[CRÍTICA] Aliança do Crime – O crime em Boston liderado por Johnny Depp

Aliança do Crime já está em cartaz no Brasil e merece toda a sua atenção De volta ao anos 1970, Aliança do Crime, o novo longa da Warner Bros.,...

Aliança do Crime já está em cartaz no Brasil
e merece toda a sua atenção

alianca-do-crime-black-mass-johnny-depp-warner-critica-01De volta ao anos 1970, Aliança do Crime, o novo longa da Warner Bros., oferece uma imersão documental na suja relação entre as facções do crime organizado e o FBI de Boston. Baseado em fatos reais, acompanhamos a ascensão do irlandês-americano James ‘Whitey’ Bulger (Johnny Depp) no controle do crime organizado do sul de Boston e como um dos principais informantes do FBI na árdua missão de derrubar a máfia italiana. Com diálogos e cenas brutais, o longa explora a temática já conhecida em filmes como Os Infiltrados (2006) sob direção primorosa de Scott Cooper (Coração Louco).

Entre extorsões, prostituição e tráfico de drogas, o longa relata a trajetória de Bulger e sua relação delicada com seu irmão Billy Bulger (Benedict Cumberbatch), um influente senador na época, e John Connolly (Joel Edgerton), um policial do FBI e amigo de infância dos irmãos. Sempre se equilibrando entre as pressões de sua profissão e de seu fácil acesso aos passos de Whitey, Connolly é a peça chave ao longo de décadas que pode levar sua carreira por água a baixo se sua contribuição com a policia não for adequada e, pior, transparente.

Aliança do Crime é narrado por um dos capangas de Bulger que acaba sendo preso na década de 1990, e passagens da vida pessoal e íntima do mafioso descendente irlandês são pontos fundamentais para compreendermos sua genialidade dentro do crime. Não importa o quanto a máfia italiana seja procurada ou o quanto os delatores estão ou não conversando com o FBI: se você se meter com a pessoa errada, na hora errada e comprometer o controle de Bulger no crime, prepare-se para morrer.

Bulger é uma personalidade fascinante ao longo do filme. Um pai de família carinhoso durante a noite e um violento chefe de dia que protege quem lhe importa. Considerado um dos maiores mafiosos da história de Boston, foi capturado apenas em 2011,  e segue vivo em regime fechado perpétuo também por ser responsável por dezenas de mortes. Sua atuação no crime, que chegou a ser destaque na imprensa, é conduzido ao longo do filme sem muitos detalhes investigativos. A ênfase está em mostrar as falhas do sistema de segurança pública e o que as pessoas são capazes de fazer para se manterem vivas… Ou não.

Aliança do Crime não é só mais um filme policial de Boston e sim uma obra de estrutura documental rica em detalhes que promove uma imersão no elemento psicológico dos envolvidos, entre vilões e “mocinhos”. O personagem principal, inclusive, foi inspiração para Jack Nicholson interpretar  Frank Costello no citado longa de 2006, dirigido por Martin Scorsese, mas sem uma atuação espalhafatosa e o som de I’m Shipping Up to Boston da banda Dropkick Murphys. Johnny Depp deve ser levado à sério estando maquiado, de peruca e com um sotaque forçado, um milagre, considerando a trajetória recente do ator.

Com as reviravoltas previsíveis e sem surpresas, o longa é assertivo em sua fotografia, cenários e takes longos que mantêm a audiência como observadora das cenas, o que amplia a atenção nos diálogos bem elaborados e ambientes escuros nos momentos mais tensos de toda a história.

Justiça e fé são conceitos que se entrelaçam à trama. Connolly se corrompe em meio a tentação e a vida “glamourosa” de Bulger e faz vista grossa para a concepção de justiça distorcida de seu amigo de infância. O reino de Bulger entra em ruínas com a chegada de um novo promotor do FBI implacável em sua visão de justiça dentro do sistema. Elementos da herança religiosa europeia permeiam o filme: “Valhalla” estampa um barco usado para contrabando de armas rumo à Irlanda, o termo nórdico para o “salão dos mortos em combate” de Odin. Armas que são destinadas ao IRA, a força revolucionária armada da Irlanda do Norte, responsável por diversos atos terroristas e uma obsessão de Bulger. Uma ironia ao considerar que o ponto de partida desta embarcação para armar os “bravos soldados” começa no tenebroso cemitério clandestino onde o Whitey se desfez de incontáveis traidores. A religião, muito presente na cultura dos irlandeses imigrantes, é o palco principal em uma única cena para a reviravolta política e social do mafioso que o leva ao exílio e consequente queda de todos aqueles conectados a ele.

Aliança do Crime pode ser considerado um dos melhores lançamentos do segundo semestre e não conquistará a todos justamente pelo seu ritmo lento, detalhista e, novamente, documental. O filme já está em cartaz nos cinemas.

Küsses,

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Tatá Snow

“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

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