[CRÍTICA] A Escolha – O “inédito” filme inspirado na “obra” de Nicholas Sparks

É possível continuar a escrever clichês, adaptá-los e ainda lucrar com isso? Para Nicholas Sparks sim. As suas adaptações continuam, logo há algo em como ele conta suas histórias. A...

É possível continuar a escrever clichês, adaptá-los e ainda lucrar com isso?

a-escolha-nicholas-sparks-03Para Nicholas Sparks sim. As suas adaptações continuam, logo há algo em como ele conta suas histórias. A Escolha é a 11ª adaptação (mais uma) de Sparks, dirigido por Rozz Katz e com roteiro de Bryan Sipe. No filme, vemos um reaproveitamento medíocre de todos clichês da “marca Sparks”: a mocinha de boa posição social, o mocinho mais descompromissado (e sem blusa em algum momento), as paisagens da Carolina do Norte (EUA) e o romance (rápido, trágico e adolescente).

A mocinha da vez é Gabby Holland (Teresa Palmer), uma estudante de medicina, extremamente dedicada, que aluga uma casa perto da praia. Em uma noite, tem seus estudos interrompidos pela música alta vindo da casa ao lado. Além do primeiro contato “casual”, sua cadela indica que está prenha e isso se torna o principal motivo para procurar seu vizinho Travis Shaw (Benjamin Walker).

Shaw, obviamente, é o mocinho. Um veterinário da cidade que possui um cão que vive solto – e provável pai dos filhos da cadela de Holland. Ele trabalha com o pai, tem uma vida de playboy e vive sem ter encontrado um grande amor. No primeiro momento em que se olham o desenrolar previsível é fatal – Segure o choro, sabemos que “fatal” é uma característica típica das “obras” de Sparks. Como nada é fácil em seus enredos, Gabby está noiva de Dr. Ryan McCarthy (Tom Welling), e no momento que ele precisa sair da cidade, Shaw e ela acabam se relacionando. E adivinha o que eles vão fazer? Passear de BARCO! Ambos resolvem a tensão sexual no ar de forma extremamente rápida. E sim, os cachorros são os responsáveis por esta mágica e zero surpreendente conexão.

A melhor comparação para esse romance na verdade seria: dois adolescentes que atraem-se inevitavelmente e precisam viver cada segundo desse novo amor. (E voltamos para o roteiro de Malhação…) Não daremos spoilers mas, como todo filme baseado nos livros de Sparks, já se sabe que há chuva (e beijo na chuva) e alguém sofre – seja por câncer, acidentes naturais ou rodoviários.

Voltando ao passeio de barco…

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Uma Carta de Amor (1999)

Diário de uma Paixão (2004)

Diário de uma Paixão (2004)

Um Homem de Sorte (2012)

Um Homem de Sorte (2012)

Um Porto Seguro (2013)

Um Porto Seguro (2013)

A Escolha (2015)

A Escolha (2015)

Há diversos personagens secundários, entre eles um caso de Shaw, sua irmã, seus amigos mais próximos, mas em nenhum momento eles agregam valor ou fazem diferença no enredo. São quase como as belas paisagens que aparecem ao fundo, distantes, sem interferência significativa, muito menos na história individual. O que torna mais cansativo assistir o filme.

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Sim dog, também cansei….

A permanência em tratar antigos padrões e conceitos por parte de Sparks é desnecessária e incoerente. Todos vivem neste século mas tomam decisões similares a 1920. Só faltou o pai de Gabby casá-la obrigada com seu noivo sem ela desejar. Para agravar a situação, ela é mostrada inicialmente como uma mulher determinada, autônoma e apaixonada pelo que faz, e quando se apaixona, isso desaparece – sem nenhum sentido. Ela se volta para o desejo de construir família e abre mão da profissão. Agora não há problemas, não há mais aquela profissional independente e estudiosa, só há o amor. Aliás, Sparks nem se esforça para que outros tipos de famílias apareçam nesse contexto. Todos estão em um comercial americano da década de 1950, e Sparks aplica sua receita de bolo até o final. É incrível como ele usa da mesma fórmula, e ainda assim, atrai o interesse em uma história com recursos pobres. Além do mesmo perfil de personagens.

Katz e Sipe não fazem um trabalho melhor ou pior que a obra original, ambos apresentam um filme sem muitos desafios. Não há convencimento do conflito criado (mesmo que apelativo) e muito menos profundidade nos personagens. Acreditamos que a melhor parte do filme são os cães. Grandes atuações e participações dignas. A única escolha que recomendaríamos seria de não assistir a mais essa adaptação. O filme já está em cartaz nos cinemas. 

Até a próxima adaptação (ou não).

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