[CRÍTICA] As Sufragistas – Um relato intenso da essência do feminismo

Em As Sufragistas acompanhamos a árdua missão das mulheres  terem direito ao voto no Reino Unido Voltamos ao início do século XIX, época em que a mulher ainda é...

Em As Sufragistas acompanhamos a árdua missão das mulheres 
terem direito ao voto no Reino Unido

as-sufragistas-critica-freakpop-03Voltamos ao início do século XIX, época em que a mulher ainda é subordinada ao homem, refém das exigências sociais e familiares e oprimidas por não poderem combater o politicamente estabelecido porque…1858. Esqueçam o falso poder das redes sociais e das diversas mídias que possibilitam a divulgação de relatos sobre machismo e abusos, em As Sufragistas, a audiência tem uma aula de história em formato de filme. 

Maud Watts (Carey Mulligan) é uma mãe de família de classe média baixa que trabalha em uma lavanderia desde muito nova. Esforçada em suas responsabilidades, ela segue sua rotina: trabalhar, cuidar da casa, do marido e de seu filho. Um belo dia, Watts se vê no meio de uma passeata que termina com vitrines quebradas e um confronto com a policia. É assim que nossa protagonista se envolve com Violet Miller (Anne-Marie Duff) uma das sufragistas do movimento liderado por Emmeline Pankhurst (Meryl Streep). 

Tomada por um súbito e inexplorado questionamento pessoal, Watts se rebela e entra para o grupo. Preparada para sofrer muitas consequências por seus atos, ela se torna mais uma voz representante das mulheres contra as intensas jornadas de trabalho, direitos dos homens quando já são pais – como a obtenção da guarda dos filhos em caso de separação –  a baixa remuneração e o grande objetivo: o direito de voto no Reino Unido. 

Munida de compaixão, históricos de abusos sexuais e morais e certa de que aquele é o caminho para uma sociedade mais justa, acompanhamos sua trajetória entre a primeira prisão, a perda da guarda de seu filho, noites mal dormidas como uma mendiga em uma igreja e muita, mas muita garra pelo o que julga correto. É nesse tom heroico e épico que o telespectador assiste, de forma objetiva e documental, o relato de uma parte da história que merece atenção, olho clínico e, acima de tudo, respeito por um movimento que se tornou público e mundial somente após uma fatalidade que foi transmitida pela imprensa internacional. 

As Sufragistas é só uma fatia da sangrenta e violenta época em que mudar o padrão tradicional era algo tão grave quanto um homicídio. Tanto no século XIX quanto no XXI ainda falta capacidade da mídia e da população de compreender o que as mulheres querem. O fácil acesso à informação e a própria globalização deveriam ser catalizadores eficientes para uma rápida compreensão, porém, ainda nos deparamos com questionamentos e julgamentos rasos sobre os diretos das mulheres. É neste momento que vemos como o filme relata, resguardadas proporções, o que ainda vivemos e talvez só no próximo século as passeatas de hoje sejam mais claras.

Dirigido por Sarah Gavron (Um Lugar Chamado Brick Lane), o longa ainda conta com Helena Bonham Carter como Edith Ellyn, uma dona de farmácia, Brendan Gleeson como o inspetor Arthur Ateed, Ben Whishaw como o esposo de Watts, Romola Garai como Alice Haughton, Samuel West como Benedict Haughton e Natalie Press como Emily Wilding Davison, a persona responsável pelas mudanças dos direitos de voto das mulheres no Reino Unido. 

A fotografia é genérica, a edição final peca pelos excessos de cortes e a atuação de Carey Mulligan deixa a desejar em muitos momentos. Falta bagagem e expressividade para a atriz cumprir com uma personagem tão complexa com arco de personalidade tão drástico. Talvez a inexperiência da diretora contribua para As Sufragistas não ser um filme marcante mas, com toda certeza, aqueles que assistirem gostarão do resultado e não poderão ignorar a forte mensagem deixada. 

O filme estreia dia 24 de Dezembro no Brasil. 

Küsses, 

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Tatá Snow

“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

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