CRÍTICA| Como Eu Era Antes de Você: prepare os lencinhos, esse filme vai te emocionar

Adaptação de Como Eu Era Antes de Você arranca suspiros, lágrimas e risadas em meio a um roteiro simples e sem grandes evoluções Jojo Moyes já tinha inspirado lágrimas e soluços...

Adaptação de Como Eu Era Antes de Você arranca suspiros, lágrimas e
risadas em meio a um roteiro simples e sem grandes evoluções

Jojo Moyes já tinha inspirado lágrimas e soluços sentidos com o livro “Como Eu Era Antes de Você”. Quando a adaptação cinematográfica foi confirmada a voz geral da internet bradava: xi, lá vem mais lágrimas por ai!

Dito e feito. Emilia Clarke mostra delicadeza e expressões cômicas ao dar vida a Lou Clark, uma moça de 26 anos que não sabe o que quer da vida mas, como todos sempre insistem em ressaltar, tem “potencial”. Sam Clafin é Will Traynor, empresário, amante de esportes, com um norte certo para sua vida. Mesmo com todo o dinheiro de sua família e possiblidades, Will está preso em uma cadeira de rodas, com apenas o movimento das mãos e um pouco do pescoço e olhos. Uma combinação improvável na vida real mas que, no mundo cor de rosa dos romances, é super possível.

Lou é quase que um arrimo de família: sem sua contribuição as contas de casa, as mesmas não poderão ser pagas. Por isso, ao ser demitida do emprego de garçonete, implora pela chance de trabalhar como cuidadora de Will, dando uma injeção de ânimo no homem claramente rude e sem disposição para nada. Com roupas absurdas, sorrisos exagerados e tentativas de aproximação desastrosas, o relacionamento do casal evolui mais rápido do que no livro, com uma interação mamão com açúcar tipo Bárbara Cartland. Começa então a jornada de Will e Lou por um final previsto e impossível de ser cancelado.

Como Eu Era Antes de Você tem um grande potencial de vendas, principalmente para o público feminino. Não espere grandes reviravoltas, um enredo complicado ou tenso, ou sequer uma qualidade expressiva. Há erros de continuidade, de edição e até mesmo atuações que não conversam. Katrina, irmã de Lou, destoa completamente da família: todos são de falar alto, de conversar, com caras e bocas… Jenna Coleman a interpreta de maneira sensata, como a voz da razão de Lou e isso vai contra a maré dos Clark.

No livro, ela é tão confusa e doidinha quanto o resto da família e a relação das irmãs não é tão fácil quanto mostram na telona: é complicada, com uma irmã egoísta, que não hesita em ir embora cursar faculdade, de dominar a vida dos pais, pois é mãe solteira, de querer o quarto maior sempre, em detrimento do conforto dos pais. No livro, fica bem evidente a opinião que os pais de Lou, interpretados por Brendan Coyle e Samantha Spiro, têm dela. No filme é mais sutil. No livro é quase visceral.

Porém, se simplesmente prestar atenção somente ao enredo e sentir a atuação e conflitos dos Traynor, principalmente de Will, esses detalhes acima podem parecer insignificantes. Se não for fã do gênero e/ou ter um coração de pedra, é melhor assistir outro filme. As cenas protagonizadas por Janet McTeer como Camilla Traynor e Charles Dance como Steven Traynor são de cortar o coração. De um lado, uma mãe que tenta desesperadamente salvar o filho, do outro, um pai que entende os motivos de Will e que aposta todas as suas fichas na tresloucada de roupas chamativas.

A tarefa de Lou não é dar os remédios nas horas certas: é insuflar o desejo de viver em Will, que dá seis meses para os pais antes de cometer suicídio assistido na Suíça. Esse tema foi polêmico na internet e deficientes do mundo todo pedem boicote ao filme pelo modo como a deficiência foi retratada na história. Mas entendam: isso é algo particular ao personagem, uma escolha que pertence apenas a Will.

O discurso que ele faz na praia para uma chorosa Lou explica muito bem isso: o cara era um esportista radical, vivia ao extremo e se vê confinado a uma cadeira de rodas, com inúmeros problemas de saúde e dependendo de outros para executar as tarefas mais simples. Quem somos nós para julgar a decisão de alguém, ainda que seja em um livro?

Enquanto no impresso a vontade de esganar Will é gigantesca, Clafin entrega uma atuação ora engraçada, ora charmosa, ora “me levem para casa”. Ele dificulta muito mais a tarefa da garota, a coloca para baixo e assume uma posição “coitado de mim”. Justamente por isso, quando o romance deslancha, o final é tão sofrido e as lágrimas tão sentimentais. Na versão cinematográfica começa com um arranca rabo, vai para uma amizade com olhares de esguelha para uma declaração na praia. Só que nem por isso chorará menos.

Sam Clafin faz o público se apaixonar por Will e, quando o final chega, a sensação de perda tem potencial para entrar nos TOP 10 de Momentos mais Tristes do Cinema. Potencial apenas. Pois a efemeridade do filme, a falta de cuidado especial com produção ou roteiro master, blaster desenvolvido – fica no mediano, nem tão lá, nem tão cá -, fará com que seja mais um filme meloso da história. Talvez não. Mas as chances são grandes de que seja um sim.

Independente de tudo: lágrimas rolarão. Risadas serão dadas como uma Emilia pronta para conquistar o público em sua versão morena e carismática, com situações hilárias e muitas expressões faciais.

Preparem os lencinhos! Como Eu Era Antes de Você já está em cartaz em todo território nacional.

Comente via Facebook!
Categorias
Criticas

Ver também