crítica de Aquaman da Warner Bros e DC Entertainment

CRÍTICA | Aquaman - Veleiros e Furiosos

Nesse mar tem peixe?

Aquaman não morre na praia, mas é por pouco

Preparem-se: é um filme sobre um super-herói aquático, não nos responsabilizamos sobre trocadilhos cretinos envolvendo o mar. Se você quiser ler uma crítica sobre um ser aquático onde controlamos a maturidade no texto, aqui tem um. Ok, vamos falar sobre Aquaman.

Splish Splash

Arthur Curry (Jason Momoa), após ajudar Bruce Wayne a ressuscitar o Superman e derrotar um efeito especial da WETA, segue com seu emprego de protetor dos mares. Aprendemos um pouco mais sobre sua origem. Sua mãe era a Rainha Atlanna (Nicole Kidman) e seu pai era Tom Curry (Temuera Morrison), um faroleiro.

Lá em Atlântida, o meio-irmão de Arthur, Orm (Patrick Wilson) começa a reunir os reinos aquáticos para declarar guerra à superfície (literalmente a única história crossover quando precisam de mais protagonismo do Namor e do Aquaman). Para impedir que enchentes destruam tudo, Mera (Amber Heard) e Vulko (Willem Dafoe) imploram para que o Aquaman encontre o tridente lendário do Rei Atlan e assuma seu lugar como herdeiro do trono de Atlântida.

Assim, Arthur e Mera viajam pelo mundo reunindo pistas para a localização do tridentes antes que Orm unifique os reinos. Enquanto isso, são perseguidos pelo Arraia Negra (Yahya Abdul-Mateen II), um pirata que quer se vingar de Curry.

Gloob gloob

Em quase 2 horas e meia, o filme precisa navegar entre estabelecer a origem de Arthur, explicar o que é Atlântida e os demais reinos subaquáticos, explicar as tradições, lendas e mitologias necessárias para estabelecer os elementos da trama que serão necessários para contar a história, desenvolver o relacionamento dos pais de Arthur, explicar seus poderes, explicar a origem da inimizade com o Arraia Negra, inserir uma jornada de herói básica para o Aquaman e ainda desenvolver um romance entre os dois.

Funciona? Mais ou menos. Nunca ia ser uma tarefa fácil elaborar tanta coisa para fazer a narrativa funcionar mas, não adianta, é muito peixe pra pouca água. A trama fica um pouco arrastada e, para não perder o fôlego, o filme insere cenas de ação toda vez que o roteiro arrisca respirar para criar um momento emocional.

Aliás, James Wan, não é feio sentir coisas tá? Você interrompeu todos os momentos de ternura entre os personagens com uma explosão e a chegada dos soldados de Atlântida. Lá pela terceira vez, já fica meio previsível.

Continue a nadar

O excesso de CGI não ajuda também. Imagine a quantidade de efeitos necessários para animar tudo aquilo embaixo d’água. Infelizmente, a produção decidiu seguir uma das piores ideias da Marvel e eliminar  máximo possível de efeitos práticos em troca de computação gráfica. Espere muitas cabeças flutuando em armaduras e animações borrachudas a la Capitão America: Guerra Civil e Pantera Negra.

Mesmo assim

Nem tudo é um naufrágio. Momoa tem mais liberdade para desenvolver sua versão de Arthur Curry e incorpora o personagem com mais confiança (e uma caracterização bastante autoconsciente). Porém, Mera é de longe a personagem mais interessante do filme. Talvez a única verdadeiramente heroica. Ela precisa manter a paz, salvar o mundo e ainda guiar, orientar e motivar uma pilha de músculos com problemas de autoestima e complexo de abandono.

Algumas cenas de ação são verdadeiramente boas, Wan já provou que sabe dirigir cenas brutais de pancadaria. Nas cenas em lugares fechados e cenários reais, as cenas são extremamente bem coreografadas e interessantes. E depois da fase “pinta tudo cor de estacionamento” de Zack Snyder, qualquer jogada de cor vale a pena, especialmente nas cenas de Atlântida que mostram um mundo criativo (mesmo que digitalmente tenha qualidade inconsistente).

Vale a pena?

Não tão bom quanto Mulher-Maravilha, mas infinitamente melhor que Liga da Justiça e BvS, Aquaman tem aquela pegada de filme da Marvel da fase 1, mas com aquela pompa e mitologia de um filme da DC. Nem sempre acerta, mas traz boas ideias e 2 horas para desligar a cabeça.

Aquaman estreia nos cinemas brasileiros dia 13 de dezembro.

Até a próxima!

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Nota
6
Nota
O bom
  • Patrick Wilson leva jeito pra vilão. Quem diria?
O ruim
  • A Mera fala que o Aquaman nunca foi pra Atlântida, mas tem toda uma cena dele em Atlântida no Liga da Justiça...
  • Direção
    7
  • Roteiro
    5
  • Enredo
    6
  • Elenco
    6
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