Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola é um hino ao espírito 7ª B

Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola é polêmico, porém honesto Convenhamos, é fácil falar que educação importa, que tadinho dos professores, que escola é o futuro. Essa...
Como Se Tornar O Pior Aluno da Escola

Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola
é polêmico, porém honesto

Convenhamos, é fácil falar que educação importa, que tadinho dos professores, que escola é o futuro. Essa ladainha é praticamente mandatória quando você vira adulto, mas ninguém hoje consegue descer do pedestal da pseudo-sabedoria e lembrar de uma informação que é dogma aos 13 anos de idade: ESCOLA É UM SACO.

Não é surpresa que botar um uniforme sem graça, encher uma sala com gente entediada para aguentar um tiozão falando sobre mitocôndrias e progressão geométrica e tudo isso com puberdade te transformando num demônio de instabilidade é a própria visão do inferno. É fácil começar a enxergar o diretor e seus funcionários como o alto escalão de alguma ditadura tirânica do Leste Europeu. Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola celebra a época onde instigar o caos escolar, fazer esquema com o bedel e colar na prova eram questões de vida ou morte.

Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola

Pedro (Daniel Pimentel) e Bernardo (Bruno Munhoz) são melhores amigos e bons estudantes. Quando o pai de Pedro falece, suas notas começam a cair. Sem apoio emocional, ele se refugia no banheiro e encontra um caderno de um aluno antigo do colégio. O caderno é uma espécie de Anarchist Cookbook para a geração Caminho Suave.

Vendo que existem várias técnicas para colar na prova e desesperado para não repetir de ano, eles vão atrás do Pior Aluno (Danilo Gentili) que os ensina a causar na escola, tirar sarro de todo mundo e trapacear pra vencer. Assim, começam a enlouquecer os professores e o diretor da escola (Carlos Vilagrán).

Viva a 7ª B

Apesar do que falam sobre polêmicas no filme, ele não é tão agressivo quanto dizem por aí. É genuinamente engraçado e sim, tive momentos que eu estava gritando de rir no cinema, lembrando com uma certa nostalgia deturpada meus próprios tempos de colégio onde eu e meus amigos vivíamos pela baderna. Era errado? Absolutamente. Bullying é um comportamento atroz, desrespeitar o professor é uma atitude errada e depredar o colégio é um ato de vandalismo. Concordo com tudo isso, eu também estou aqui com você no futuro, meu caro leitor. Mas confesso que no fundo da minha cabeça, o Doktor Bruce de 14 anos estava assistindo o longa e se mijando de rir.

Mas e o Danilo Gentili?

Olha, preciso ser sincero. Eu sei que isto vai chocar algumas pessoas, já que em pleno 2017 é lei você ter uma opinião super extremista sobre tudo, mas lá vai: eu não acho ele tão polêmico assim. Eu entendo que ele assumiu algumas posições políticas que cutucam os nervos de parte do público e que ele já arrumou problemas com figuras públicas, mas não quero gastar mais tempo que o necessário oferecendo minha opinião sobre o estado atual da comédia nacional (falta objetividade na hora de criticar os artistas) e os limites do humor (como alguém que cresceu com South Park, é difícil achar um).

Quer dizer que minha “apatia” sobre o tema Gentili pode não ter induzido um senso de preocupação sobre os temas abordados no filme? Ou será que isto oferece uma análise mais objetiva sobre os elementos controversos da trama? Ou será que, por ter mais de trinta anos e ser uma relíquia de um tempo que não existe mais, eu ter achado divertido relembrar os tempos de anarquia deturpada pubescente? Talvez Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola não seja um filme que “conversa” com os mais jovens, ele tem anacronismos bizarros (como ler uma Playboy escondida no livro de matemática) que faz sentido para o pessoal mais ancião (tipo eu aqui).

Mas e a polêmica?

Eu observei algumas “críticas” alheias sobre as piadas pesadas e as apologias ao bullying. Sim, o filme mostra os dois alunos virando dois monstrinhos, mas seria uma hipocrisia, do tamanho de uma piada de mãe gorda, ignorar que de fato isso rolava. O filme pode até ter errado ao vangloriar isso, mas quem aos 14 anos não fez exatamente a mesma coisa?

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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