CRÍTICA | Alex Strangelove (Netflix) é uma comédia romântica importante

Adorável...Este é o melhor adjetivo que podemos atribuir ao longa já disponível na Netflix

As definições de “sair do armário” foram restabelecidas pelo excelente longa Alex Strangelove

Alex Truelove (Daniel Doheny) é um jovem confuso. No auge de sua adolescência, e prestes a acabar o colegial, ele namora Claire (Madeline Weinstein) e decide perder a virgindade. Mas surge um rapaz em sua vida que bagunça o coreto, seu coração e desejos.

“Sair do armário”

Alex Strangelove é um filme necessário na vida de qualquer jovem. A abordagem do tema é super atual e envolvente. No longa, acompanhamos um excelente aluno, com ótimos amigos e uma vida amorosa – teoricamente, estável, tendo seus sentimentos virados do avesso.

O que poderia acontecer entre Alex e Claire que impedisse o rapaz de perder a virgindade?

Em uma típica festa americana, na casa de uma amiga, Alex conhece dois amigos com gostos comuns. Entre eles, Elliott (Antonio Marziale), que ao se assumir gay para Alex recebe a melhor reação possível: a indiferença. Os dois passam a pensar em suas semelhanças e nosso protagonista começa a questionar sua sexualidade.

A pressão de se definir por sexo, virgindade, transas e experiências, piram Alex. O que acaba “forçando” o jovem a resolver isso com Claire, para se firmar hétero.  O que não acontece…

“Eu sou gay!” 

Após uma desastrosa tentativa, Alex finalmente consegue entender o que está acontecendo com ele e, em um final digno de “alguém cortou uma cebola perto de mim”, vemos Elliott entrando na vida de Alex do melhor jeito possível: sem preconceito.

O longa não tem um final diferente do que você estenderam até aqui. Sim, eles ficam juntos. Aqui o que vale é a jornada de Alex até a descoberta. Suas dúvidas, a forma como ele conduz a relação com Claire e seus desejos mais íntimos, ganham a tela em belíssimos diálogos e situações com os amigos de Alex que simplesmente enchem o coração da audiência de amor.

Alex Strangelove é um filme inspirador e corajoso justamente por se posicionar para o seu público adolescente. Cenas marcantes de bullying com Alex, quando ainda criança, definiram muito do seu comportamento adulto. A forma como ele insiste na heterossexualidade também está conectada com o seu grupo de amigos meninos que só pensam em trepar e compara o tamanho de seus paus.

A criancice ou comportamento de moleque é levado para a tela sem pudor. O lance de usar palavras sujas, ser pervertido, debochar de vaginas como se fossem um objetos e toda aquela obscenidade banal típica de adolescente, ganha espaço no roteiro para mostrar o quanto esse padrão pode atrapalhar, ou desencorajar, os jovens a sair do armário. Algo como uma “pressão social” que só fode a vida de quem vive na dúvida.

Ver Alex saindo desse padrão, se questionando e passando a entender o seu corpo e desejos, é a coisa mais incrível que alguém já fez em um longa.

Ainda não assistimos o recém lançado Com Amor, Simon (SONY), mas já conferimos longas como Será Que Ele É? (1997), Brokeback Mountain (2005), Milk: A Voz da Igualdade (2008), Azul É A Cor Mais Quente (2013) ou Me Chame Pelo Seu Nome (2017) . Apesar de só o primeiro ser considerado uma “comédia romântica”, a temática sobre sexualidade também está presente nos outros longas e o drama acaba sendo o caminho mais fácil para abordar a temática.

Talvez Alex Strangelove não seja a primeira comédia teen que fale sobre homossexualismo, mas certamente é a mais completa por ter todos os elementos reais da vida de um adolescente: a namorada, o melhor amigo, a turma da escola e seus pais como barreiras fortes na hora de tomar uma decisão.

Não é só uma definição pessoal, existe toda uma vida em torno dele que ele sabe que será “abalada”. E a forma como ele lida com isso é tão realista. Dá vontade de ligar para todos os colégios e obrigar que este filme seja exibido nas salas de aula.

Devaneios a parte, a mãe de Alex também está na trama e ela é parte fundamental desse processo, mas com um detalhe importante: sem longos discursos dramáticos de aprovação. As vezes o silêncio é a melhor companhia de alguém que está nesta situação. #FicaADica.

Vale a pena?

MUITO! Pegaram a receita de bolo básica de filmes teens de colegial e inverteram a sexualidade do protagonista. Algo como o que rolou com Kurt Hummel (Chris Colfer) em GLEE, só que com menos Beyoncè. Alex Strangelove é cativante e poderoso, certamente um longa que marcará a vida de todos que precisam de só mais um empurrãozinho para sair do armário com ORGULHO!

Küsses,

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Tatá Snow

“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

10
O bom
  • Alex e Elliott <3
  • Claire é a melhor namorada que Alex poderia ter
  • Ser jovem é um saco! Por que as pessoas julgam tanto?
O ruim
  • Nada! O filme é ótimo!
  • Direção
    10
  • Roteiro
    10
  • Elenco
    10
  • Produção/ Fotografia
    10
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CriticasFilmes

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