Afinal, é invernal ou infernal?

Estamos nas vésperas da estreia de Capitão América: O Soldado Invernal e Steve Rogers está prestes a enfrentar seu maior desafio: um inimigo que nem mesmo os Vingadores conseguem derrotar…...

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Estamos nas vésperas da estreia de Capitão América: O Soldado Invernal e Steve Rogers está prestes a enfrentar seu maior desafio: um inimigo que nem mesmo os Vingadores conseguem derrotar…

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… uma legião de pessoas que ficam perguntando se o título do filme está escrito errado, inclusive tirando sarro que na verdade o nome deveria ser ‘infernal’. E por que estas pessoas fazem isso? É algum meme novo? Os fãs estão mais sarcásticos? Ou seria o reflexo de milhares de pessoas que de repente pularam nessa história de quadrinhos mas não fazem ideia do que estão falando?

É o último.

E é indiscutível que os filmes de super heróis estão em alta e milhares de pessoas descobriram este universo no cinema, mas o que leva estes novos fãs a querer discutir e até mesmo pagar de bom entendedor? (A página Poseragem Marvel Rises fez uma coletânea fantástica destes novos intelectuais). Obviamente, vivemos no capitalismo, e quanto maior as vendas, maior o retorno e nós fãs ganhamos novas histórias e filmes. Algumas pessoas chamariam isso de apropriação cultural, mas não somos o Tumblr, então vamos estudar este fenômeno.

Não é novidade

Lembra uns meses atrás quando o mundo parou de se preocupar com coisas reais e passou dias discutindo sobre Miley Cyrus?

Sim, isso mesmo...

Sim, isso mesmo…

O que ela fez no já notório vídeo se chama twerking, e foi inventado pela comunidade hip hop de Nova Orleans no final da década de 90 e inspirado por danças africanas como a Mapouka. Agora, porque uma caipira branquela da Disney fez isso ao vivo? Apropriação cultural. Sabe aquela legião de fãs da Anitta que inexplicavelmente usam camisetas do Ramones, Guns N´Roses e Jack Daniels porque uma vez a funkeira apareceu na televisão com uma estampa dessas? Apropriação cultural. Basicamente, a apropriação é quando um grupo de pessoas começa a usar algo de outro grupo sem o contexto ou o motivo original que resultou neste comportamento. Em alguns casos, como o St. Patrick´s Day nos EUA (e Brasil), o ritual acaba pintando uma imagem preconceituosa sobre a cultura que originou isso (apesar da fama de bêbados, os irlandeses observam o feriado de São Patrício como um dia religioso e se abstêm da bebida). Eu já falei antes sobre como os nerds hoje são cool. Com tantas pessoas conectadas na internet e com tantos filmes fazendo sucesso de quadrinhos, é natural que o público interessado aumente. Agora, no nosso caso…

Não é exatamente um problema

Tudo bem que é um pé no saco aguentar os pseudo-geeks que gritam do topo das montanhas que são experts em quadrinhos porque leram O Retorno do Cavaleiro das Trevas e três edições de The Walking Dead. Sem brincadeiras, uma vez uma moça me contou que entendia tudo de Marvel pois já tinha visto todos os filmes do Homem de Ferro *INCLUSIVE* Vingadores.

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OKAY!

Sim, foi um daqueles momentos que rolou silêncio para não dizer nada chato. E sabe o que aconteceu em seguida? Absolutamente nada. Porque, por mais que quadrinhos sejam incríveis para quem gosta, posers são completamente inofensivos. Eles vivem em seus mundinhos onde curtem essa auto-satisfação bizarra onde acham que realmente entendem do assunto e querem discutir com entendidos do assunto. Só que quando comparamos isso à cultura afro-americana sendo apropriada por um projeto genético da Disney ou uma nação inteira sendo taxa de alcoólatra porque alguns ocidentais babacas não acham carnaval suficiente, ficar irritado porque tem gente que paga pau para o que você curte não parece de todo mal. E ainda mais considerando que…

Mesmo perdidos, é bunda na cadeira do cinema

Por mais que seja bizarro ver pessoas gritando nas ruas que são nerds, por mais que seja irritante ter milhares de pessoas fazendo barulho que não agregam nada às discussões ou criam algo de valia, ainda existe algo fundamental para garantir que a existência deles, no final das contas, é algo bom.

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Oi meu nome é Marvel e vou pedir uma pizza feita de Ferraris

A verdade é que este povo vai no cinema tanto quanto você, eles pagam seus ingressos e de quebra, ainda pedem uma pipoca grande com Coca (as vezes Fanta). Essa grana vai para os estúdios que, por motivos óbvios adoram dinheiro e os incentiva a fazer mais filmes. A derradeira verdade é que, sem esse pessoal, não teríamos a trilogia Batman de Christopher Nolan, Vingadores, O Hobbit, Harry Potter, Crepúsculo, Jogos Vorazes ou seja lá qual é a sua franquia preferida. O “fã casual” é fã na parte que mais importa para os estúdios: na hora de pagar as contas no fim do mês. Para nós, quer dizer que a Marvel continuará adaptando filmes até o Sol se extinguir, e por mais que possamos discutir que isso talvez seja a morte da criatividade de Hollywood, tenho péssimas notícias: Hollywood praticamente inventou o remake o segundo que fizeram um filme e passaram-se alguns anos.

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E querendo ou não, nessa nova leva de fãs, sempre existe o potencial de surgir fãs verdadeiros o que nos leva ao…

Novos fãs podem ser a salvação da indústria

Em 2012, o total de vendas em quadrinhos para a indústria inteira foi US$ 715 milhões. Mais ou menos o que um único filme de quadrinhos fatura em meses. Foi o ano onde leitores começaram a questionar a capacidade das mentes criativas da DC e da Marvel de continuar a criação de histórias de qualidade. A DC reiniciou todos os seus títulos nos Novos 52, a Marvel continuou investindo em infindáveis crossovers e muitas questões foram trazidas à tona. Uma delas, é a questão das personagens femininas.

Basicamente, a DC pegou seu acervo de personagens femininas e decidiu que faltava machismo na parada. Estelar que sempre foi uma personagem que misturava inocência e poder se tornou uma fina desculpa de atriz pornô, a Amanda Waller, que sempre fez Nick Fury parecer uma criança birrenta foi transformada numa novinha gostosa. Por que falo isso? Porque para crescer seu negócio, você tem duas alternativas; a) achar novos compradores ou; b) aumentar a venda para os consumidores atuais. A DC conseguiu alienar seu público feminino com esta mudança e a queda na qualidade das histórias quer dizer que os fãs não vão comprar novos materiais. Não é a toa que pouco após isso, diversos títulos foram modificados.

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A indústria de quadrinhos sempre foi dominada por rapazes brancos, muitos que, infelizmente, não sabem como mulheres funcionam no mundo real. Hoje o mundo é globalizado, meninas também leem histórias em quadrinhos e surpresa, muitos não são brancos. A Marvel conseguiu capitalizar isso muito bem com a nova Ms. Marvel:

Kamala Khan é uma muçulmana morando nos EUA  e a nova detentora do título de Ms. Marvel. Suas histórias já estão entre os títulos mais aclamados de 2014 e entre as maiores vendas. Não só isso, mas o título também ofereceu espaço para novos talentos da indústria, inclusive *gasp* mulheres! O forte da Casa das Ideias sempre foi trazer a luz questões realistas para o mundo dos super heróis, infelizmente, faz alguns anos que Peter Parker não é mais o nerd excluído do colégio e agora além de Vingador, é casado com uma super modelo. Então que tal trazer novos personagens?

E realmente, faz diferença se uns perdidos não sabem a diferença entre infernal e invernal? Agradeça que você teve mais oportunidades e a chance de ter uma educação melhor do que muitos, hoje em dia, isso anda uma raridade.

Enfim, pensem sobre o assunto e deixem nos comentários o que acham sobre o tema.

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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