[CRÍTICA] A Invocação do Mal 2: terror e tensão nas medidas certas

Existe uma crença de que o segundo filme não é tão bom quanto o primeiro. Repense! Bom roteiro e atuações marcam essa continuação James Wan está de parabéns. Depois...

Existe uma crença de que o segundo filme
não é tão bom quanto o primeiro.
Repense!
Bom roteiro e atuações marcam essa continuação

invocaca-do-mal-2-critica-freakpop-1James Wan está de parabéns. Depois de entregar um ótimo trabalho e produto em A Invocação do Mal (2013), a sequência é até melhor. O que é um alívio, visto que a regra costuma ser o contrário: o segundo filme nunca é tão bom quanto o primeiro. Ou sequer bom.

Na nova trama do casal Warren (Patrick Wilson e Vera Farmiga) o roteiro é primoroso, as atuações são muito bem estruturadas, a edição e fotografia estão de parabéns. Não é a toa que, após o término, aplausos podiam ser ouvidos no cinema.

O filme já abre com a investigação mais famosa do casal de demonologistas: Amityville, onde o mais velho dos filhos DeFeo mata a tiros a família toda, se entrega para a polícia e insiste que foi dominado por forças maléficas que o forçaram a isso. Lorraine protagoniza, logo de cara, uma das melhores cenas do filme todo ao investigar se realmente a casa era mal assombrada. Em uma sincronia bem arquitetada, a médium revive os eventos que antecedem a famosa fuga da família Lutz e tem uma premonição que pautará seu comportamento ao longo do filme.

O estilo “casa mal assombrada” pode ser batido, pode estar saturado no gênero, mas ao se tratar de Ed e Lorraine Warren faz todo sentido (era com o que mais eles trabalhavam na vida real). E Wan brinca com os clichês de maneira sutil e com amarração coerente. Ou seja: isso não afeta o ritmo da produção. E dica: talvez não seja exatamente a casa que é mal assombrada…

A pequena Janet Hodgson (Madison Wolfe) mora com sua mãe (Frances O’Connor) e seus irmãos: Margareth, Johnny e Billy. Em uma chuvosa Inglaterra da década de 1970, Janet apresenta alguns sintomas cruéis: levita, acorda em cômodos estranhos na casa, fala com uma voz bizarra e vê um espírito maligno. Ao contrário da corrente dos filmes de terror, os adultos acreditam na criança, vivenciam com ela os problemas e recorrem à Igreja. Mas não espere um padre benzendo a casa e dizendo o quanto a energia é carregada. Ao invés disso chamam os Warren e a trama se consolida em momentos de tensão bem construídos e sustos posicionados.

O roteiro é incrível, só peca um pouco no ritmo do primeiro ato para o segundo. Com uma “pequena” extensão e momentos prolongados de tensão, algumas pessoas podem se incomodar.

Com A Invocação do Mal 2, é bem capaz de que o casal Ed e Lorraine se consolidem nas telonas, onde mais de suas investigações possam ser exploradas.

Wan dá a pitada certa de terror e tensão (salvo aquela esticada básica, que não chega a prejudicar o andamento do filme mas, novamente, algumas pessoas podem se incomodar com o clima de tensão proposto), consegue deixar o espectador na ponta da poltrona de ansiedade, mordendo as mãos. E olha, isso é um tremendo elogio, já que na última década os filmes de terror estão bem mais ou menos.

Madison Wolfe está ótima, com uma atuação crível e inteligente. Terror com crianças normalmente são mais densos e Madison não deixa por menos. As quatro, na verdade, se mostram corajosas na medida do possível, mas no mundo real as crianças gritariam muito mais cedo “manheeee” do que os protagonistas de A Invocação do Mal 2.

Inspirações:

Lembra quando falamos de clichês lá em cima? Sejamos polêmicos agora: onde está o clichê e quando começa a inspiração? Há elementos clássicos do filme Poltergaist que definem uma linha respeitosa dos clássicos do terror nesse longa. A ambientação também remete às produções da própria década em que o filme se passa: 1970. Tensão e suspenses em um crescente que não necessariamente vão terminar num susto, o que tira a obviedade do gênero desde idos de 2000. O próprio ritmo, que pode ser criticado por uns, é bem típico daquela época, onde usavam mais o tempo de tela em boas construções de história para um desenvolvimento fluído, do que agilizar e entregar na lata tudo, sem tensão, só com facas voando pela cozinha, uma possessão, exorcismo e pronto! Acabou.

Existem elementos básicos para a construção de um bom terror, principalmente quando o palco envolve uma casa e assombrações. É a típica receita, o passo a passo que todos os filmes precisam ter. Uma linha central que desenrola a trama. A linha, talvez, seja praticamente a mesma para todos dentro de determinado gênero. Então, qual o motivo de repelir tão veementemente os ditos clichês, que nada mais são do que elementos definitivos de tal segmento?

Olha a polêmica: os clichês são necessários para o desenvolvimento e reconhecimento de um enredo. Quem nunca assistiu a um filme onde não soube bater o martelo quanto ao seu gênero? É suspense, é terror, é trash, é drama? O entrelaçar de tantas ofertas cinematográficas faz com que os tipos se confundam e confundam o espectador. Os clichês atuam como marcadores de gênero que ajudam o desenrolar de uma história dentro de um tema proposto. E o terror vira terror, o romance é romance e drama, sem sombra de dúvida, é drama.

Onde reside a maior dificuldade: lidar com esses elementos de uma maneira criativa, mascarar o “já usaram isso” para “já vi isso antes” de forma sutil, que agregue. Existem verdadeiros gênios do cinema que criaram técnicas que são exaustivamente reproduzidas por novos diretores, ano após ano. E falam mal disso? Fazendo bem feito, não tem por quê. O mesmo se aplica aos clichês.

James Wan lida muito bem e traz um terror de qualidade, sem furos expressivos no roteiro. Tudo caminha para a A Invocação do Mal 3, além de Annabelle 2 onde, oremos, seja mais Warren e menos origem.

Prepare a pipoca e garanta seu ingresso para A Invocação do Mal 2. Um tempo bem investido em um terror de qualidade!

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