[CRÍTICA] A Colina Escarlate – Um romance em uma história de fantasmas

A Colina Escarlate conta a história de um romance gótico sobrenatural Guillermo del Toro sabe muito bem explorar e reinventar seus gêneros de cinema favoritos. Em A Colina Escarlate,...

A Colina Escarlate conta a história de um romance gótico sobrenatural

colina-escarlate-crimsom-peak-guillermo-del-toro-jessica-chastain-mia-wasiskowa-tom-hiddleston-charlie-hunnan-02Guillermo del Toro sabe muito bem explorar e reinventar seus gêneros de cinema favoritos. Em A Colina Escarlate, o diretor faz uma homenagem aos filmes de terror da britânica Hammer e os filmes baseados na obra de Edgar Allen Poe produzidos por Roger Corman. O longa, situado no século 19, conta a história da americana Edith Cushing (Mia Wasiskowa), uma garota-independente-para-os-padrões-da-época-porque-usa-óculos-e-quer-ser-escritora™ que é assombrada pelo fantasma da mãe. Ela morreu quando Edith era jovem e periodicamente surge para a filha e em tom profético, fala para ela ficar longe da misteriosa “Colina Escarlate”.

Edith se apaixona por Sir Thomas Sharpe (Tom Hiddleston) um nobre britânico que vai para os EUA em busca de financiamento para uma escavadeira a vapor. A fortuna da família Sharpe vem da argila vermelha localizada no subterrâneo de sua mansão. O casal rapidamente se casa e Edith vai morar em Allerdale Hall, a casa ancestral dos Sharpe junto com Thomas e sua irmã Lucille (Jessica Chastain). Enquanto explora sua nova e desolada moradia, Edith é assombrada por diversos fantasmas que aos poucos revelam o mistério por trás de suas mortes e o passado macabro dos irmãos Sharpe.

Como sempre, o filme chama atenção pelo visual. Adderdale Hall é desolador, uma gigantesca mansão destruída que gradualmente afunda na lama escarlate que deu aos Sharpe suas riquezas. Os fantasmas, eternamente atormentados pelo ato que os ceifou a vida são trágicos, não assustadores, afinal, por trás deste disfarce de filme de terror, há uma tragédia romântica que estaria confortável entre as obras de Mary Shelly e até H.P. Lovecraft.

Infelizmente, sutileza nunca foi o forte de Del Toro, e toda a fantasia e visual de A Colina Escarlate é contrastado por personagens muito simples e previsíveis. No início já é possível desvendar todo o mistério por trás de Thomas e Lucille (que é bem óbvio por sinal), o que está por trás dos fantasmas e o inevitável resgate de Edith por seu grande amor e versão zero calorias do Dr. Van Helsing, o Dr. McMichael (Charlie Hunnam). Basta esperar o filme vagarosamente alcançar as conclusões da audiência.

Hiddleston e Chastain oferecem atuações memoráveis (apesar dela, assim como Hunnam, terem uma dificuldade considerável em decidir qual sotaque manter na hora de falar). Wasiskowa no papel de Edith é aceitável, mas o peso do protagonismo força as capacidades da atriz ao máximo e lhe falta carisma para causar algum tipo de empatia com sua trama.

No final das contas, A Colina Escarlate tem muitas qualidades de um filme de Guillermo del Toro, mas não suficientes para colocar o filme entre suas melhores obras. O filme estreia no Brasil dia 15 de Outubro.

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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