CRÍTICA | Animais Fantásticos e Onde Habitam … E uma confusão só!

Finalmente o aguardado primeiro filme, de uma saga de cinco, chega aos cinemas. Animais Fantásticos e Onde Habitam é tão confuso quanto a linha cronológica da atual saga cinematográfica...

Finalmente o aguardado primeiro filme, de uma saga de cinco, chega aos cinemas. Animais Fantásticos e Onde Habitam é tão confuso quanto a linha cronológica da atual saga cinematográfica dos X-Men

J.K. Rowling, sua fofa. O que aconteceu? A estreia de uma das mais consagradas autoras da atualidade como roteirista deixou muito a desejar. Muito mesmo. A nova aventura da mente criadora da saga Harry Potter traz uma história nova, “original” e recheada de furos de estrutura. Como filme, Animais Fantásticos e Onde Habitam, decepciona por sua trama tecida em retalhos e uma fantasia hiperbólica por quem, um dia, dominou o dom de mágicas narrativas.

Chegou a hora de viajar para a década de 1920, em uma Nova Iorque com regras bem definidas, tanto para os nomaj (trouxas americanos) e os humanos. Uma época onde nenhum dos lados se mistura, relaciona ou conversa. Em solos da bandeira azul e vermelha, distanciados da magia inglesa de Hogwarts, temos a oportunidade de conhecer um passado longínquo que talvez tenha uma conexão com a conhecida história de Harry Potter.

Rowling retoma seu ambicioso mundo fantasioso que influenciou gerações. Seus fãs cresceram ao longo do desenrolar da história do jovem bruxo e os filmes também, algo realmente incrível quando pensamos em uma saga de oito projetos cinematográficos. Chegamos então no spin-off desse encantado universo. Agora é a hora de conhecer o primeiro grande rival de Dumbledore, décadas antes da aparição de Voldemort e do trio de bruxinhos astutos. Newt Scamander (Eddie Redmayne) surge como o protagonista de uma história onde a magia é a catarse de problemas e não mais seus personagens mágicos. Confuso? A gente explica.

A grande sacada de franquias como Harry Potter, Senhor dos Anéis e todos os filmes da Marvel e da DC é que os elementos fantásticos (e onde habitam) são desbravados por seus personagens principais até então afastados de seus respectivos universos, e a audiência se encanta com a jornada do herói. Harry é um menino que vive com seus tios e na escola de magia é que descobre, ao longo de seu amadurecimento, o mundo dos bruxos. Em Senhor dos Anéis, Frodo é um rapaz que leva uma vida pacata no condado e, ao aceitar a missão do anel, descobre um mundo, até então, desconhecido. E nossos queridos super-heróis são apresentados, partem pra suas primeiras missões e têm seus poderes ou princípios testados. Em Animais Fantásticos e Onde Habitam, a problemática não está no mundo dos bruxos e sim no dos humanos e eles flertam com a ideia de um nomaj aprender a viver no mundo dos bruxos, mas basta um feitiço específico para controlar isso e tudo voltar ao normal. Então, ao invés de acompanharmos a jornada de Newt Scamander, Jacob é o centro da “trama” e sua jornada é o “foco”. É… Faltaram foco e trama.

O que temos aqui de premissa é: Newt acaba tendo alguns animais soltos na cidade e precisa resgatá-los. Neste meio tempo, ele fica amigo de Jacob Kowalski (Dan Fogler) que é o humano que ajudará Scamander nessa missão de resgate. Em paralelo, conhecemos Macusa (o “ministério” americano) que controla o risco de exposição dos bruxos. Neste sistema, temos Percival Graves (Colin Farrell) o chefe dos aurores (policia da Macusa) que investiga os ataques que estão vinculados a Gerardo Grindewald (o mega blaster bruxo do mal da vez). Enquanto Newt caça seus fugitivos, Tina Goldstein (Katherine Waterston) tenta recuperar seu antigo emprego como agente da Macusa levando até eles a exposição que Newt causou.

(…)

Pausa para uma hora de cenas irrelevantes dentro da maleta, onde estão os demais animais que não fugiram. Pausa para conhecermos Queenie Goldstein (Alison Sudol), a irmã de Tina que, além de ler a mente das pessoas, consegue preparar um jantar incrível com muita magia, pratos e copos voando e quitutes preparados no ar. Be our  Guest… Ops, filme errado. E aí em algum momento conhecemos Credence (Ezra Miller) que tem uma mãe adotiva doidona que insiste em berrar nas ruas da cidade que há forças malignas ameaçando a mesma. E aí outros ataques de enorme nuvem preta, que destrói tudo, acontecem. Tipo em LOST.

Ah! Pera, qual é a trama do filme mesmo?Ah sim. Resgatar os animais e procurar o vilão. Oba, ainda tem meia hora de filme depois de todo fan service e pá. Vilão tá lá, tão óbvio quanto 2 + 2 = 4.

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A premissa de Animais Fantásticos se perde em seu primeiro projeto que foca em entregar um fan service para fãs carentes da saga. Não conhecemos Scamander de verdade, não compreendemos as reais motivações do vilão (que estão conectadas às Relíquias da Morte), absolutamente tudo acontece de forma muito natural, desde o encontro de Tina com Newt até o momento açucarado entre Jacob e Queenie, e o final do filme não tem cliff hanger, não planta nenhuma semente de dúvida e não deixa nenhum arco não encerrado para termos expectativa pelos próximos filmes. O flerte com a ideia de um humano vivendo entre bruxos é resolvido. A fumaça preta é resolvida. O vilão é resolvido e o Newt? Bem, ele vai pra casa escrever o seu livro para Hermione ler no futuro.

Não achamos totalmente ruim um filme focar em seus fãs, mas se a ressurgência do universo Harry Potter fora introduzido neste longa, temos um grande problema por vir. Todo peso e amadurecimento da franquia vinda dos livros é esquecida para mostrar uma magia emponderada e bem fortalecida. De novo, até a ameaça mais assustadora no mundo dos bruxos é banal perto do que Newt e a Macusa conseguem fazer. Somado a isso o elenco não ajuda muito. Redmayne entrega uma atuação bem esquecível, Waterston é pulso firme, mas não marca, Sudol dá vida a uma personagem sonsa que só serve para encantar o Jacob de Dan Floger, aliás, o melhor personagem e o verdadeiro protagonista apagado por um maldito feitiço. Nunca vamos perdoar isso (ao assistirem o filme, vocês entenderão).

Ficamos sem fôlego com as belíssimas cenas de ação e destruição de Nova Iorque (de novo) dirigidas por David Yates, e também ficamos sem fôlego para acompanhar os próximos filmes que, por sinal, nem deverão ter o mesmo nome já que tudo foi solucionado. Animais Fantásticos e Onde Habitam desencanta o universo Harry Potter e faz a audiência esquecer da magia tanto quanto a humanidade controlada pela Macusa. Uma pena.

Küsses,

[toggler title=”PS.: Respire fã, temos uma análise imperdível aqui feita por uma verdadeira Potterhead! ” ]https://www.freakpop.com.br/animais-fantasticos-e-onde-habitam-harry-potter-e-uma-fa-bem-potterhead/[/toggler]

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Tatá Snow

“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

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