CRÍTICA | A Bela e a Fera | Vale o hype? A Disney acertou no live action?

A Bela e a Fera estreia dia 16 de março nos cinemas Chegou a hora de cutucar a nostalgia. A Bela e a Fera ganha nova roupagem, canções e...

A Bela e a Fera estreia dia 16 de março nos cinemas

Chegou a hora de cutucar a nostalgia. A Bela e a Fera ganha nova roupagem, canções e roteiro no live action que, certamente, será um sucesso de bilheteria, mas que deixará os mais fanáticos apenas satisfeitos.

Desde o anúncio do live action as expectativas foram passear em Plutão e fomentadas conforme o elenco crescia. Após Mogli, era certo de que pelo menos no visual, a Disney não iria decepcionar. E realmente não decepcionou. Se tem uma coisa em A Bela e a Fera que ninguém terá coragem de criticar, é sobre o visual. Mas vamos começar do início.

Neste longa, Bela, vivida por Hermio…, digo, Emma Watson, é uma jovem inteligente, leitora assídua de livros, de um vilarejo no interior da França. Seu pai, Mourice (Kevin Kline), é um engenhoso artista que optou por morar em uma cidade pequena para proteger sua filha de algo do passado. Enquanto Bela foge da prepotência e insistência do belo ex-capitão de guerra Gaston (Luke Evans) que deseja sua mão em casamento, a jovem sonha com algo a mais, dribla os olhares dos provincianos que a julgam “estranha” e, de forma humilde, ainda tenta fazer o bem.

Um belo dia, seu pai está a caminho de uma feira para vender suas artes e Bela, como sempre, pede a ele que retorne com uma rosa de presente. Mourice adentra a floresta, se perde no caminho e vai parar em um castelo. Chegando lá, é recepcionado com comida e hospitalidade, mas algo encantado o assusta. Na saída, resolve pegar umas das rosas do jardim. A Fera o aprisiona por isso.

Bela consegue chegar no castelo e lá fica no lugar de seu pai. A Fera, amaldiçoada a viver como monstro até que alguém o ame, se afeiçoa por Bela. O desenrolar da trama é o mesmo já apresentado na animação, mas ao longo do filme, novos elementos vindos do conto original de 1740, escrito por Gabrielle-Suzanne Barbot, dão um ar fresco para versão popularizada.

O que mudou na história? 

Essas alterações de roteiros deram ao live action um novo corpo. É difícil adaptar um desenho animado que, pelo formato, enaltece o absurdo, o cômico e a magia de forma mais natural do que com humanos. Tem coisas que, ao serem humanizadas, ou ficariam creepy ou aterrorizantes. A Disney soube fazer essa transformação, tornando a A Bela e a Fera em um conto de fadas palpável. Do contrário, a nova geração, que será atingida por este filme, sairia do cinema morrendo de medo – principalmente da Fera – ou não entendendo a história.

Logo, essas mudanças de roteiro, novos pontos nas personalidades dos personagens como a Fera, Gaston, príncipe Adam (antes de ser a Fera) e Mourice, trazem ao filme embasamentos coerentes. O resultado, em relação ao enredo, é satisfatório. Os roteiristas Stephen ChboskyEvan Spiliotopoulos fizeram um trabalho muito competente, mas que comprometem a nostalgia.

Então não é fiel á animação e nem emocionante?

É sim! Porém os mais fanáticos pela clássica animação poderão sair do cinema decepcionados. Como dissemos, a humanização compromete a magia. Sai uma Fera com dificuldades de controlar seus nervos e que não sabe ler, entra uma Fera que teve estudos caros e é sarcástica. Sai um pai que é tido como louco (antes ainda de se deparar com a Fera) e entra um zeloso pai de família com um passado triste. Entre outras coisas.

O grande ponto é que a Disney investiu em construir melhor a história do romance, mas só ousou na estrutura dos personagens. Eles investiram nas personalidades, mas não tentaram criar um final ou um desenrolar diferente para eles. Ao tentar equilibrar o fan service e a obra quanto novo projeto, rolaram algumas falhas.

Como filme, funciona?

Caso você nunca tenha visto a animação de 1991, ou não seja parte da turma que assistiu A Bela e a Fera 450 mil vezes, funciona, com ressalvas. Ainda temos problemas para compreender o tempo que a Bela fica no castelo, quanto tempo se passou desde que a Fera e seus serviçais foram encantados e, consequentemente, quanto tempo eles têm para quebrar o feitiço. Porém, algumas resoluções que envolvem os moradores do vilarejo e os encantados serviçais do castelo, são muito legais!

Emociona? 

Médio. A cena de abertura com a Bela dando “Bonjour” para a cidade é uma das sequências mais incríveis que nós já vimos. A música, os personagens, as coreografias, a canção, tudo! Realmente viajamos para 1991, borboletas voam em nossos estômagos, lágrimas escorrem no rosto sem controle e a expectativa pelo resto do filme é empolgante. A merda é que fica por aí…O que ditará a emoção da audiência com o resto do filme é o quão nostálgico A Bela e a Fera é. Se não for algo extremamente amado, o longa poderá ser somente um excelente musical.

Falando em música, e as canções? 

Temos duas canções originais. Uma interessante, uma mais ou menos. Obviamente que ambas estão conectadas à trama e agregam detalhes ao desenvolvimento da história. Como todo musical. Em geral, funcionam e são didáticas. Como todo musical. Então se não agradar, bem…é um musical.

Balanço final de A Bela e a Fera live action!

Quem vos escreve é geração Disney, assistiu A Bela e a Fera no cinema e tem esta animação como a melhor da vida – pau a pau com O Rei Leão. O longa de 1991, tira lágrima até hoje. Talvez pela saudade da infância, talvez pelo significado pessoal. Não esperávamos ver a mesma coisa no cinema em pleno 2017, e as mudanças aplicadas foram satisfatórias e não comprometeram o saudosismo de mais de 25 anos.

É muito emocionante ouvir frases de sua animação favorita ditas por atores reais em uma adaptação que visualmente é tirar o fôlego. É gostoso cantar as músicas que se ouve ainda hoje, de fone, em um momento introspectivo ou que são cantaroladas por pura felicidade.

É divertido vibrar com a personificação de um dos vilões mais metidos da história do cinema. E suas patifarias com um capataz que, no live action, sustenta a trama com excelentes momentos cômicos. Adoramos o Josh Gad como LeFou. E o Luke Evans é perfeito como Gaston! Perfeito!

O momento onde você é o convidado, a câmera te leva para um espetáculo de CGI com copos, taças, pratos e comidas dançantes. A doçura na voz de Ewan McGregor como Lumière não desaponta. E a valsa, outro jantar mais do que aguardado, não desagrada, mas falta o charme e o peso de Angela Lansbury.

Por fim, sentimos falta da emoção. Por um outro lado, é gostoso de saber que o verdadeiro sentimento de nostalgia será sempre 100% da animação de 1991, e que A Bela e a Fera retorna ao cinema em 2017, como um novo projeto, como algo quase inédito para aqueles que não são tão conectados ao clássico. E o saldo disso é positivo. A animação estará sempre presente e sua força segue sendo única. Este longa, encantará uma nova geração e emocionará alguns corações por aí com seus próprios méritos.

Queríamos ter visto mais? Queríamos ousadia e reinvenções? Sim. Mas a casa do camundongo tem se firmado no que é certeiro, procurando o bom equilíbrio com o fan service e fugido de propostas como Malévola – sucesso de bilheteria e altamente criticado. No fundo, no fundo, quem manda aqui é o público e não a crítica.

Assista A Bela e a Fera nos cinemas a partir de 16 de março. Permita-se ser encantado, sinta-se um convidado daquele mágico castelo, aproveite cada detalhe das cenas. Cante, emocione-se e saia do cinema entretido. Certamente é o que você terá.

Küsses,

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Tatá Snow

“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

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