A Favorita crítica filme 2018

CRÍTICA | A Favorita – Ah se as paredes do palácio falassem….

Corte, Rainha louca, mulheres apaixonadas e muitas fofocas

Se tem uma coisa que nós amamos é um bom babado de época. Em A Favorita, voltamos para o século 18 onde a Rainha Anne era incontrolável e tinha uma amante ainda mais louca 

Inspirado em “fofocas da corte”, A Favorita chega nos cinemas para abalar a estrutura dos espectadores. Intenso, sexual e feminino, o longa é baseado na era da Rainha Anne, que reinou a Grã Bretanha entre 1707 e 1714, durante as guerras da Inglaterra contra a França. Ela era casada com Príncipe George da Dinamarca e conhecida por ter um temperamento descontrolado, dar gritos e ordens pelo palácio, por ter tido 17 abortos/perdas de filhos e por, supostamente, ter um romance com Lady Sarah Churchill – Duquesa de Marlborough, que governava em seu lugar quando Anne estava mais fragilizada de saúde.

A trama

O filme foca no seu relacionamento com Sarah (Rachel Weisz), não traz o marido de Anne (Olivia Colman) para a trama – que estava vivo durante seu reinado – e romantiza o que rolava entre as quatro paredes do quarto da Rainha. Apresentado como uma comédia dramática, A Favorita é uma leitura do famoso “quem conta um conto, aumenta um ponto” e leva para a tela um novelão do “disse me disse” que rolava nos bastidores do palácio.

Aqui, Anne comanda a guerra contra a França enquanto lida com suas crises de gota e com as atitudes da maléfica Lady Marlborough, que não concorda com as decisões da rainha sobre a guerra e a manipula para atender os interesses de seu marido e capitão general das forças britânicas, enquanto tenta derrubar o atual primeiro ministro.

Entre tapas e beijos, a corte é segundo plano o tempo todo. Os momentos de tensão acontecem no quarto da rainha e nas passagens secretas entre aposentos das duas. Lady Marlborough é terrível. Ela consegue controlar o humor de Anne enquanto homens trabalham as estratégias de conquistas em campo. Além disso, todos a temem, já que Sarah consegue mudar as ideias de Anne com uma simples “massagem”.

A problemática

Um belo dia chega à corte a jovem Abigail Masham (Emma Stone), prima distante de Sarah. Bela e inteligente, ela está disposta a fazer qualquer coisa para subir de patamar dentro do palácio e conquistar a atenção da Rainha. Com dotes peculiares e um humor ácido, Abigail também sabe tramar como ninguém e logo saca que, para alcançar uma posição de riqueza, ela precisará tirar Sarah do seu caminho.

Óbvio que a rainha se afeiçoa por Abigail e a briga pela A Favorita é travada. Lady Marlborough ainda é mais sagaz, porém Abigail tem mais criatividade para criar situações onde a Rainha lhe dê mais atenção.

Enquanto acompanhamos os ricos e sarcásticos diálogos entre as primas, A Favorita traz para a trama elementos corriqueiros de um reinado do século 18 levemente ridicularizados. O que garante o lado cômico de um roteiro que parece que foi escrito para ser uma peça de teatro. Cenas de treino de tiro, danças nos bailes, momentos de flerte entre figuras do palácio, funcionários de base, roupas, acessórios e monarcas jogando cartas e bebendo para passar o tempo, ganham versões satirizadas e exageradas. Bem para mostrar o quanto a vida no palácio era fútil e não agregava em nada.

Funciona?

Sim! Como dissemos, é um novelão! No final do dia você quer saber quem vai faturar a rainha, apenas. Não existe um aprofundamento histórico, os roteiristas tomam liberdades criativas em cima dos fatos da época, os diálogos e piadas chegam a ser modernos demais e a trama central se assemelha com o clima que temos em Maria Antonieta (2006) de Sofia Coppola.

A direção do grego Yórgos Lánthimos é competente, brinca bastante com os ambientes da corte e nos coloca, muitas vezes, como observadores da história via um “olho mágico”, como se estivéssemos espionando o quarto da rainha. É bem legal.

E no meio de tudo isso, temos Olivia Colman que merece todos os destaques nas premiações por sua atuação e Rachel Weisz é tão detestável que fica impossível não amá-la. Mas como dissemos, é um filme feminino e sensual, que cria uma história de emponderamento dentro da corte e que nós sabemos que as coisas não eram bem assim. A Favorita vem para chamar a atenção da crítica criando uma leitura que favorece o papel da mulher, posicionando o filme no TOP 5 dos longas “chora Oscar”. Mesmo assim é uma produção de qualidade e que diverte.

A Favorita estreia dia 24 de janeiro nos cinemas. Tem cenas fortes. Os pudicos devem ficar em casa.

Küsses,

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Nota:
8.5
Nota:
O bom
  • Olivia Colman é um monstro atuando! Ela encarna a Rainha MUITO bem e cria uma personagem incrível!
  • Tem uma piada com "Dirty Sanchez", um fetiche sexual bem peculiar..... Procurem no google qualquer coisa.
  • É ousado e picante.
O ruim
  • Não achamos a atuação de Emma Stone tudo isso, mas a atriz encara cenas bem peculiares de forma natural....
  • Muitas piadas moderninhas, mas nada que estrague a experiência.
  • Direção
    8
  • Roteiro
    7
  • Eleco
    9
  • Produção / Fotografia / Figurino
    10
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