Annabelle 2 – A Criação do Mal: um balaio de clichês e poucos sustos

A boneca do mal volta em sua segunda aventura em Annabelle 2: A Criação do Mal O primeiro filme de 2014, já prometia ser uma explicação de origem. Quando Annabelle...

A boneca do mal volta em sua segunda aventura em
Annabelle 2: A Criação do Mal

O primeiro filme de 2014, já prometia ser uma explicação de origem. Quando Annabelle 2 foi anunciado, opa! Será que é a vez das enfermeiras? Será que conta como ela chegou aos Warren? Só que não. Annabelle 2: A Criação do Mal é uma recriação de um mal que já foi mostrado, deixando uma cara de “oi?” do começo até a cena final… O tuim não passa, aquela sensação: é necessário mesmo isso?

Um casal, cujo pai é criador de brinquedos e bonecas (um easter egg não tão easter egg assim), perde a filha em um trágico acidente. Quatorze anos depois resolvem abrir as portas para órfãs mantidas pela Igreja. Um punhado de meninas pousa na casa dos Mullins junto com uma freira (por que todo o universo de terror construído a partir de A Invocação do Mal conta sempre com a presença da Igreja Católica) e, claro, crianças são curiosas e vão para onde não devem. Mesmo que Samuel Mullins (na pele de um inexpressivo Anthony LaPaglia) diz com todas as letras: AÍ NÃO.

O problema de Annabelle 2 não é tanto as atuações (apesar de LaPaglia não ter feito nada de realmente importante em uma atuação automática – cara de tristeza agora é cara-do-homem-do-saco, aquele que a sua mãe sempre te ameaçava se não obedecesse), mas o roteiro tem suas enormes falhas. Primeiro por ser uma história de início – again – com clichês muito mal trabalhados. O jogo de câmera, posições e iluminação já gritavam: AQUI VAI ROLAR SUSTO! PREPARE-SE! Só faltou escrever em letras neon… O ambiente sempre carregado de cruzes, referências a cruzes e cores avermelhadas em uma casa mais em tom pastel força um pouco a barra.

Janice (Talitha Bateman) teve poliomielite e precisa de um equipamento na perna para ajudá-la a andar. Por ser mais lenta e doentinha, as meninas mais velhas a deixam de lado, com apenas a amiga Linda (Lulu Wilson, de Ouija: A Origem do Mal), mas, mesmo assim, é a mais solitária com menos coisas para fazer. Por isso, explora a casa até mesmo onde não é permitido. Nessa, encontra o quarto da filhinha morta dos Mullins, do mesmo jeito por 14 anos: só falta mesmo a menina. E, óbvio, a boneca “endemonhada”, Annabelle.

Para ajudar no clima de terror, a Sra. Mullins (Miranda Otto) é uma figura misteriosa acamada, cuja presença só é notada pelo dobrar do sino que usa para chamar o marido. E acaba sendo uma explicação/escape das crianças para o clima estranho na casa, despertado por Janice.

O filme é ruim? Não. Mas também não é bom. Usa e abusa (demais) da receita de bolo do terror, não mostra novidades – como estamos acostumados com todo o universo A Invocação do Mal – e até mesmo o primeiro, por mais suspense que seja ao invés de terror, conseguiu ser melhor. Lulu Wilson já está carimbada pelo terror e entregou uma personagem interessante, já Bateman mostra a que veio em uma reviravolta do roteiro. Sua primeira parte dá vontade de estapear, seriamente. Na realidade, todas as crianças neste filme são totalmente estúpidas. Bora usar essa boca para gritar, “pelamor”!

E não tem como não brincar no meio das cenas “mais tensas”: Annabelle vira quase uma Samara (de O Chamado), o demônio é crocante (se for para assustar, sorry. Não deu certo 🙁 refaz essa cena aê), as crianças e adolescentes são as mais idiotas de todos os tempos (um clichê brabo do cinema de terror), ninguém acredita nelas, mesmo que os adultos (os Mullins) saibam que tem coisa lá. Isso é já batido: a criança que vivencia tudo é tirada como imaginativa ou inventiva. Algo que A Invocação do Mal 2 refutou e deixou mais refrescante o terror com pirralhos. A omissão dos adultos nos piores momentos também cansa: você é responsável por elas, caramba! Só a Sra. Mullins está perdoada, afinal, está acamada…

Informações jogadas sem explicação alguma, personagem que some e aparece do nada, cor do cabelo que muda (é loira, depois não é mais), uns cliffhangers para os próximos spin-offs (ok, isso foi legal), um novo elemento que talvez gere mais história para contar (Annabelle era só uma boneca no primeiro Invocação do Mal, mal apareceu, mas fez tanto sucesso que ganhou seus 5 minutos de fama. A Freira demoníaca de Invocação do Mal 2 já tem pôster e data de estreia em 2018, o Homem Torto – também de Invocação 2 – também ganhará sua história na tela), então será que Annabelle 2: A Criação do Mal servirá para alongar o produto?

A mão de James Wan falhou aqui. Ou melhor, faltou: a direção de David F. Sandberg não satisfez. A única cena que faz sentido é a final, mas ainda deixa lacunas: coincidência demais, não acha? Além de falhas que, se citar, são spoilers!

Tem medo de terror, mas ainda assim quer arriscar? Seu filme é Annabelle 2: A Criação do Mal. Não sentirá medo algum, capaz de rir e até mesmo sentir raiva! Esse filme tinha tanto potencial… Pena, que peninha…

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