[CRÍTICA] Ben-Hur: Traição, redenção e uma corrida de bigas

Ben-Hur, um dos maiores clássicos da história do cinema, ganha uma nova versão É de se esperar que a expectativa e a pré-disposição para criticar esta reimaginação esteja nas...

Ben-Hur, um dos maiores clássicos da história do cinema,
ganha uma nova versão

bh_160x600É de se esperar que a expectativa e a pré-disposição para criticar esta reimaginação esteja nas alturas, já que a obra estrelada por Charlton Heston está nos mais altos pedestais da aclamação crítica. Será que esta versão merece seu próprio espaço?

A trama baseada no romance de Lew Wallace conta a história de Judah Ben-Hur (Jack Huston), um príncipe judeu em Jerusalém nos tempos bíblicos. Apaixonado por corridas de cavalos, o nobre vive uma vida de regalias ao lado de seu irmão adotivo, o romano Messala Severus (Toby Kebbell). O jovem romano convive com o constante fardo de seu avô ter sido envolvido com o assassinato de César e o fato de depender da família de Ben-Hur para tudo. Cansado de se sentir como um peso para sua família adotiva, decide se juntar a legião romana para conquistar seu próprio espaço no mundo.

Anos depois, ele volta a Roma como um militar condecorado que precisa pacificar Jerusalém para a chegada de Pôncio Pilatos (Pilou Asbæk). A população judaica, já farta da opressão do Império, mantém uma rebelião contínua contra os ocupadores. Messala pede ajuda para seu velho irmão para desvendar os nomes dos Zelotes, a facção de guerrilheiros hebraicos. Ben-Hur, dividido entre ajudar seu irmão e não se envolver com as tramoias políticas da cidade, acaba permitindo uma tentativa de assassinato da delegação romana. Ambos irmãos tornam-se inimigos mortais, Judah é escravizado e volta anos depois para se vingar de Messala no único lugar do vasto império romano onde as leis não são aplicáveis: o circo e a corrida de bigas. Ao longo da jornada de Ben-Hur, seu caminho se cruza algumas vezes com um certo carpinteiro de Nazaré (Rodrigo Santoro).

O longa provavelmente não será tão celebrado quanto a versão de 1959, mas tem seus méritos. O diretor Timur Bekmambetov tem um bom olhar para enquadrar as cenas mais caóticas e intensas da obra. Ben-Hur escapa de sua escravidão quando a galera Romana, no qual está acorrentado, naufraga em uma massiva batalha contra os Macedônios (erroneamente chamados de Gregos no longa). A gigantesca batalha épica é visualizada inteiramente por meio das rachaduras do imundo porão da embarcação onde os escravos desesperadamente remam para manter o navio em movimento.

Já a famosa corrida de bigas, possivelmente a cena mais esperada dentro da história, não decepciona. É acelerada, furiosa e emocionante. O uso de efeitos especiais práticos deixam a corrida mais marcante e Timur, que já consagrou sua criatividade para ação em projetos anteriores, traz elementos interessantes para manter a intensidade da cena.

Ben-Hur ainda carrega consigo uma interessante análise sobre a cultura e mitologia do Oriente Médio, é difícil não traçar perturbadores paralelos entre os dias de hoje e a militarística ocupação romana que força o povo nativo a combater os invasores e as drásticas conseqüências que isto pode trazer. A mensagem de pacificação e união de Jesus Cristo que ao longo do filme, gradualmente, conquista mais asseclas, também contrasta fortemente com a sede de vingança cega de Judah.

Estas ideologias opostas se chocam no desfecho do longa. Ben-Hur contempla anos desperdiçados em busca da vingança contra Messala e decide abrir mão de seu ódio quando testemunha a crucificação de Cristo. A câmera reforça isto ao mostrar que o famigerado circo Romano encontra-se na base do Calvário, as colinas onde o messias é sacrificado. Uma meditação visual entre a sede de sangue e a busca pela paz que o filme tenta balancear…

… aí o longa anda por mais alguns minutos, mostrando um final estranhamente positivo, onde todos os personagens terminam felizes e cavalgando em direção ao por do sol enquanto música pop toca. Como se os produtores tivessem feito uma intervenção na pós-produção em uma tentativa de capitalizar mais o público cristão e a crescente indústria de filmes voltados para este grupo.

Apesar disso, Ben-Hur ainda é um longa que diverte, com fortes cenas e um belo visual. A presença de Jesus não torna o filme pregador demais para menos religiosos e as mensagens de redenção e perdão chegam a ser inovadora nos dias de hoje. Vale a pena? Com certeza. O longa estreia dia 18 de agosto nos cinemas.

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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