Marco (Rafael Lozano) e Joana (Vaneza Oliveira) adentram no prédio, tiram suas roupas e colocam o uniforme de lojista da Centauro, a indumentária de participantes do Processo. A primeira etapa é uma entrevista que determina o caráter do indivíduo, suas ambições, desejos, resiliência emocional, como ele se vê daqui a cinco anos, que animal ele gostaria de ser e se ele tem experiência com pacote Office.

Os personagens têm desejos específicos para adentrar ao Maralto (como se abandonar pobreza absoluta não fosse o suficiente). Michele é uma agente infiltrada da Resistência Obrigatória de Futuros Distópicos™, Fernando é cadeirante e não quer levar a mesma vida que o pai, Joana é a garota durona vivida das ruas porque a Poussey fez sucesso em Orange is the New Black. Somos apresentados com a ideia que ser rejeitado no Processo é uma experiência traumática, o episódio mostra isso ao exibir versões dramatizadas do Atrasados do Enem.

Ao longo da trama, somos apresentados ao Ezequiel (João Miguel), o fiscal do vestibular maligno do futuro que supervisiona anualmente o Processo e vem até com frase de efeito. Ele tem um lado instável, vemos que para se manter no controle ele se afoga na pia do banheiro, e porque como toda figura de autoridade de um futuro distópico, ele tem que ter alguns parafusos a menos.

Descobrimos também que existe “a Causa”, uma célula de rebeldes que luta contra o sistema, de novo, porque é um futuro distópico. Por ora, o primeiro episódio apresenta algumas discussões sobre diferenças sociais interessantes, mas um pouco rasas. O mundo de 3% não se esforça muito para sair do arroz com feijão da ficção distópica, simplesmente usa a receita de bolo esperada. Temos a elite privilegiada, a massa pobre e os rebeldes tentando se infiltrar no sistema.

Episódio 5:

No quinto episódio, exploramos o passado de Ezequiel. Um ano antes do começo da série, ele é casado com Julia (Mel Fronckowiak). Rapidamente sabemos que até o final do episódio ela vai ter um final trágico porque seu papel não vai muito além de “esposa bonitona que faz coisas vagamente esotéricas para o marido achar que ela é sábia”. Aprendemos que é ela que ensina o marido a se afogar na pia do banheiro quando ele está estressado, porque isso é algo que casais normais fazem. O lance da pia é tão importante para a trama, que quando o marido gosta da ideia, ela fica extasiada. Este momento é tão impactante, que 3% abandona a premissa de ficção distópica para se transformar em um comercial da Tintas Coral, com direito a MPB cafona enquanto Julia feliz da vida reforma o banheiro da casa deles. Ela também ensina seu marido a sua frase de efeito, que no momento não consigo me lembrar, mas é algo meio Jogos Vorazes.

Em um vídeo de uma operação policial, Julia vê de relance uma criança e passa um ano obsessivamente analisando o vídeo até revelar tragicamente que antes de passar no vestibular Processo, ela teve um filho. Pessoas do 97% não costumam se apegar quando engravidam antes dos 20, pois sabem que correm o risco de nunca mais vê-los. Mesmo assim, revela que chegou a batizar o filho de Augusto. Ezequiel fica furioso quando descobre e começa a se afastar de sua mulher. Até que um dia, ela enlouquece e comete suicídio. Ezequiel recebe a chance de abandonar o cargo e é consolado via vídeo-mensagem pela Zezé Motta, que provavelmente merece projetos melhores que este.

Voltamos ao futuro onde Ezequiel sofre pressões de Aline (Viviane Porto), uma Funcionária (com F maiúsculo) que tem a ambição de tomar seu cargo.

Naturalmente, 3% merece o mérito por ser uma série bastante ambiciosa e em um gênero praticamente não explorado no entretenimento nacional, mas o pouco que vimos não convence. A premissa é simplesmente genérica demais e não traz muita coisa nova para distopias, e a discussão social é preguiçosa demais para fazer algum comentário genuíno sobre a sociedade brasileira.

Fique atento aqui na Freakpop para a crítica da primeira temporada de 3%.

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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