[CRÍTICA] A Maldição da Floresta – um thriller no centro do folclore irlandês

Está na hora de curtir um terror básico com criaturas na floresta, com mitos típicos irlandeses. Diferente? Também achamos A Maldição da Floresta. O nome pode não ser mais...

Está na hora de curtir um terror básico com criaturas na floresta, com mitos típicos irlandeses. Diferente? Também achamos

a-maldicao-da-floresta-critica-1A Maldição da Floresta. O nome pode não ser mais desfavorável. É genérico, sem graça e entrega o que muitos filmes de terror já fizeram antes: takes sombrios em uma floresta densa com vilões que ninguém vê muito bem. O diferencial desse? A dica está no título.

O filme já começa discutindo a privatização das florestas europeias e a resistência na Irlanda ao querer fazer o mesmo por lá. Com a crise que assola o mundo há uns anos, a saída de muitos é simplesmente vender acres de terra, ricos em madeira e vegetação, para tentar sobreviver. Adam (Joseph Mawle) é um “doutor das árvores”, contratado para diagnosticar e separar as árvores boas das ruins em uma remota floresta na Irlanda, e se muda para uma casa antiga com a esposa Clare (Bojana Novakovic) e seu bebê Finn.

Adam perambula na floresta com o bebê a tiracolo enquanto Clare tenta colocar a casa em ordem e acalmar os ânimos do vizinho Colm (Michael McElhatton), que insiste para Adam não perturbar a floresta e seus escuros habitantes. “Mexa com eles e eles mexerão com você”. Óbvio que o moço da cidade grande deu de ombros e simplesmente ignorou todos os avisos e continua a entrar na floresta com o filho, atiçando seja lá o que estiver se escondendo entre as folhagens.

Depois de uns dias a situação piora e, naquele ambiente opressor longínquo, a família começa a ser atacada por forças misteriosas. Nisso, descobrimos que Colm tenta a todo custo alertá-los por ter perdido sua filha para a floresta, mas até onde chegaria para assustá-los e mantê-los longe de lá? Em meio a desconfianças e tensões, percebemos que toda a cidade compartilha da crença de Colm, sendo algo como a nossa Caipora e o Boto: um folclore.

Adam descobre um parasita gosmento em uma de suas excursões e, logo, o filme todo é tomado por ele, deixando poucas alternativas de salvação. Para tal, é preciso entender a rede intrincada da fantasia irlandesa e dar um pouco de crédito às fadas, aos changelings (criança trocada), algo muito presente em contos europeus.

Mesmo com um ritmo que demora para engrenar, os ditos takes sombrios já esperados e a isolação do resto da humanidade (virou moda segregar os protagonistas), A Maldição da Floresta é um thriller que agrada e entrega um bom resultado. Bojana não faz mais que gritar e correr, deixando o grosso da atuação para Mawle, que praticamente carrega o filme nas costas. Seu personagem mostra uma miríade de facetas, desde o cara durão até aquele que precisa apanhar para salvar o dia. A fotografia, obviamente, é de arrasar. A Irlanda ainda carrega um pouco de “país velho” em suas locações mais distâncias da efervescente Dublin e sustenta com maestria os medos de um povo supersticioso e crente dos contos de fadas mais tradicionais. Esqueça a versão Disney, as fadas e demais elementos folclóricos podem ser assustadores.

A Maldição da Floresta já está nos cinemas proporcionando um conceito diferente – ao mesmo tempo que é clichê – de terror e suspense, com uma pitada mais alternativa e saindo do comum quando o assunto é vilão.

Boa diversão! E sustos, claro!

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