CRÍTICA | Assassin’s Creed – Muita ênfase em “credo”

Assassin’s Creed é um salto de fezes que adapta fielmente o tutorial do jogo Para quem não está familiarizado com a série de jogos Assassin’s Creed, oferecemos um breve...
Assassin's Creed

Assassin’s Creed é um salto de
fezes que adapta fielmente o tutorial do jogo

Para quem não está familiarizado com a série de jogos Assassin’s Creed, oferecemos um breve resumo de sua mitologia:

Em Assassin’s Creed, duas facções secretas batalham pelas eras para decidir o futuro da humanidade. De um lado temos os Templários que acreditam que o mundo só irá prosperar com a subjugação total da liberdade individual. Do outro, temos os Assassinos, que operam nas sombras para garantir que todos permaneçam livres. O conflito gira em torno dos Pedaços de Éden, artefatos poderosos deixados para trás por uma raça antecessora da humanidade.

Até um certo volume da série, o personagem principal se chama Desmond. Ele é herdeiro de uma longa linhagem de Assassinos e é capturado pelos Templários. Fazendo uso de uma máquina chamada Animus, ele pode visitar a memória genética de seus antepassados. Os Templários fazem uso disso para descobrir as localizações dos Pedaços de Éden escondidos em períodos específicos da história…

… e nada disso realmente importa para o jogo. Apesar da premissa principal, a verdadeira graça de Assassin’s Creed é visitar diferentes eras, interagir com personagens históricos – e assassinar alguns. A trama principal de cada jogo se concentra no Assassino visitado e sua história de vida. Os momentos breves do jogo onde o jogador controla Desmond simplesmente servem como tutorial ou para conectar um volume da saga com o próximo.

Agora vamos entender porque Assassin’s Creed o filme é uma desgraça

Assassin's CreedO filme introduz Cal Lynch (Michael Fassbender) que, assim como sua contrapartida nos jogos, é um herdeiro de uma linha proeminente de Assassinos. Assim como Desmond, ele é sequestrado pela Abstergo, uma empresa de fachada dos Templários e ligado ao Animus para descobrir a localização da Maçã do Éden em Andalúzia na Espanha durante a Inquisição em 1492.

Seu ancestral é Aguilar, um membro da Ordem dos Assassinos defendendo um dos últimos Sultãos que ainda habitam a península Ibérica contra as investidas do Padre Torquemada, o líder da Inquisição e Grão-Mestre templário. Esta parte do filme dura um total de mais ou menos uns 17 minutos.

O resto do longa é dedicado às interações completamente enfadonhas de Cal em seu cativeiro na Abstergo onde ele encontra outros Assassinos presos e a Dra. Sofia, interpretada por Marion Cotillard da forma menos interessante possível.

Vamos usar aqui a palavra “cagada”. O diretor fez uma grande cagada em concentrar boa parte da trama na pior parte do jogo. O apelo de Assassin’s Creed é navegar por rendições bastante fidedignas de períodos históricos, seja na Itália Renascentista onde Leonardo da Vinci e Maquiavel ajudam o herói a derrotar os Borgias ou durante a era de ouro da pirataria no mar caribenho.

Mas não, vamos acompanhar Cal entrando diversas vezes no Animus e concordando ou discordando sobre ajudar os Templários porque … motivos. As poucas cenas no passado têm cenas de ação bastante fiéis ao jogo, com os Assassinos derrotando seus inimigos com uma mistura de Parkour e as armas do jogo, mas isto pouco agrega à trama, já que só estão jogadas no filme para ter algum semblante de empolgação.

O diretor Jed Kurzel é o típico diretor aclamado independente clichê. Ele tem em seu currículo um filme premiado em festivais que trata de alguma história sobre adolescentes que cometeram algum tipo de assassinato que marcou a imprensa (assim como Gus Van Sant e Dennis Villeneuve). Em Assassin’s Creed, para esbanjar seu ar de diretor pretensioso, impregna o filme com um filtro bege e preto que dá a sensação que a Espanha vive sob constante tempestade de areia. É tanto vento e poeira, tanto nos dias atuais quanto no passado, que o mundo do longa parece ser feito para exterminar pessoas que sofrem de rinite.

De cara, filmes baseados em jogos de video game são sempre complicados. Por serem histórias interativas, a maioria dos jogos investem mais em uma mitologia, uma história de fundo do que uma trama narrada que possa eliminar o tempo de jogo (MGS4 notoriamente tem 2 horas de jogabilidade e 9 horas de cenas de corte). A cagada aqui, é que Assassin’s Creed trabalha muito bem o elemento de mitologia para justificar o conflito, mas cria uma trama coerente com cada período histórico. Infelizmente, o filme se preocupa mais em tentar criar uma narrativa apenas usando os elementos mais sem graça da história e completamente ignorando o verdadeiro apelo da franquia.

É uma verdadeira pena. Raramente um filme baseado em video game consegue um elenco de peso ou atores deste calibre. O resultado final de Assassin’s Creed é um longa com uma trama praticamente inexistente, com coreografias de ação enfadonhas e um uso abusivo de efeitos de computação gráfica, que mais atrapalham do que ajudam a compreender o que está rolando nas telas.

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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