[CRÍTICA] A 5ª Onda – “Jogos Divergentes: Correr ou Amanhecer Parte 2”

A 5ª Onda conta a história de uma garota que precisa sobreviver a uma invasão alienígena A esta altura do campeonato você já está careca de saber como funcionam...

A 5ª Onda conta a história de uma garota
que precisa sobreviver a uma invasão alienígena


a-5a-onda-chloe-grace-moretz-posterA esta altura do campeonato você já está careca de saber como funcionam estas adaptações de livro teen. Nossa protagonista vive em um futuro distópico que funciona estranhamente com regras de colegial e acaba se tornando o ponto focal de uma série de ações, que trarão a queda do regime tirânico controlado pelos atores mais talentosos que conseguiram contratar. Apesar de não ter nenhuma característica muito especial ou personalidade marcante, ela sempre termina no meio de um triângulo amoroso, entre um cara bonitão competente em tudo e o cara meio bobo que não serve para nada mas que tem bom coração. A 5ª Onda é basicamente isso.

Cassie Sullivan (Chloë Grace Moretz) é a sua típica garota do colegial que vive uma vida normal com seus amigos quando a Terra sofre uma invasão alienígena. O ataque é uma grande prova que alguma civilização recebeu todas as transmissões da Terra. Primeiro chega uma nave enorme que paira sobre o planeta sem fazer nada que nem Distrito 9 (2009). Depois, começam as ondas de ataque, a primeira inspirada em O Dia Que A Terra Parou (2008), seguido por 2012 (2009), um Guerra dos Mundos (2005) ao contrário até chegar na quarta onda: uma mistura de Invasores de Corpos (1978) e A Hospedeira (2013).

Depois de todo esse furdúncio, não restou muito da humanidade e Cassie, junto com seu pai e seu irmão, vão viver em um acampamento no meio do mato com outros sobreviventes que conseguiram fugir das ondas. Um dia, o exército americano chega e informa que em breve acontecerá mais uma onda…

… e que ele precisará das crianças presentes para treinar um novo exército. O porquê de simplesmente não usarem os adultos é vagamente explicado, mas não convence. Cassie é separada de seu irmão graças a um dos clichês mais irritantes do cinema, o “eu esqueci meu ursinho de pelúcia, você precisa voltar lá e buscar”. A partir daí, o longa divide em duas tramas: o exército de crianças sendo treinado e Cassie fazendo a longa caminhada até a base militar. No caminho, conhece Evan Walker (Alex Roe), o impossivelmente capacitado super-sobrevivente bonitão que imediatamente se apaixona pela protagonista porque… motivos.

A 5ª Onda é um filme surpreendentemente genérico e só ganha algum mérito pelo talento de sua protagonista. Chloë Grace Moretz tem carisma e capacidade de sobra para conseguir carregar cenas sem diálogo ou companhia somente de sua presença. Estas são as melhores partes do filme e oferecem um vislumbre de um longa muito melhor, se fosse inteiramente dedicado a acompanhar a jornada solitária de uma sobrevivente de uma catástrofe. Sozinha, ela é obrigada a encarar desafios, tomar decisões difíceis e aprender a sobreviver na marra… Quando ela volta a interagir com outros personagens, aí que o filme desce por água abaixo.

Naturalmente, como manda as leis de Hollywood, os melhores e mais velhos atores são relegados ao trabalho ingrato de ser a presença ambígua que trará a reviravolta do terceiro ato. Liev Schreiber, no papel do Coronel Vosch, entrega uma atuação um pouco sonolenta e sem grandes cenas, porém Maria Bello, no papel da Sargento Reznik, merece mais atenção por trazer uma performance intensa e mais interessante.

A direção é simples e a falta de elementos visuais impressionantes não desviam a atenção dos rombos no roteiro, a trama previsível e dos personagens unidimensionais que habitam este universo. Os humanos dominados por alienígenas apresentam super força, velocidade e habilidades incríveis de combate, menos quando é conveniente que eles sejam facilmente derrotados, aí até uma criança de 10 anos consegue derrubá-los com um leve tabefe na nuca.

Vale a pena? Com certeza existe um público para o longa, afinal, filmes de distopia teen estão a todo vapor dominando as bilheterias mundiais. 

E como manda a regra, a continuação provavelmente vai ter mais orçamento. Quem sabe né? O longa estreia dia 21 de Janeiro no Brasil.

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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