Cinquenta Tons de Cinza

O sucesso da trilogia Cinquenta Tons de Cinza foi explosivo e colocou em evidência uma modalidade erótica até então pouco explorada na literatura popular: o BDSM, que é a...

O sucesso da trilogia Cinquenta Tons de Cinza foi explosivo e colocou em evidência uma modalidade erótica até então pouco explorada na literatura popular: o BDSM, que é a sigla para Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão e Sadismo. Tudo consensual, é claro. Um acordo tácito entre Dominante e Submisso (que pode ser homem/mulher, mulher/homem), onde o relacionamento, de caráter físico, envolve algemas, chicotes, submissão sexual e a exploração dor/prazer, entre outras coisinhas mais.

Com mais de 100 milhões de exemplares vendidos, de acordo com a Editora Intrínseca, o romance com direito a chicotadas foi para nos cinemas. Nós conferimos se o boom vale a pena ou não. Antes de tudo, Cinquenta Tons de Cinza, escrito por E.L. James, nasceu como uma versão meio porn de Crepúsculo, então as similaridades não são mera coincidência. Dito isso, vamos ao que interessa. Prontos para entrar no Quarto Vermelho da Dor?

Cinquenta Tons de Cinza surpreende mas deixa a desejar, e muito. A partir das cenas divulgadas antes do lançamento, a direção de Sam Taylor-Johnson afundou uma picante premissa em alto mar. Anastácia Steele (Dakota Johnson) é uma estudante de 21 anos se envolve com Christian Grey (Jamie Dornan), um empresário podre de rico de 27 anos. O que Ana não sabia, era que o jovem e intrigante rapaz gosta de jogos e dominação sexual, um mundo completamente novo para ela – que ainda por cima é virgem. A relação prazer/dor, se vale a pena tentar ou não e explorar a própria sexualidade deveria ser o problema central, mas o que divide a personagem é o amor versus ‘foda depravada com dor e punição’.

Algumas partes são realmente divertidas e podem se ouvir vários risos pela sala de cinema, o que dá uma leveza sutil para o clima carregado de conteúdo sexual. Jamie Dornan dá um tapa na cara de quem criticou sua escalação. Com toda a profundidade que o personagem pode ter, seus olhos são sua chave do sucesso. Nem tanto suas expressões faciais, mas seus olhos… Falam muito. Dakota Johson tem seus momentos, mas em certas cenas parece cansada da sua personagem e em outros momentos transparece sua dúvida em aceitar o papel, coisa que já foi dita pela atriz em diversas entrevistas. Por ser uma versão mais, digamos agressiva de Crepúsculo, sua atuação não deixa nada a dever para Kristen Stewart e suas – mesmas – expressões. Sem contar que ela precisa urgente de Sustagen (dá pra tocar piano em suas costelas) e um tratamento de pele para ontem!

O excesso de closes cansa até a morte. Da boca, dos olhos de Ana, da espinha da pobre coitada. O jogo de câmera lembra muito o Crepúsculo. Cenas longas com apenas os protagonistas, sem falas, sem música, sem sabor. A edição peca em alguns momentos, e exagera em momentos que poderiam ser encurtados ou preenchidos com a boa trilha sonora selecionada para o filme que é recheada com Beyoncé, Kings Of Leon, Frank Sinatra, Bruce Springsteen e Snow Patrol. Quer ouvir a trilha sonora? Confira abaixo todas as músicas em um único lugar:

Mas, esta é uma história de sexo, de dor e amor. E quase não tem sexo. Nu frontal de Ana, nu traseiro de Grey (e que traseiro, misericórdia!), o seriado True Blood tinha muito mais sexo do que o filme, sendo o que o livro é 75% sexo, o que traz uma incongruência difícil de engolir. No quesito roteiro adaptado, Sam Taylor-Johnson pecou e pecou feio. Apesar de não ter, perceptivelmente, erros de continuidade, o filme Cinquenta Tons de Cinza está bem distante do livro Cinquenta Tons de Cinza. Como adaptação: ah… NÃO. Não mesmo. Não tem nada do livro.

O filme é mediano. O medo de mostrar um pornô para donas de casa e restringir demais a faixa etária – e perder a bilheteria de adolescentes afoitas com o sex appeal de Christian Grey – ,estragou geral. O falso pudor de mostrar o nu e o rala e rola que Lars Von Trier não tem medo nenhum de expor, cagaram com a história. A diretora, na real, deveria fazer um curso com ele antes de tentar fazer cenas de sexo piegas.

Diga adeus à vontade de pedir pro bofe te amarrar na cabeceira e dar um tapas no bumbum. Enquanto o livro faz a mulherada molhar a calcinha com descrições explícitas que dão asas à imaginação, o filme fica no romance mamão com açúcar, estilo Sessão da Tarde (na Lagoa Azul rola mais nudez, SÉRIO).  Ah, detalhe importantíssimo: parece que a direção trocou o sexo pelo vinho. Toda hora aparece alguém bebendo. Sério, aparece muito mesmo. Vinho, drinques, que seja. Gente, menos bebedeira, mais chicote estralando, porfa.

Voltando para Bella, ops, Ana, no livro ela tem mais personalidade. Bate boca, questiona, negocia. No filme? Fica muito submissa, mas sem a parte sexual gostosa. Só obedece, pisca, abaixa a cabeça e morde os lábios. Personalidade para quê? Francamente. Cara de coitada master. Dá dó. Entendemos que a palavra de ordem foi: contenção. Contenha as falas sujas no pé do ouvido, vamos ousar apenas belo e cafona “Eu o fodo forte!”.

O filme conta também com Victor Rasuk como José, Eloise Mumford como Kate, Luke Grimes como Elliot, Jennifer Ehle como Carla, Marcia Gay Harden como Grace e Callum Keith Rennie como Ray Steele.

A estreia? Vocês já sabem né: Dia 12 de Fevereiro em todos os cinemas nacionais.

Até a próxima.

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