CRÍTICA | Aliados – Começa ótimo, fica péssimo e termina médio

Aliados é o novo filme de Robert Zemeckis Se os três atos de Aliados fossem iguais aos potes de mingau que Cachinhos Dourados encontra na casa dos ursos, teríamos...

Aliados é o novo filme de Robert Zemeckis

aliadosSe os três atos de Aliados fossem iguais aos potes de mingau que Cachinhos Dourados encontra na casa dos ursos, teríamos um excelente primeiro ato, um segundo ato muito frio e um terceiro ato morno. É um estranho pavê de filmes diferentes que sozinhos funcionariam, mas juntos viram uma baderna.

Em Casablanca, durante a Segunda Guerra Mundial…

O oficial de inteligência canadense Max Vatan (Brad Pitt) se reúne com a agente da Resistência Francesa Marianne Beauséjour (Marion Cotillard). Em Marrocos, ambos fingem ser um casal recém casado e apaixonados vivendo e se divertindo com a alta cúpula de nazistas e simpatizantes que ocuparam a cidade de Casablanca. Sua missão é assassinar um embaixador do Reich e desestabilizar a região.

Eventualmente, ambos agentes se apaixonam de verdade, se casam e vão viver juntos na Inglaterra. Marianne leva uma vida de dona de casa criando a filha do casal, enquanto Max continua a trabalhar no exército. A harmonia do casal é rompida quando surge a suspeita que Beauséjour na verdade é uma espiã alemã infiltrada. Max corre contra o tempo para provar a inocência da mulher enquanto seus superiores tentam provar o contrário.

Três filmes em um

O primeiro ato, onde ambos estão em Casablanca e se preparam para realizar sua missão, é sensacional. Temos aventura, ação, drama, romance. Zemeckis é um diretor com um currículo gigantesco e tem experiência para criar visuais incríveis.

O segundo ato, onde ambos vivem em Hampstead na Inglaterra, tem todo o ar de um drama do Studio Canal, daqueles que empolgam tanto quanto misturar Dreher com Naldecon Noite. Todo o senso de heróis destemidos, batalhando nazistas no deserto, sai pela janela quando o roteiro dedica pelo menos três cenas para a discussão sobre preparar estrogonofe para uma festa.

O terceiro ato dá uma melhorada e termina o filme em uma nota interessante. Voltamos um pouco para as cenas de ação, algo que funciona muito bem com a direção de Zemeckis. É um drama familiar e de espionagem que casa muito bem a ideia de segredos que possam destruir um casamento com a corrida contra o tempo de um thriller.

Um dos problemas principais de Aliados é Brad Pitt. Com sua cara de galã das antigas, Pitt funciona bem fisicamente para o papel, o problema é quando seu personagem é obrigado a fazer qualquer coisa que envolva comportamento humano. O ator sofre do mesmo problema de Johnny Depp: é um ator de personagens preso em corpo de ator principal. Pense em qualquer filme onde Pitt faz o protagonista e você notará como ele é substituível, suas atuações mais marcantes sempre colocam o ator em papel secundário e permitem que ele crie personagens mais interessantes.

Max Vatan é praticamente um não-personagem. Pelo jeito, Pitt tentou criar uma interpretação a la Humphrey Bogart em Casablanca (1942), mas ficou mais próximo de Steven Seagal. É uma pena, porque Cotillard dá um show e carrega o filme praticamente sozinha.

Aliados tinha tudo para ser uma fantástica homenagem para filmes da Era de Ouro de Hollywood sob a visão de um diretor talentoso e competente, porém sofre por tentar encher o filme com mais informação do que o necessário criando uma trama inchada e cansativa de acompanhar.

O longa estreia dia 16 de fevereiro de 2017, nos cinemas.

Até a próxima!

Comente via Facebook!

Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

Categorias
Criticas

Ver também