as panteras 2019

CRÍTICA | Tem certeza que querem agradar as mulheres com As Panteras?

Filme bizarro....

Novo longa As Panteras foi feito para uma geração lacradora que cansa

As Panteras chega aos cinemas em nova forma e estilo. Agora oficialmente como uma agência internacional, embarcamos em uma aventura genérica em busca de uma vilão genérico por motivos genéricos.

Uma empresa de tecnologia quer usar uma nova ferramenta como uma grande ameaça em massa. As Panteras entram em ação para combater os vilões – ou descobrir o verdadeiro vilão por trás disso tudo – em um roteiro que não cansa de bater na tecla do “feminismo” e “girl power”.

Bate tanto que ofende…

O mercado de entretenimento está cansando a temática. Alguns longas mais recentes, como Aladdin, A nova animação da A Família Addams, Hebe, Branca como a Neve, Seis Vezes Confusão, X-Men: Fênix Negra, Capitã Marvel, entre outros, têm esbarrado no “lacra service“, um novo conceito de apresentar mulheres empoderadas por meio de diálogos rasos onde elas afirmam o óbvio: de que elas são capazes de fazer qualquer coisa.

Para entregar esse lacra service de forma mais intensa, as personagens são colocadas contra os homens e desafiadas pelos personagens masculinos, justamente para que elas possam erguer a cabeça e ir pra porrada física e moral.

Na boa, já deu! Está na hora de alguém bater nesse politicamente correto.

Entendo sim a importância do reconhecimento e do espaço das mulheres no audiovisual, mas isso é um assunto de MERCADO. Na frente das câmeras as mulheres não precisam gritar que elas são “empoderadas” e que são capazes de fazer o que quiserem por que estão cagando para o que os homens pensam.

Elas não precisam de takes que mostrem que elas correm de salto alto e discursos rasos sobre serem tão fortes do que os homens.

As personagens não precisam de mil explicações antes de mostrarem suas fragilidades, não precisam de grandes discursos sobre proteger as “manas”. Não precisam de frases de efeito sobre o uso de roupas sexy. CHEGA! Já deu. A mulher na frente das câmeras é inteligente e ela vai lá e resolve sem precisar  de palanque.

Esse lacra service ofende tanto, que esquecemos de grandes mulheres como Sarah Connor (Exterminador do Futuro), Furiosa (Mad Max), Lorraine Broughton (Atômica), Rey (Star Wars), Laurie Strode (Halloween), Erin Brockovich (interpretada por Julia Roberts), que simplesmente faziam as coisas e FIM.

Querem outros exemplos? O Diabo Veste Prada, Um Senhor Estagiário, O Sorriso de Monalisa, O Espelho Tem Duas Faces, Ninfomaníaca (os dois) entre muitos outros. Por que o que todas essas personagens têm em comum? São estabelecidas na trama com respeito, colocadas à prova do machismo e, de forma intrigante, se impõe e deixam suas mensagens e exemplos.

Voltando em As Panteras

O grande problema aqui não é o roteiro raso e previsível, não são as cinco reviravoltas necessárias para revelar o vilão final (que você adivinha nos primeiros 30 minutos de filme). Em As Panteras as personagens são superficiais demais.

Ella Balinska é Jane Kano, uma veterana entre As Panteras que faz o tipão séria e focada. Kristen Stewart é Sabina Wilson, a “porraloquinha” descolada que talvez seja bissexual e sabe ser super sexy ou mega masculina… Preguiça.

Elas acabam recrutando Elena Houghlin (Naomi Scott), a super nerd que trabalha na empresa que detêm o artefato tecnológico que pode matar todo mundo. Ela acaba sendo protegida das Panteras e entra para o time por motivos…

Juntas, elas combatem os vilões em diversas locações – para frisar que são internacionais mesmo – e entre cenas de ação mal dirigidas e frases de efeitos, elas resgatam dentro de si a amizade, a cumplicidade e passam a se importar uma com a outra por que…Motivos.

Com esse pacote todo, acompanhamos as jovens ao longo da jornada. É isso. Ao término, o longa presta uma homenagem à série e aos filmes anteriores, trás mais momentos de lacra service e acaba como mais um filme ruim de ação que poderia ser lançado direto na Netflix.

Por mais Rainhas do Crime e menos As Panteras, essa fase de tratar a mulher como uma boneca de porcelana recheada de cimento já deu. Entendemos o recado e o respeito, mas eu quero filmes com protagonistas que desafiem a minha inteligência, que tragam algo de verdade e mostrem por meio do entretenimento o que já sabemos: que ser mulher é foda e que nós somos capazes de qualquer coisa.

As Panteras estreia dia 14 de novembro nos cinemas.

Küsses,

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Nota:
4.8
Nota:
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O ruim
  • Tudo...
  • Direção
    5
  • Elenco
    6
  • Roteiro
    3
  • Produção / Fotografia
    5
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