Dirigido por Robert Rodriguez e produzido por James Cameron, Alita: Anjo de Combate é sensacional. Confira nossa crítica sem spoilers do filme aqui.

CRÍTICA | Alita: Anjo de Combate – finalmente uma adaptação de mangá digna

Dirigido por Robert Rodriguez e produzido por James Cameron, Alita: Anjo de Combate é sensacional. Confira nossa crítica sem spoilers do filme aqui....

Alita: Anjo de Combate acerta em cheio nos visuais e traz uma experiência digna do mangá

A lista de tentativas de adaptações de mangá em versões ocidentais não é exatamente um aglomerado de títulos que trazem orgulho. Dragon Ball: Evolution é uma atrocidade. A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell, apesar de ser relativamente competente, não trouxe junto os elementos filosóficos mais interessantes da propriedade e saiu um filme um pouco esquecível. Talvez a melhor adaptação foi Guyver 2, e você realmente precisa estar na mentalidade certa pra curtir. Eis que surge, Alita: Anjo de Combate.

Sonho de James Cameron

Há décadas James Cameron é o detentor dos direitos de GunM, o mangá cyberpunk de Yukito Kishiro. Entrevistas antigas mostram o diretor com camisetas estampadas com Gally/Alita. Segundo ele próprio, ele esperou a tecnologia de filmagem alcançar sua visão para criar uma adaptação digna da obra que ele tanto adora. Depois da tecnologia de filmagem que ele desenvolveu em Avatar, ele passou o bastão para Robert Rodriguez para trazer aos cinemas uma versão live-action de Alita.

Alita: Anjo de Combate

No século 26, boa parte do planeta foi destruído em uma guerra apocalíptica. Os população mais privilegiada sobrevive abordo de Zalem, uma gigantesca cidade flutuante. Os menos afortunados vivem em Iron City, uma gigantesca metrópole que existe abaixo de Zalem e sub-existe trabalhando para abastecer a cidade acima ou caçando sucata nos despejos de lixo que vêm do céu. Para sobreviver às condições brutais, muitos habitantes de Iron City modificam seus próprios corpos com implantes cibernéticos.

Um dia, o Dr. Dyson Ido (Christoph Waltz) encontra a cabeça intacta de uma ciborgue em meio a sucata. Ele leva a garota para casa, a coloca em um corpo e a ativa. Completamente sem nome, a jovem (Rosa Salazar) ganha o nome de Alita e se torna uma espécie de filha adotiva de Ido. Aos poucos, ela descobre seu passado como uma unidade de combate extremamente avançada e começa a usar suas habilidades para proteger seus amigos em Iron City. As habilidades impressionantes da ciborgue são usadas em diversas atividades ultra-violentas pela cidade como caçadora de recompensas e motorball, um esporte futurista, o que atrai uma grande variedade de vilões para sua vida.

Brinquedos caros do tio James

Robert Rodriguez é um bom diretor, isso não tem dúvida. Sua criatividade somada a um grande leque de referências tornam os melhores projetos dele algo bastante marcante. Seu problema principal reside em centralizar boa parte do processo produtivo nele mesmo, reduzindo o custo dos filmes e as vezes brincando com tecnologias que precisariam de um orçamento maior para funcionar. Vide a série Pequenos Espiões e a computação gráfica horrenda que o diretor usa nesses filmes. Em compensação, filmes como Sin City e Planeta Terror, vemos como Rodriguez tem um bom olho para composição e ação.

Entra James Cameron que tem uma caixa de brinquedos beeeem mais cara que Robert e chama o rapaz para brincar no seu parquinho. O resultado é sensacional. As cenas de ação, belamente coreografadas e com efeitos visuais de encher os olhos são de tirar o fôlego. O mundo de Iron City é sujo, triste e feio, mas é incrivelmente real, algo que tem se tornado cada vez mais difícil comentar nesse mercado extremamente saturado de computação gráfica questionável.

Visualmente incrível, mas

Como já é de se esperar em um filme sob comando de James Cameron, a tecnologia é vislumbrante e de vanguarda. Já o diálogo é de oitava série. Não tem como negar que o diretor, responsável por alguns dos maiores sucessos da história do cinema, tem um problema sério quando o assunto é diálogo. Titanic foi um dos maiores fenômenos dos anos 90, mas o roteiro parece algo saído de uma novela mexicana. E Alita não fica muito para trás. O diálogo dos personagens é bizarramente expositório, basicamente verbalizando todas as emoções e deixando muito pouco no subtexto. Dificilmente existe um filme onde o diálogo “qual é seu sonho?” não soa piegas e forçado independente do contexto.

O que ajuda aqui é o elenco extremamente talentoso que consegue soltar algumas falas bastante forçadas com uma naturalidade competente. Veteranos que além do próprio Waltz, tem Mahersala Ali, Jennifer Connely e Jackie Earle Haley. A própria Salazar, dá um show de carisma e naturalidade, mesmo completamente coberta de efeitos visuais, ela brilha em cena.

Vale a pena?

A premissa não é para todos e o roteiro, especialmente o diálogo, poderia ser mais lapidado. O primeiro ato é um pouco arrastado e a ação demora para chegar. Mas quando Alita: Anjo de Combate engrena é uma experiência única, extremamente inovadora e com diversão garantida. Pode apostar sem dó.

Até a próxima!

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Nota
8.5
Nota
O bom
  • Uma protagonista feminina independente e poderosa, algo raro nos dias de hoje.
  • Não existem duas cenas de ação iguais.
O ruim
  • Coitado do Hugo (Keenan Johnson), ele ficou com todo o diálogo cafona.
  • Direção
    10
  • Enredo
    8
  • Roteiro
    6
  • Elenco
    10
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CriticasFilmes

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