CRÍTICA | Até o Último Homem – Há muita vida em uma guerra

Mel Gibson retorna ao cinema como diretor em Até o Último Homem Vocês estão preparados? Porque nós não estávamos preparados. Até o Último Homem é um dos melhores filmes...

Mel Gibson retorna ao cinema como diretor em
Até o Último Homem

até o último homemVocês estão preparados? Porque nós não estávamos preparados. Até o Último Homem é um dos melhores filmes de 2017. Mel Gibson arregaça as mangas e leva para o cinema uma história real e enternecedora.

Segunda Guerra Mundial. Este é o cenário deste filme que deixa “no chinelo” O Resgate do Soldado Ryan (1998), Cartas de Iwo Jima (2006) e Além da Linha Vermelha (1998). Até o Último Homem é tão impressionante quanto A Lista de Schindler (1993) e por esta, ninguém esperava.

Desmond T. Doss (Andrew Garfield) é um caipirão da Virgínia que tem um passado complicado. Religioso, Doss cresce em um ambiente familiar de intolerância. Quando adulto, se apaixona pela enfermeira Dorothy Schutlle (Teresa Palmer), mas o amor dos dois é posto em prova pela necessidade de Desmond cumprir seu papel como homem em meio a guerra.

Ele se alista para o exército. Seu pai, o veterano Tom Doss (Hugo Weaving) é um homem de poucas palavras e muita atitude – até demais. Visivelmente atordoado por seu passado em campos de batalha, ele é contra a decisão de seu filho.

Após conseguir uma brecha no código do exército americano, Desmond embarca como médico para tomada de Hacksaw – parte da Batalha de Okinawa (Japão) –  e salva mais de 75 homens sem portar nenhum tipo de arma para sua própria proteção ou defesa de seus colegas. Sim, acabamos de apresentar a sinopse com spoiler do filme. Mas respire, leitor…respire. Este thriller é baseado em uma história real.

Sabemos o começo, o meio e o fim de Até o Último Homem. O que torna essa película excepcional é o Mel Gibson!

Antes de adentrarmos em longas e viscerais cenas de combate, conhecemos em profundidade a vida de Desmond. Cada parte apresentada tem um motivo, uma função e está conectado as compreensões futuras do roteiro. Nos envolvemos com o jovem, com o seu pai, com sua mãe Bertha Doss (Rachel Griffiths) e com sua noiva enfermeira. Um romance e um drama familiar ganham a tela para que, no momento da guerra, o coração da audiência esfarele lentamente em irreparáveis pedaços.

O horror do combate é explicitamente mostrado. Canhões, tiros, murros, bombas e granadas nos tiram da realidade para sentir cada baixa dos homens daquele pelotão. Não é um filme fácil de assistir, melhor evitar refeições pesadas antes da sessão.

Desmond está em pânico. Ele é um homem do bem. Ele só queria salvar vidas. E ele salva. Quando não há mais esperança, nem mesmo para os militares machucados que aguardam atendimento médico, Doss surge com uma frase: “Por favor Deus, me ajude a trazer mais um!” e embarcamos em uma trama que instaura um novo sentido ao conceito de heroísmo. Emoção atrás de emoção.

O que movia Doss não era apenas a responsabilidade moral de defender o seu país. Ele era um homem de fé. A religião surge em Até o Último Homem como uma alavanca na trama. Longe de ser pedante, a crença move Desmond e o mantém firme entre tantas mortes. O filme não é só um retrato de um herói de guerra, é uma comovente história sobre como é possível manter seus valores sem ser corrompido pelo meio.

Mel Gibson pegou o roteiro de Robert Schenkkan e Andrew Knight e faz a lição de casa direitinho. Ele entrega um filme visualmente impecável, realista – até demais – e eletrizante. As vidas que surgem das machucadas mãos de Desmond reforçam o quanto a humanidade não estava pronta para uma segunda guerra mundial. Gibson planta no coração da audiência a esperança por tempos menos violentos, em um mundo ainda destruído por aqueles que são movidos por poder e não por sabedoria.

Prepare-se para chorar. Permita-se ser envolvido por uma história única, talvez esquecida ou ignorada, e deixe o Mel Gibson te guiar com chocantes cenas que reencenam um dos maiores genocídios da história da humanidade. Faz bem reconhecer que um homem salvou tantas vidas em épocas jamais esquecidas. A inigualável emoção provocada por este filme enaltece a vontade de viver. E isso, caro leito, é um mérito do diretor que soube levar pra tela tamanha lição.

O longa concorre em três categorias no Globo de Ouro 2017:

  • Melhor Diretor (Mel Gibson)
  • Melhor Filme de Drama
  • Melhor Ator em Filme de Drama (Andrew Garfield)

Distribuído pela Diamond Films e estreia nos cinemas dia 26 de janeiro.

Küsses,

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Tatá Snow

“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

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