Clint Eastwood estrela e dirige A Mula, uma história de um velinho simpático que se torna um transportador de drogas. Confira nossa crítica sem spoilers.

CRÍTICA | A Mula

Clint Eastwood estrela e dirige A Mula, uma história de um velinho simpático que se torna um transportador de drogas. Confira nossa crítica sem spoilers....

Baseado em fatos reais, Clint Eastwood se torna um transportador de drogas para o cartel em A Mula

Existem poucas pessoas em Hollywood tão fascinantes quanto Clint Eastwood. Republicano, conservador, mas a favor do desarmamento, vegetariano e praticante de meditação transcendental. Em Sniper Americano, foi acusado de ser militarista, e (como já é de praxe dos revoltados desinformados de plantão), de “fascista”, apesar de ser um estudo sincero sobre o impacto de guerra no psicológico do soldado. Seu western mais icônico, Os Imperdoáveis, é um longo estudo sobre o papel da violência e das armas na sociedade. Um gigantesco contraste de seus tempos de Dirty Harry. Seu projeto mais recente é A Mula, que reúne os melhores elementos desta época do ator e diretor para criar uma experiência estranhamente fascinante.

A Mula

Earl Stone (Eastwood) é um premiado floricultor e veterano da Guerra da Coréia. Ele dedicou sua vida toda às suas flores a ponto de negligenciar sua própria família. Um dia, ele vai à falência e perde sua pequena fazenda. Eventualmente, acaba se tornando uma “mula”, uma pessoa que transporta drogas para os cartéis. Ele é um transportador perfeito, nunca violou uma regra no trânsito, motorista experiente, nunca levou uma multa, além de ser um velhinho de 90 anos bom de papo e simpático com todos.

Cada corrida deixa Earl mais rico e, com isso, ele ajuda seus familiares e amigos a resolver problemas financeiros e se torna um herói para a sua comunidade. Ele burla as tentativas de um agente policial, Colin Bates (Bradley Cooper) de rastrear este misterioso motorista criminoso, já que ele é completamente diferente do esteriótipo. Aos poucos, acompanhamos as enrascadas que Earl vai se metendo em sua nova vida como mula.

A história de alguém

Eastwood, como diretor, sempre teve um fascínio pela história e pelos personagens que existem para conta-la. Longe de diretores como Oliver Stone que aplicam seu próprio senso de moralidade sobre o tema do filme, Clint narra um conto apenas para registrar e entender a trama. Ele confrontou sua própria idade e preconceitos em Gran Torino, em A Conquista da Honra e Cartas de Iwo Jima, ele aborda um conflito da Segunda Guerra Mundial sob ambos os lados do conflito. Aqui, não é diferente. É nítido que o diretor está se divertindo com a premissa do material, até mesmo trazendo uma leveza para seu personagem, algo raro para ele como ator já que ele constantemente parece que come arame farpado no café da manhã.

E mesmo no meio da diversão, o que é mais fascinante é que Eastwood aborda A Mula de uma forma completamente neutra. Earl não é um personagem que deva ser admirado. Seu egocentrismo trouxe décadas de sofrimento para a sua família, suas tendências de bon vivant e sua necessidade quase compulsiva de fazer tudo do seu jeito o coloca em atrito até mesmo com os perigosos criminosos do cartel no qual trabalha. E, mesmo assim, o diretor não está interessado em trazer duras consequências ao protagonista, mas apenas tentar contar sua história e tentar entender porque esse velhinho simpático se envolveria com um emprego tão perigoso.

E este clima pacato e a premissa absurda são ouro puro. O roteiro é imprevisível o suficiente e. apesar dos riscos crescentes, o filme mantém uma leveza que nunca abandona o lado divertido da história. O diretor só fez uma única comédia em Doido para Brigar – Louco para Amar (1978) como ator, mas é surpreendente ver um dos caras mais durões da história do cinema fazendo um velhinho simpático com aquela esperada falta de filtro que só a terceira idade traz.

A Mula estreia 14 de fevereiro nos cinemas brasileiros e merece sua atenção.

Até a próxima!

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Nota
8
Nota
O bom
  • Esse filme ficaria perfeito se ele tivesse um orangutango como co-piloto que nem em Doido para Brigar
O ruim
  • Bradley Cooper entrega uma performance meio sonâmbula.
  • Direção
    8
  • Roteiro
    9
  • Elenco
    7
  • Enredo
    8
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