Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald

CRÍTICA | J. K. Rowling precisa voltar a escrever livros, apenas

Ela poderia apenas escrever livros...

Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald é visual puro e zero roteiro

Mais um longa da saga Animais Fantásticos chega aos cinemas. Chegou a hora de conferir “Os Crimes de Grindelwald”. No primeiro longa, tivemos quase duas horas de “nada” até Gerardo Grindelwald (Johnny Depp) ser capturado, agora em Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald ele foge da prisão e uma nova jornada é, teoricamente, apresentada.

Cadê roteiro? 

Antes de mais nada, aqui vamos comentar o que achamos de Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald quanto FILME. O que vale é esta obra, já que a mesma vem da cabeça criativa da autora e sem base em livros. Animais Fantásticos se passa bem antes das aventuras de Harry Potter e tenta se aprofundar no complexo universo criado por J. K. Rowling. E não consegue.

A cena de fuga de Grindelwald no início do longa empolga, mas dura pouco tempo. O bruxo é apresentado como o mais temível de todos, entendemos que ele tem um passado de amizade com Dumbledore (Jude Law) e o MACUSA (Congresso de Magia dos Estados Unidos) precisa capturá-lo.

Newt Scamander (Eddie Redmayne) não tem autorização para ir atrás do bruxo, mas Dumbledore o aciona às escondidas. Enquanto a grande batalha não acontece, temos um visual belíssimo em um roteiro sem estrutura alguma.

O que acontece até Grindelwald ser pego? 

Vamos lá. Newt tem um irmão que trabalha na MACUSA, eles até tentam propor um cargo para o jovem na intenção de controlar seus atos, mas Scamander não aceita. Quando Dumbledore o aciona, ele começa a procurar por Tina (Katherine Waterston), que agora se tornou promotora do Congresso, enquanto  procurar rastros de Grindelwald  às escondidas. Quando Tina percebe que Newt está mais avançado nas investigações, resolve o ajudar independente da MACUSA.

Sessão “Está de volta!” 

Jacob (Dan Fogler) está de volta. Sua memória não foi totalmente apagada e ele vive com Queenie Goldstein (Alison Sudol). Mas o casal está na trama sem motivo algum. Eles são uma fraca tentativa de alivio cômico.

Credence Barebone (Ezra Miller) também está de volta! Pelo jeito o esquisito bruxo tem um passado e algo que interessa à Grindelwald. O jovem é umas motivações do vilão. O bruxão quer o menino do lado dele de qualquer forma sob a promessa de revelar o seu verdadeiro passado.

Leta Lestrange (Zoë Kravitz) também está por aqui e faz parte do “pedaço do roteiro desajustado”. Com um passado conectado à família de Credence, Leta carrega segredos mortais sobre algumas figuras conhecidas, inclusive sobre Dumbledore. A personagem dela é jogada de um lado por outro durante o filme até que ela escolhe um lado da batalha. Não esperem nada além disso e de uma confusão cronológica imposta no longa apenas para garantir o terceiro filme.

E aí?

Com isso temos uma história que daria para ser contada sem a presença de vários personagens. O que mais atrapalha o andamento do filme é que Rowling fez questão de usar os mesmos personagens do primeiro filme e ainda inseriu novos, deixando tudo muito superficial. Principalmente ao trazer Theseus Scamander (Callum Turner), o irmão mais velho de Newt, que está no longa apenas para ser noivo de Leta e como uma peça falha para explicar parte do comportamento estranho de seu irmão.

Sem contar que, com todos em cena, não existe um arco principal de quem é “do bem” e quando a virada do filme acontece, você não se surpreende, já que no meio do caminho (literalmente no meio do filme), vocês já entendem o que vai acontecer e qual personagem vai virar a casaca.

Assistir Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald é uma experiência visual bem legal, principalmente em uma tela enorme com som digital, mas quanto enredo só firma que J.K. Rowling fez algo além de sua capacidade e a produção entrega formas, cores e bichos para saciar os fãs. Por que qualidade mesmo, estrutura narrativa, personagens bem construídos, são pontos descartados pela autora.

É impossível não comparar com a qualidade da franquia Harry Potter nos cinemas. Ali acompanhamos sete longos filmes que, juntos, foram uma obra cinematográfica incrível. Não só pela jornada do Harry, mas também pela complexidade de Hogwarts e seu universo. Além disso, fomos apresentados à magia/bruxaria de uma forma diferente e extremamente criativa.

Em Animais Fantásticos, Rowling faz um apunhado de referências para trazer nostalgia e assegurar os fãs que defenderão a obra com frases como: “ah o filme é confuso, mas tem uma cena irada em Hogwarts, sou fã e amo Harry Potter”. O que nós amaríamos ver são as pessoas AMANDO Animais Fantásticos e não encostadas numa muleta eufórica que só entra para este universo 60 anos depois, mais ou menos.

Não defenda o bolo pela cereja. Saca?

O que nos enfurece quanto “analistas de entretenimento” é que um projeto como Animais Fantásticos seria uma mina de ouro nas mãos em termos de narrativa, contanto que Rowling não assinasse o roteiro. Assim como fazem com Game Of Thrones, George R. R. Martin dá a história e a HBO adapta para a TV. E que sucesso né?

O visual é belo e a direção de David Yates é competente. Os seres mágicos que aparecem ao longo do filme impressionam, cativam e encantam. Mas não é so de visual que um longa sobrevive. Seria mágico termos uma prequela bem contada, fazendo bom uso deste caro elenco e realmente encantando novas gerações e os “velhotes” que cresceram com Harry Potter. Mas o que temos aqui é mais uma franquia que só sabe fazer dinheiro e vender licenciados. Entre Transformers e Velozes e Furiosos, temos mais uma saga bilionária que só serve para entregar barulho.

Uma pena…

Küsses,

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Tatá Snow

“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

Nota:
5.3
Nota:
O bom
  • Johhny Depp rouba a cena! Excelente participação.
O ruim
  • O filme como um todo.
  • Direção
    8
  • Roteiro
    3
  • Elenco
    6
  • Enredo
    4
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CriticasFilmes

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