É difícil fazer um filme bom né? Confira nossa crítica do péssimo Abigail e a Cidade Proibida e veja porque você deve evitar este filme russo de aventura.

CRÍTICA | Abigail e a Cidade Proibida – É difícil fazer filmes né?

É difícil fazer um filme bom né? Confira nossa crítica do péssimo Abigail e a Cidade Proibida e veja porque você deve evitar este filme russo de aventura....

Abigail e a Cidade Proibida, novo filme russo de fantasia, mostra que fazer filmes é algo que deveria ser deixado para profissionais

Existe algo louvável nessas produções russas que tentam trazer um gostinho soviético para gêneros populares de filme. Alguns anos atrás tivemos Guardiões, que respondeu a pergunta “E se Vingadores não tivesse roteiro, um décimo do orçamento e fosse feito como um esquema de lavagem de dinheiro da máfia russa?”

E agora temos, Abigail e a Cidade Proibida que responde a pergunta “E se a Bússola de Ouro não tivesse roteiro, um décimo do orçamento e fosse feito como um esquema de lavagem de dinheiro da máfia russa?”

Abigail e a Cidade Proibida

Situado em um mundo de fantasia original para o filme, Abigail é uma jovem garota que vive em uma cidade em perpétua quarentena. Aparentemente, seus habitantes correm risco de contrair uma doença misteriosa e serem levados para um local misterioso onde nunca mais voltam. A garota tem um grande interesse nessas operações pois seu pai foi capturado quando era criança e ela sempre quis saber o que aconteceu com ele.

Aos poucos, Abigail descobre que os “doentes” na verdade são detentores de habilidades especiais que fazem tudo aquilo que o roteiro exige em cena sem sequer precisar estabelecer algo antes (irônico considerando que o Chekhov da “Arma de Chekhov” era russo). De resto, a trama preenche buraco com elementos de outras propriedades mais familiares.

Cadê o roteiro?!

Parece questionamento de crí-crítico, mas filmes precisam de roteiro. Não adianta só colocar explosões ou a Tatá Werneck e assumir que tá bom o suficiente para o povão. De fato, as grandes produções de Hollywood são feitas com um número certo de cenas de ação para maximizar apelo internacional, afinal, comédia é impossível contextualizar, mas um belo soco todo mundo gosta. Tem um algoritmo que define isso, e mesmo com uma finalidade meio questionável, tem uma ciência por trás.

Algo que passa totalmente batido na produção de Abigail e a Cidade Proibida. Uma cena simplesmente não conecta na outra. Nenhuma revelação é pré-estabelecida. O roteiro simplesmente joga a informação e assume familiaridade do público com o clichê. A história é batida. Garota descobre que o regime aparentemente totalitário que governa seu mundo é de fato um regime totalitário, ela descobre que não só ela pertence ao grupo que está sendo perseguido, mas é uma espécie de escolhida. Ela se junta a rebelião da cidade onde conhece o “mocinho”, ambos brigam no começo e depois se entendem quando ela assume a liderança da rebelião.

O problema é que nenhum momento é merecido ou conectado. Abigail briga com Bale, o líder de mutantes magos pessoas com poderes, sai da rebelião, volta para a rebelião, se apaixona pelo mocinho sem sequer ter impulso ou justificativa além do “roteirista” ter visto isto nos filmes que ele estava tentando copiar.

Isto torna uma experiência pra lá de confusa. Tudo que rola em Abigail você já viu antes, mas nada conecta com nada. O terceiro ato, talvez onde o filme mais investe em efeitos visuais, sabe que você, o público, já sacou a falcatrua, então tenta massagear seu cérebro com computação gráfica. Não caia nesse canto de sereia, Abigail é o equivalente cinematográfico de um trabalho de faculdade que o grupo tentou fazer no dia anterior, só juntaram as partes e ninguém revisou para ver se fazia sentido.

A preguiça permeia todo o projeto. Não só o roteiro, a direção também não consegue decidir o que quer. Alguns momentos a montagem de certas com “jump cuts” (saltos) para acelerar a tensão, faz o filme parecer um trailer para o próprio filme. Cortes de áudio a la Soldado Ryan em cenas de combate só deixam o que está em cena mais confuso. Toda vez que a câmera viaja um pouco para mostrar mais do cenário ou do ambiente você vai precisar de um mapa para se localizar.

E é meio mesquinho falar isso, mas o cabelo da protagonista faz ela parecer a filha do He-Man com a Gina dos Palitos fazendo cosplay do Playmobil do Papa-Capim. Desde A Lenda do Guerreiro (2001), com Christopher Lambert, não surgia um protagonista de filme com escolha de estilo de cabelo que distrai tanto.

É uma pena. É sempre interessante ver filmes de outras nacionalidades para quebrar um pouco a mesmice, mas aparentemente o tempo dos blockbusters malucos russos como Guardiões da Noite (2004) vai tardar a voltar.

Se sua curiosidade for mórbida o suficiente e você está levemente fascinado para ver este trem descarrilhado ao vivo e a cores, Abigail e a Cidade Proibida estreia 12 de Setembro deste ano.

Até a próxima!

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Nota:
2.5
Nota:
O bom
  • Entre Hobbs & Shaw e Abigail, Eddie Marsan está tendo um ano... colorido.
O ruim
  • Claramente o filme foi feito com um público internacional em mente, quase todos os personagens e textos são em inglês.
  • A cidade proibida é a cidade onde ela mora? Ficamos confusos.
  • Direção
    4
  • Roteiro
  • Enredo
    2
  • Elenco
    4
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