[CRÍTICA] A Garota Dinamarquesa – Um dos passos para a liberdade sexual

Prepare-se para uma imersão em um árduo relato de amor próprio com A Garota Dinamarquesa A Garota Dinamarquesa é um daqueles filmes que fazem as pessoas torcerem o nariz....

Prepare-se para uma imersão em um árduo relato
de amor próprio com A Garota Dinamarquesa

a-garota-dinamarquesa-universal-pictures-01A Garota Dinamarquesa é um daqueles filmes que fazem as pessoas torcerem o nariz. Com uma premissa polêmica – transexualidade -, o longa tece uma trama baseada em fatos reais que resulta em um filme envolvente. De cara, conhecemos um casal super fofo, sim, não há outro adjetivo para falar de Einer Wegener (Eddie Redmayne) e Gerda Wegener (Alicia Vinkander). Ainda profundamente apaixonados após seis anos de união, os pintores levam uma vida boa e estão sempre em busca de inspirações para seus quadros. Viajamos para uma Dinamarca da década de 1920, e Einer e Gerda protagonizam uma história de amor e de liberdade sexual. 

Einer é um artista que sabe pintar o tom certo da melancolia em suas paisagens realistas, o que reflete sua personalidade mais introspectiva e tímida. Sua esposa é o ponto de euforia e animação dentro da relação do casal. Gerda está a procura de uma galeria para expor seus retratos de mulheres, mas ainda lhe falta alguma inspiração. É neste momento que ela pede ao seu marido para vestir meias e um sapato para finalizar um quadro de Ulla (Amber Heard), uma bailarina amiga do casal. Einer sente nas mãos toque macio dos fios de uma meia e começa a procurar uma explicação para seus sentimentos e desejos. É neste momento que, ainda sem saber, Gerda liberta Lili Elbe, ainda tratada como dupla personalidade e uma fantasia de Einer. Até o momento onde Einer deixa de ser Einer, para dar vida à Lili. 

O longa foca em mostrar parte do doloroso processo de Einer se transformar em Lili. Ele se submete à diversos médicos para compreender, inicialmente, sua homossexualidade, tratada na época como “doença”,”condição” e até mesmo “esquizofrenia”. Todas as reações negativas dos especialistas confundem ainda mais a cabeça de Einer/Lili e fomentam uma ânsia pelo o que o instinto de pintor quer: o de ser uma mulher

Gerda é uma mulher fascinante. Talvez pela sua bissexualidade, ou até mesmo lesbianismo, mas principalmente por ter sido a pessoa que trouxe Lili a tona. Em peculiares cenas, a mudança de comportamento sexual do casal é muito bem retratada e, ainda assim, de forma sutil. Um ponto positivo ao diretor Tom Hooper que soube por em cena, em diversas facetas, a homossexualidade como algo humano. O filme é assertivo ao tratar os preconceitos da época, a intimidade do casal e as confusões psicológicas de Einer/Lili. Algo que, ainda hoje, muitas pessoas sofrem. A Garota Dinamarquesa surge como uma versão cinematográfica de apoio à uma classe que ainda luta pela inclusão social. 

Lili Elbe foi uma figura importante para a época, ela não só se aceitou como mulher, como se submeteu à cinco cirurgias para a mudança de sexo. Nascida em 28 de Dezembro de 1882, ainda como Einer, se casou aos 21 anos e teve todo o apoio de Gerda para se transformar em Lili. Faleceu por consequências pós-operatórias após uma cirurgia de transplante de útero. No longa, tais etapas para concluir a mudança de sexo são omitidas. Outro ponto: Gerda era uma ilustradora erótica de figuras femininas, ficou famosa por uma galeria de pinturas chamada Arte Erótica Lésbica e isto nem é mencionado no filme. Há um trabalho de roteiro e direção para expor a bissexualidade de Gerda, mas o longa se foca em Lili e sua jornada. Estas omissões não comprometem a película, mas acaba por tornar o projeto mais em uma “história de amor “do que em uma “biografia”. 

A Garota Dinamarquesa tem uma boa trilha sonora assinada pelo francês Alexandre Desplat, apesar de ser absurdamente parecida com a trilha de O Jogo da Imitação, também feita por Desplat. Eddie Redmayne de fato dá um show! Sua mudança de Einer para Lili é impressionante e faz jus à indicação ao Oscar® 2016, de Melhor Ator. É Leo, está cada vez mais difícil para você e o urso de O Regresso. Alicia Vinkander ganha força na tela e comprova, mais uma vez, que é uma atriz em acensão. Outro destaque é Matthias Schoenaerts que interpreta um amigo do casal, Hans Axgil, um suporte emocional muito importante para a trama e seus personagens. 

Este inspirador romance chega aos cinemas nacionais dia 11 de fevereiro e merece toda a sua atenção. A Garota Dinamarquesa é um filme baseado no romance homônimo de David Ebershoff e inspirado na vida das pintoras Lili e Gerda. Com uma mensagem muito sólida sobre amor próprio e auto aceitação, o filme provoca reações nos expectadores e entra para o hall dos longas de temáticas homossexuais que devem ser vistos e revistos. É bom ver que Hollywood está expandindo e reconhecendo obras como esta. 

Küsses,

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Tatá Snow

“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

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