CRÍTICA | Capitão Fantástico – A impactante reprovação ao capitalismo

Em temporada de premiações, Capitão Fantástico surge para fazer barulho e polemizar Em uma floresta selvagem no Pacífico Norte vivem um pai e seis filhos. Com uma rotina rígida, as crianças...

Em temporada de premiações, Capitão Fantástico
surge para fazer barulho e polemizar

Em uma floresta selvagem no Pacífico Norte vivem um pai e seis filhos. Com uma rotina rígida, as crianças dominam a caça, esportes, combates corpo a corpo, agricultura e outras lições necessárias para viverem em uma cabana sem energia elétrica e com poucos recursos vindos da civilização. Além disso, Ben (Viggo Mortensen) ensina seus filhos sobre ciências, história, política, matemática e demais aprendizados que teriam em uma escola. E todos são fluentes em seis idiomas ou mais. Com esta estrutura em mente, como criticar a habilidade deste pai que potencializa a capacidade intelectual de seus filhos desde pequenos? E detalhe: todos são precocemente inteligentes. Será que uma vida longe do capitalismo é algo que a sociedade precisa começar a vislumbrar? Será que a humanidade não está pronta para usufruir a evolução dos dias de hoje? Ou ainda: as ferramentas atuais alienam ou invés de ajudar? É neste tom crítico que Capitão Fantástico desenrola um dos roteiros mais admiráveis entre os lançamentos de 2016. Matt Ross, diretor e roteirista, está de parabéns!

A vida moderna bate na porta deste pai. Um belo dia, ele é forçado a retornar à civilização para encarar a família de sua falecida esposa. Sob constantes julgamentos, Ben e seus filhos aparecem no funeral desta amada mãe que só se distanciou da floresta por uma necessidade específica, que o arcaico estilo de vida deles não atendia. Sendo considerados “loucos”, ao invés de diferentes, as crianças lidam com o luto de formas incomuns e comprovam aos olhos de quem os sentenciam que são preparados para o mundo, tanto quanto as crianças que vivem de forma “normal”. Este pai, além de defender suas crias, quer honrar um desejo pós-mortem de sua esposa. O ritual, a princípio estranho, é o momento onde a audiência entende porque uma vida longe do capitalismo pode ser favorável.

Além disso, temos o embate entre os primos. De um lado, jovens que frequentam escola e jogam vídeo game, do outro os que gostam de cantar, tocar instrumentos, ler livros e escalar. O “certo e o errado” são levados para a tela em cenas que representam singelos momentos do dia a dia. Aqui, o comodismo vindo do acesso a uma vida privilegiada é jogado na cara de quem assiste a obra. Os fatores históricos que formam a sociedade atual também têm seus destaques, e o resultado é digno de longos pensamentos, mais conhecidos como crises existenciais. Afinal, devemos ignorar o nosso passado – vindos de outras eras e gerações – ou agir de forma egocêntrica e centrada no tempo que vivemos?

Capitão Fantástico não é uma obra que visa mostrar o quanto um estilo de vida diferente pode ser benéfico. Até porque os problemas e dificuldades de Ben e das crianças são mostrados e a ausência de certos ambientes e convívios também surgem para apontar os erros deste pai “fantástico”. O longa deixa uma mensagem muito rica sobre factoides não valorizados pelo coletivo e nos leva a refletir sobre a humanidade como um todo.

Vivemos um tempo de crise, de divergências e de interesses que nos cegam e distanciam da única tarefa que deveria ser realizada por todos os humanos: usufruir da nossa racionalidade de forma benéfica.  Eis aqui a verdadeira ponderação deste belo longa.

Capitão Fantástico estreia dia 22 de dezembro nos cinemas. Assista, vale a pena.

Küsses,

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Tatá Snow

“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

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