crítica de Bird Box com Sandra Bullock

CRÍTICA | Bird Box – Lá vamos nós de novo…

Sério mesmo que vocês ficaram impressionados?

Bird Box é o mais novo filme de terror da Netflix

Nada que acontece em Bird Box vai ser mais assustador para aquele que vos escreve do que as pessoas que chegarem ao final desta crítica. Isto vai acontecer, porque o novo longa de terror da Netflix ocupa o lugar mais temido por críticos dentro da cultura pop – o do filme ruim, que é inexplicavelmente adorado pela audiência.

Entendam, Bird Box é um filme ruim e genérico, mas fez sucesso (e pior, o maldito “hype”), e por isso, assim como nos dias sombrios de Batman vs Superman, Thor: Ragnarok e outros incontáveis exemplos, terei que racionalmente explicar porque o filme que inúmeros devotos fanáticos da Netflix adoraram, mas que objetivamente – e sem viés, porque isso não existe em crítica de cinema – é um filme fraco.

Bird Box

Dividido em dois períodos da narrativa, o longa conta a história do surgimento de criaturas misteriosas que imediatamente causam qualquer pessoa que as veja a se matar. Malorie (Sandra Bullock) está grávida e no começo do tumulto se refugia em uma casa com outros sobreviventes. Neste período, ela precisa gerenciar as tensões crescentes na residência repleta de personagens clichê de filmes de terror. O segundo trecho, este intercalando com o primeiro, mostra Malorie e duas crianças tentando sobreviver à uma perigosa jornada em um rio para chegar numa suposta zona de segurança.

É tudo terrivelmente previsível. Você praticamente consegue fazer uma contagem regressiva cronometrada para cada momento que algo vai acontecer. Você sabe qual personagem vai trair quem em qual momento, você sabe quem vai sobreviver, quem não vai. E isto não vem de nenhum senso de arrogância mal merecido da casta “cinéfila”, é por que tudo em Bird Box parece que foi extraído de filmes melhores. É o filho bastardo de Um Lugar Silencioso com Madrugada dos Mortos (mas sem o comentário social). É A Estrada sem a morbidez de Cormac McCarthy. É Fim dos Tempos com um monstro diferente.

O tal algoritmo

Muito se fala do algoritmo Netflix, aquele que mensura o que o público consome e oferece mais do tipo. É assim que com o sucesso cult de O Príncipe do Natal, surgiram dúzias de filmes natalinos na plataforma. É por causa do sucesso de Thirteen Reasons Why e Elite que começaram a brotar dramas de adolescentes privilegiados de praticamente todas as nações. Bird Box parece um compilado de práticas novas e velhas para atrair audiência. Além da trama que é basicamente “atriz aclamada em mundo pós-apocalíptico que precisa sobreviver com um sentido a menos“, temos uma coletânea de atores que causam reconhecimento imediato.

Trevante Rhodes de Moonlight, Sarah Paulson de American Horror Story, Lil Rel Howery de Corra! e John Malkovich. Não que isto seja necessariamente ruim, mas a até a composição dos personagens clichês traz um peso de atores que estão muito acima do material, claro que existem incontáveis profissionais por trás do processo de seleção do elenco, mas é difícil ignorar o cinismo frio e calculista do famigerado algoritmo.

Veredito

Entendam. O sucesso de Bird Box não veio necessariamente de sua qualidade, mas sim de sua disponibilidade. Estreou num período onde a maioria das pessoas já estão de férias, em véspera de Natal e não iriam desbravar um shopping lotado para ir ao cinema. É tipicamente uma época com baixa concorrência de entretenimento e as imagens de Bullock com os olhos vendados já haviam virado memes na internet. É uma tempestade perfeita para se criar hype, e o hype como sabemos, não é algo que se dissipa facilmente. A Netflix sabe estimular a euforia coletiva das redes sociais como nenhuma outra plataforma e, no caso do filme, foi sucesso.

Mas isto não isenta Bird Box de ser um filme genérico, com um roteiro cansado, um elenco desperdiçado em personagens de prateleira de filmes de terror e uma premissa que simplesmente não consegue assustar.

Enfim, aguardamos com carinho as ameaças de morte no e-mail e xingamentos nos comentários.

Até a próxima!

P.S.: É um pouco spoiler, então fiquem atentos. Na premissa do longa, aqueles que sofrem de algum tipo de problema psicológico são imunes ao suicídio e cultuam as criaturas como seres divinos. Eles formam gangues de caçadores que tentam forçar as outras pessoas a olharem para os monstros. Não é uma parte significativa da trama, e aparecem muito pouco, mas são taxados como criminalmente insanos – uma perspectiva que psicologicamente está incorreta, e também discrimina contra pessoas que possuem diversas condições psicológicas. Afinal, qual é o critério para você virar um vilão nesse filme? Esquizofrenia? Down? Autismo? Complicado né?

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Nota
5.8
Nota
O bom
  • O fato que as criaturas nunca aparecem é uma boa sacada.
O ruim
  • O filme discrimina contra pessoas com problemas psicológicos de um jeito bastante escroto.
  • Todo o lance de "maternidade" é bastante preguiçoso.
  • A localização do santuário, onde ele fica e o que ele é faz cada vez menos sentido quanto mais você pensa.
  • Direção
    5
  • Elenco
    7
  • Roteiro
    6
  • Enredo
    5
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