[CRÍTICA] A Lenda de Tarzan – Macacos me mordam!

A Lenda de Tarzan ressuscita o personagem para uma nova geração No final do século 19, a Europa, em uma extremamente questionável missão de redefinir o conceito mais absurdo...

A Lenda de Tarzan ressuscita o personagem
para uma nova geração

the-legend-of-tarzan-warner-Alexander-Skarsgard-poster-01No final do século 19, a Europa, em uma extremamente questionável missão de redefinir o conceito mais absurdo de racismo, decidiu dividir a África como uma pizza e – como já é tradição quando europeus infestam o continente africano – oprimir e, em geral, transformar em um inferno a vida da população local. Este neocolonialismo despertou um fascínio literário por intrépidos exploradores da selva e animais exóticos. Inspirado pela magia deste lugar (e “inspirado” por Mogli de Rudyard Kipling), Edgar Rice Burroughs – no começo do século 20 – criou Tarzan. Mesmo rejeitado pela crítica, as aventuras do homem criado por gorilas conquistou diversas gerações, apesar de muito de sua composição se tornar cada vez mais inadequada para tempos cada vez mais progressivos. De cara, já existe um monumental desafio para trazer às telas, em pleno 2016, a história de um homem branco e infalível que reina em absoluto o continente africano. A Lenda de Tarzan é a mais nova verão do herói para as telas.

Trazendo elementos já conhecidos da trama para eventos históricos reais, A Lenda de Tarzan começa oito anos depois da volta do personagem (Alexander Skarsgård) para a Inglaterra. Já casado com Jane (Margot Robbie) e vivendo como John Clayton da casa Greystoke, ele se tornou uma espécie de celebridade graças a sua fantástica história. Em paralelo, o Rei Leopoldo da Bélgica toma controle da colônia do Congo, mas beira a falência em tentativas de ganhar dinheiro no país. Ele envia Léon Rom (Christoph Waltz) para barganhar com a tribo de Opar e conseguir sua gigantesca reserva de diamantes. O líder da tribo (Djimon Hounsou) é jurado de vingança contra Tarzan e só concorda com a troca caso Rom traga John Clayton para o Congo. Junto a tudo isso, George Washington Williams (Samuel L. Jackson) pede a ajuda do herói para investigar acusações de escravidão e opressão na colônia.

A trama tem uma premissa complexa, mas o restante do enredo é bastante direto e simples. Tarzan reata seus laços com as tribos e os animais e com sua ajuda, derrota o vilão. O roteiro toma bastante cuidado para não tornar o protagonista a grande salvação e o “salvador branco”, mostrando que ele é um igual entre os demais africanos e sua capacidade de controlar e interagir com animais vem de sua existência como uma criança feral e não de nenhuma pressuposta superioridade racial. Skarsgård interpreta um Tarzan que habita dois mundos. Na sociedade britânica se mantém reservado e fala pouco. Sozinho, regride a comportamentos ferais. Robbie não tem muito o que fazer como Jane além de ficar sentada esperando ser resgatada. O filme flerta com a ideia de não considerá-la uma “donzela em apuros”, pois enfrenta sem medo seus inimigos… mesmo passando boa parte do filme acorrentada.

A direção de David Yates não ajuda muito A Lenda de Tarzan. Apesar dos belos ambientes, o diretor insiste em manter a câmera a um palmo da cara dos atores e não parece muito interessado em enquadrar cenas de ação de uma forma coerente. Parte do passado do personagem é revelado por meio de flashbacks e o diretor, de forma muito caridosa com os editores, faz os atores pararem e olharem para o horizonte com expressão de novela mexicana antes de lembrar algum elemento crucial do passado. A fotografia que alterna entre cinza “BvS” e sépia Instagram também drenam o apelo visual do longa.

Mesmo assim, ao ignorar a direção francamente questionável de Yates, é possível se encantar pelo senso de aventura de A Lenda de Tarzan e dá para entender porque o homem da selva é um personagem tão duradouro no consciente coletivo e um grande ícone da cultura pop. Assim como outros heróis criados em tempos passados, como James Bond, nem toda a polêmica de seu tempo pode ser completamente eliminada, mas seu apelo e carisma continuam fascinantes.

Vale a pena? A Lenda de Tarzan é um filme divertido e uma aventura honesta com um roteiro surpreendentemente inteligente para um blockbuster de meio de ano. Recomendado.

O longa estreia dia 21 de julho nos cinemas.

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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