A volta de Capitão Escarlate e os Mysterons no YouTube

50 anos após a estreia, a série volta com um episódio especial disponível no YouTube Esta é a voz dos Mysterons. E se você fosse uma criança em 1967,...

50 anos após a estreia, a série volta
com um episódio especial disponível no YouTube

Esta é a voz dos Mysterons. E se você fosse uma criança em 1967, estaria correndo para debaixo da cama ao ouvir esta declaração na voz gutural dos inimigos jurados da Terra em Capitão Escarlate e os Mysterons, uma série estrelada por marionetes. Algo como um dublê digital, só que ocupando espaço físico em um cenário em lugar de terabytes em algum computador.

Vamos relembrar?

Os Mysterons eram inimigos formidáveis cujo grande apelo dramático vinha do fato de nunca serem vistos. Sua presença era revelada apenas pela voz ameaçadora e por dois círculos de luz passeando pela tela. Capazes de criar cópias de qualquer coisa, incluindo seres humanos, eles podiam transformar qualquer pessoa em um de seus agentes. Sua animosidade contra a Terra havia começado de forma imprevista, após uma equipe de humanos em missão exploratória em Marte disparar contra uma cidade no planeta vermelho pensando que estavam sendo atacados. Em resposta, os Mysterons consideraram a ação um ataque não provocado cuja pena deveria ser a destruição da humanidade.

Ambientada no ano de 2068, a série mostrava a atuação da Spectrum, organização responsável pela defesa da Terra e representada por uma equipe de liderada pelo Coronel White a partir de um porta-aviões flutuante, o Cloudbase. Principal agente da Spectrum, o Capitão Escarlate tinha uma característica especial, ele havia sobrevivido a um ataque dos Mysterons e se tornado indestrutível.

Enquanto isso, seu colega, Capitão Black, havia se tornado um agente dos Mysterons. Além dos agentes, todos batizados com cores, a Spectrum contava com um grupamento aéreo composto apenas por mulheres. Assim como os agentes, a equipe feminina tinha personagens de várias partes do planeta, retratando uma nova ordem global na qual a Terra tinha um único governo. As várias origens também garantiram elogios pela diversidade dos personagens.

As mentes criadoras e a tecnologia da época

Criada por Gerry e Sylvia Anderson, o casal que já havia produzido Fireball, XL5, Stingray e principalmente Thunderbirds, Capitão Escarlate e os Mysterons se diferenciava das outras séries produzidas pelo casal pelo tom e pelo tema. Enquanto Thunderbirds mostrava uma equipe salvando vidas, Capitão Escarlate era uma série de guerra, que começava com uma ação violenta. A série era também um degrau acima na evolução do Supermarionation, termo cunhado por Gerry Anderson para descrever suas produções estreladas por marionetes.

O processo consistia no uso de figuras altamente sofisticadas, com membros e corpo articulados, comandadas por fios que serviam tanto para guiar os movimentos como para enviar impulsos elétricos para componentes eletrônicos no interior da cabeça das figuras. Esses componentes cuidavam das expressões faciais e dos movimentos dos lábios, que eram sincronizados com as falas dos atores que davam voz a cada personagem. Combinados com cenários em escala e muitos efeitos especiais, os bonecos em Supermarionation simbolizavam a busca constante de Gerry Anderson pela naturalidade, nascida da frustração de não trabalhar com atores humanos.

Com Capitão Escarlate, essa busca resolveu um elemento importante na falta de naturalidade, a necessidade de manter a cabeça da marionete com um tamanho mínimo para conter os equipamentos necessários aos movimentos. Na nova série, as proporções foram corrigidas, embora isso tenha custado mobilidade e os personagens apareçam muito mais sentados ou parados. Também custou discussões com os profissionais da área, entre eles o escultor John Blundall, que deixou a produção de Thunderbirds por achar que uma marionete não deveria parecer humana, mas sim fazer o que os humanos não fazem.

Outra inovação foi a ideia de controlar as marionetes pela parte debaixo, o que permitiria eliminar os fios que insistiam em aparecer apesar de todos os esforços da equipe de produção. Os fios das marionetes também prejudicavam cenas em que os personagens precisavam passar sob uma porta ou outra estrutura, embora os fãs não ligassem e até hoje vejam os reveladores fios como um charme vintage do Supermarionation.

Chegou a hora de voltar no tempo!

Com 26 episódios, Capitão Escarlate e os Mysterons não atingiu o sucesso de Thunderbirds, mas foi popular o suficiente para ganhar episódios adicionais em áudio, quadrinhos e livros. E honrando a busca de seus criadores por melhor tecnologia para emular personagens humanos, em 2005 o personagem ganhou uma série em computação gráfica, The New Captain Scarlet, que está sendo relançada em alta definição pela Amazon Video para comemorar os 50 anos do original, com um dos episódios liberado para acesso no canal oficial de Gerry Anderson até o dia 31.

A série em CGI foi a última produção supervisionada por Anderson antes de sua morte em 2012. O homem que fez sua primeira série com marionetes porque precisava do dinheiro, mas partiu dali para criar um legado.

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