[CRÍTICA] As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras – TURTLE POWER!

Cowabunga! As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras é divertido! Nostalgia é uma força estranha. É o que faz muitos dos nossos avós lembrar dos tempos de ditadura com saudades...

Cowabunga! As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras é divertido!

as-tartarugas-ninja-fora-das-sombras-01Nostalgia é uma força estranha. É o que faz muitos dos nossos avós lembrar dos tempos de ditadura com saudades e é o que distorce nossas preciosas memórias de infância e torna As Tartarugas Ninja um exercício de mérito artístico e não comerciais para promover a monstruosa coleção de bonequinhos que foram fabricados para a criançada. As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras possivelmente é a adaptação de desenho animado mais fiel já feita.

O maior erro do filme anterior foi ficar em cima do muro quanto ao tom da trama. Por um lado, tínhamos as quatro tartarugas fielmente caracterizadas e com o senso de humor esperado. Por outro, a estranha tentativa de tornar o Clã do Pé e o Destruidor mais ameaçadores e amarrar a origem dos heróis com April O’Neil (Megan Fox) injetou na história uma seriedade desnecessária. A continuação abraça, com amor, o senso de ridículo que sempre transformou a propriedade em algo tão cativante.

As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras começa com o Dr. Baxter Stockman (Tyler Perry), um dos cientistas mais aclamados do mundo usando um teletransportador para ajudar o Destruidor (Brian Tee) a fugir da prisão. Este é o maravilhoso mundo deste filme, onde a polícia entra em pânico pois o “criminoso mais perigoso do mundo” fugiu da cadeia. Esqueça chefes de cartéis mexicanos que decapitam suas vítimas ou terroristas do Estado Islâmico. Em um mundo onde répteis são experts em artes marciais, a maior ameaça para o mundo é um ninja inspirado por raladores de queijo. O Destruidor é contatado por um alienígena chamado Krang, o Conquistador, que precisa da ajuda do vilão para invadir nossa dimensão e dominar o planeta. Coloque um cubo mágico e um navio voador e o enredo começa a soar estranhamente familiar…

Pela enésima vez, os quatro irmãos passam pelo drama existencial obrigatório que deixará o time desunido até às vésperas da batalha final onde aprenderão uma grande lição e lutarão juntos. Leonardo questiona sua capacidade de liderar e Rafael continua raivoso e achando que é capaz de liderar melhor que seu irmão. É o mesmo drama central que assolou três dos seis filmes já lançados, mas tudo bem, como dito lá atrás, Tartarugas Ninja nunca foi feito para ser levado a sério. É esta sinceridade, completamente desprovida de análises irônicas meta-narrativas que costumam acompanhar esse tipo de propriedade, deixam o filme estranhamente cativante.

A direção de Dave Green funciona e recheia o filme com um fogo de barragem de efeitos visuais e cenas gigantescas cheias de acrobacias e explosões. O visual das Tartarugas nessa versão sempre incomodou aos fãs, mas sinceramente? Funciona para a proposta. Os figurinos de cada ninja refletem suas personalidades assim como pequenos traços em seus rostos que ajudam cada um a exibir emoções de forma mais natural. Casey Jones (Stephen Amell) também entra para a trama como um segurança de prisão que joga hockey e planeja ser um detetive um dia – o filme praticamente congela para Amell explicar seu personagem para a plateia –  e que usa seu “hobby” para ajudar O’Neil e as Tartarugas a lutar contra ninjas.

As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras, talvez acidentalmente, é brilhante. O espírito capitalista da animação original retorna com brados retumbantes com um volume enorme de veículos diferentes para os vilões e os heróis, a presença de Casey Jones, Bebop e Rocksteady; e até mesmo o robô de Krang, tudo para criar um acervo invejável de brinquedos para a criançada.

Como alguns sabem,  as tartarugas tiveram sua origem nos quadrinhos onde Peter Laird e Kevin Eastman decidiram criar uma paródia do Demolidor, que na época havia ganhado uma roupagem mais séria nas mãos de Frank Miller. Talvez seja por isso que As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras tem praticamente o mesmo enredo de Os Vingadores, porém sem um pingo de seriedade ou pretensão. Testando o limite de aceitação de uma audiência sobre que tipo de “herói” é elegível para impedir que Nova York seja destruída por alienígenas.

Ou seja, acidentalmente brilhante.

As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras estreia no Brasil dia 16 de junho. Ignore os escândalos histriônicos dos fãs mais ferrenhos e permita se divertir com um filme que nunca teve a intenção de ser sério.

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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