CRÍTICA | 3% chega na segunda temporada, mas não melhorou muito

3% ainda é uma série fraca e a segunda temporada teve poucas e esquecíveis melhoras

Segunda temporada de 3% já está disponível na NETFLIX e será que vale a pena?

Senta que lá vem textão. Um Brasil distópico lida com o fato de só 3% da população ter a chance de uma vida melhor. Na primeira temporada, entendemos como funciona o tal “processo” e conhecemos os protagonistas deste movimento separatista de ricos x pobres. Com uma primeira fase “meia a boca”, 3% foi aclamada no exterior e ganhou uma continuação melhorzinha.

Expectativa x Realidade

A segunda temporada começa mostrando para a audiência como estão as pessoas que não passaram no Processo e a nova vida boa de quem foi aprovado. Michele (Bianca Comparato) e Rafael (Rodolfo Valante) se adaptam à nova vida com gadgets e muito conforto, enquanto Joana (Vaneza Oliveira) segue na Causa onde o time monta um plano para o próximo processo: explodir uma bomba na área da seleção.

Mesmo com uma premissa interessante e que, nos primeiros episódios, promete bons momentos de tensão e ação, a série desanda. Boa parte do roteiro se preocupa em mostrar mais de Maralto e uma outra parte quer desbravar a população pobre do continente. E isso é chato pra caramba….

Maralto

A audiência é obrigada a engolir dois grupos de pessoas de Maralto: um que vai pra praia transar loucamente e outro que forma o exército. Estávamos ansiosos para conhecer o estilo de vida em Maralto e como as pessoas lá vivem, mas o tempo em tela é curto e pouco inventivo. Filmes como A Ilha, e qualquer franquia teen, conseguiram ofertar ambientações tecnológicas interessantes para reforçar a distopia, levando ao público a experiência deste futuro. Em 3% sabemos que eles transam loucamente na praia já que todos são operados e não há reprodução.

Já sobre o continente, o clima de mesmice e “eu já assisti isso antes” permeia durante toda a temporada. A série e seus roteiristas não conseguem trazer nada de novo para a temática e ofertam uma versão pobre de um Brasil futurístico vivendo na miséria.

Em um breve momento eles flertam com a ideia de termos um povo unido por suas diferentes crenças, mas claramente atenderam um pedido de um designer de produção para não ter briga e todo o rico visual criado é apagado por um roteirista que não sabe o que está fazendo.

Para piorar, a trama muda de foco quando Michele é enviada para se infiltrar na Causa, enquanto Rafael se torna uma ambígua ameaça.

Continente

Dias antes do próximo Processo, conhecemos a história de Fernando (Michel Gomes) e Gloria (Cynthia Senek). O filho do líder religioso do continente não quer mais que seu pai incentivem os jovens de 20 anos a participarem do Processo. Enquanto isso, ele tenta convencer a Gloria pra ficar de fora, mas a jovem está determinada a participar.

A trama de 3% para e expõe um pseudo-romance insosso enquanto muitos minutos de um episódio são dedicados para uma cena de carnaval de rua/desfile de despedida dos jovens que vão tentar uma vaguinha em Maralto.

Enquanto isso a bomba…

A bomba nada. 3% ainda sofre de estrutura. Cada episódio começa e termina de uma forma, os focos do enredo mudam e a todo instante novos elementos aparecem para complicar, ainda mais, o que está sendo mostrado. Mesmo com uma melhora significante no ritmo e direção, a série ainda sofre por não ter fôlego para atender todas as frentes a que se propõe.

3% quer explorar Maralto, continente, romances, vilões, Causa, Processo, tecnologia e distopia ao mesmo tempo, mas alguém esqueceu de avisar os roteiristas de que isso não ficou claro. É notória a falta de experiência do time de criação.

Vale a pena?

Não! Super entendemos que as pessoas encaram 3% como uma grande avanço no gênero por ser uma produção nacional, mas a lição de casa está sendo feita com ego e não com competência. Mesmo com um orçamento maior, um elenco maior e sucesso, a produção ainda peca por um atores engessados e teatrais, excessos de palavrões fora de contexto e personagens que não atribuem em nada pro enredo central.

A história, no fim, dá uma volta gigantesca, para voltar o foco em poucos personagens e entregar um final sem graça, previsível e com cara de “Netflix confirma terceira temporada de 3%“. Só estamos esperando o anúncio oficial.

Küsses,

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“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

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