CRÍTICA | A Primeira Noite de Crime é visceral

A discussão social existente neste filme é de fazer qualquer um se sentir um bosta....

Para iniciar A Primeira Noite de Crime você precisa de um babaca e de um corajoso, além de um governo sabotador

Desde 2013, com o lançamento de Uma Noite de Crime, a franquia leva para os cinemas uma visão do que seria se, durante 12 horas, a sociedade pudesse fazer qualquer coisa sem ser punida. Com metade de um dia onde todos os crimes estão liberados, esta proposta de distopia controlada, já que tem começo, meio e fim, dá o poder das pessoas colocarem seus desejos mais íntimos em prática. Algo como… Se você pudesse matar alguém sem ir preso, você mataria?

Essa discussão proposta em tela, nos leva, por meio de ação e horror, a vivenciar 12h de anarquia e o resultado é marcante. Uma Noite de Crime (2013) se passa em 2022, e os Estados Unidos estão com os menores índices de criminalidade e desemprego já registrados na história do país. Tudo isso graças ao “Expurgo”, noite anual em que todos podem libertar seus instintos assassinos e transgressores. Já em Uma Noite de Crime 2: Anarquia (2014), acompanhamos alguns casos de pessoas se vingando de mortes ocorridas na noite de crime do ano anterior, durante as 12h de liberdade de crime.

Em 12 Horas Para Sobreviver – O Ano da Eleição (2016), uma senadora quer acabar com a noite de crime, que já acontece há quase 20 anos. Aqui, vemos um embate político tomar conta da narrativa em volta de uma personagem que perdeu parentes em uma noite de expurgo e que agora é política. Chegamos então em A Primeira Noite de Crime (2018) onde o início de tudo é apresentado, finalmente.

O começo

Uma organização chamada NFFA (New Founding Fathers of America) faz um grande estudo sociológico e chega a conclusão que a melhor forma de baixar a taxa de criminalidade é liberar a agressão por uma noite. O local escolhido é Staten Island, um dos distritos de Nova York, que é totalmente fechado para a noite de crime.

Os mais ricos, se afastam. Muitos vão embora para outros locais e a região é totalmente cercada pelas autoridades. Existe uma resistência comandada pelos mais pobres e um grande grupo de moradores que não querem que o expurgo aconteça. Do outro lado, os traficantes – responsáveis pela comida e boa vida de muitos da comunidade – precisam defender seus patrimônios daqueles que, por meio da noite de crime, possam tentar tomar conta. Um duelo entre comunidade pobre e criminosos são a base dessa primeira noite. E a NFFA quer mais é ver o circo pegar fogo, já que com a criminalidade liberada, quem sabe os bandidos não sejam eliminados para que Staten Island seja um lugar melhor.

A Primeira Noite de Crime começa e as pessoas estão com medo. Alguns são recrutados pela própria NFFA para expurgarem a noite toda, e em troca receberão dinheiro. Mas quando o período começa, poucos querem brigar e muitos querem apenas se defender.

A sociedade responde se escondendo em igrejas, nas suas casas e fazendo festas de ruas mas, como dissemos, para A Primeira Noite de Crime basta um babaca e um corajoso. Dmitri (Y’Lan Noel) é o chefe do tráfego. Toda a sua estrutura – e estoque de drogas e armas – estão devidamente protegidos por seus capangas. Enquanto isso, Isaiah (Joivan Wade) é recrutado pela NFFA e só aceita o desafio em função da grana e porque ele quer se vingar de um viciado que o machucou na boca.

Dmitri não quer confusão, quer apenas garantir que o seu reinado não seja afetado pela noite de crime. Mas quando um de seus fiéis escudeiros resolve o matar, a criminalidade desenfreada toma conta do filme. Existe um movimento interno entre os bandidos para que um assuma o poder após o expurgo, mas a NFFA não quer deixar isso acontecer e coloca na rua diversos mercenários para matar todo mundo, inclusive quem é do bem.

Vemos então que a própria organização detém sua forma exclusiva de eliminar a criminalidade no local e o resultado disso é repugnante. Basicamente quem sugere o processo social de expurgo tem poder de o executar sem a necessidade de envolvimento da sociedade, seja ela do bem ou do mal.

Reflexão

O que temos em A Primeira Noite de Crime é algo realmente factível. Eles dão o poder de decisão para que a própria sociedade suje suas mãos em prol de uma vida melhor, mas para tal estão dispostos a colocar na rua figuras opressoras e violentas que são anônimas e tão bandidas quanto aqueles que são criminosos.

Aqui neste longa, vemos este embate entre sociedade do bem e do mal e o resultado é impressionante, já que a figura tida como “heroica” no final do filme deixa uma lição moral perturbadora. Para piorar, as atitudes do grupo de mercenários provocam nas pessoas o desejo de justiça e alguns personagens sujam suas mãos pela primeira vez em prol do que é certo…Em um momento onde todos se matam de forma canibal sem pensar nas consequências. No final da história, vemos que qualquer pessoa – independentemente de sua índole e princípios, são capazes de matar.

A Primeira Noite de Crime estreia dia 27 de setembro nos cinemas e é um dos melhores da franquia. A coprodução da Blumhouse é dirigida por Gerard McMurray (Código de Silêncio – Netflix) e tem roteiro de James DeMonaco que também assina o enredo dos filmes anteriores.

Ah, não entenderam quem é o babaca e o corajoso da história? Assista, você vai entender.

Küsses,

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“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

9
O bom
  • O elenco é muito bom.
  • Os vilões da história talvez não sejam os vilões que esperamos.
  • Viver a qualquer preço? Sim!
  • Cenas de ação bem coreografadas.
  • Entenda o lance das máscaras!
O ruim
  • Sair do cinema se sentindo uma bosta...
  • Direção
    9
  • Roteiro
    10
  • Produção/ Fotografia
    8.5
  • Elenco
    8.5
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