Confira nossa crítica de Black Mirror - Temporada 05 com os episódios Striking Vipers, Smithereens, e Rachel, Jack and Ashley Too. Crítica sem spoilers

CRÍTICA | Black Mirror - Temporada 05 - série entrega episódios fracos

Confira nossa crítica de Black Mirror - Temporada 05 com os episódios Striking Vipers, Smithereens, e Rachel, Jack and Ashley Too. Crítica sem spoilers...

Black Mirror – Temporada 05 estreou na Netflix com três episódios

Black Mirror, apesar de sua abordagem inovadora, deve muito aos clássicos da televisão como A Quinta Dimensão e Além da Dimensão. Estas antologias de ficção científica já exploravam a relação do homem com sociedade, paranormalidade, tecnologia e alegorias políticas pertinentes à época enquanto o meio ainda estava na sua infância.

A série criada por Charlie Brooker causou um grande impacto quando estreou no britânico Channel 4 ao criar histórias frias e cínicas em um mundo 20 minutos no futuro para explorar a relação da sociedade moderna com temas como tecnologia, mídia, isolamento, capitalismo predatório entre outros. Desde que a série migrou para a Netflix teve seus momentos, mas nunca conseguiu recapturar aquele senso de morbidez e niilismo de seus dias no Reino Unido.

Depois do episódio interativo, agora temos Black Mirror – Temporada 05 para avaliar. Para facilitar, vamos avaliar cada episódio individualmente.

Episódio 1 – Striking Vipers

Dois amigos, Danny (Anthony Mackie) e Karl (Yahya Abdul-Mateen II) jogavam um jogo de luta chamado Striking Vipers. 11 anos depois, Karl presenteia a Danny uma nova versão do game com imersão total em realidade virtual. Os jogadores não só entram mentalmente no jogo, mas sentem tudo que rola no combate. Ao invés de lutar, ambos começam a usar os personagens para transar e isso mexe com sua auto percepção.

O episódio não vai muito além disso. As coisas se complicam no casamento de Danny com sua esposa Theo (Nicole Beharie) já que ambos estão tentando engravidar.

Striking Vipers tenta criar uma exploração sobre amigos jogarem jogos de luta com personagens hipersexualizados e como isso pode afetar e alterar relacionamentos via tecnologia. No final, o episódio não conclui nada particularmente interessante ou surpreendente, trazendo um desfecho previsível e sem graça.

Episódio 2 – Smithereens

O segundo episódio de Black Mirror – Temporada 05 tem bons momentos de tensão, mas pesa no moralismo previsível. Neste episódio, Chris (Andrew Scott) é um motorista de um aplicativo estilo Uber que sequestra Jaden (Damson Idris), um estagiário da rede social Smithereen. Cercado por policiais e o FBI, Chris quer falar com Billy Bauer (Topher Grace) fundador e CEO da Smithereen para força-lo a admitir que a rede social foi feita para ser propositalmente viciante.

É possível prever as motivações de Chris no começo do episódio. Infelizmente, este episódio de Black Mirror não explora território novo e apenas cria uma história alarmista sobre os perigos de vícios em redes sociais. A intenção não está errada, mas a execução deixa muito a desejar. Se o objetivo do episódio era explorar de forma rasa e vagamente sensacionalista sobre os perigos do Facebook, então acertaram.

Como mérito, existem alguns momentos com um pouco de tensão, mas isso vem mais da versatilidade de Scott no papel principal e Topher Grace que achou um bom nicho para interpretar pilantras nojentos em sua carreira pós Homem-Aranha 3.

Episódio 3 – Rachel, Jack and Ashley Too

Talvez o episódio que mais tenha chamado atenção para a quinta temporada de Black Mirror. Rachel, Jack and Ashley Too conta a história de Ashley O (Miley Cyrus), uma popstar chiclete adorada por milhões de fãs. Ela lança uma robozinha chamada Ashley Too que, após ativada, interage com as fãs, canta, dança e faz diversas coisas.

Uma delas vira presente de aniversário de Rachel (Angourie Rice), uma garota tímida e sem amigos que vê na robô uma amiga. Sua irmã mais velha é Jack (Madison Davenport), a típica garota clichê que gosta de bandas grunge top 40 dos anos 90 como se fosse algo transgressor e rebelde.

Enquanto isso, Ashley vive um cativeiro. Sua tia e gerente a mantém drogada e forçada a criar apenas músicas açucaradas para agradar as fãs e manter o dinheiro entrando. Eventualmente a história termina com as irmãs resgatando Ashley O de um coma induzido e permitindo que a cantora seja livre para criar a música do seu jeito.

Este episódio aborda temas interessantes. Arte como produto, a industrialização da criatividade, a desumanização do artista. O núcleo da tia com Ashley tem potencial, mas o episódio prefere focar nas irmãs e na reviravolta da verdadeira natureza de Ashley Too. O desfecho também é preguiçoso e foge um pouco daquela final ansioso e derrotista dos melhores episódios de Black Mirror (muita gente adora o San Junipero, pessoalmente acho sem graça).

No fim

Black Mirror – Temporada 05 entrou muda e saiu calada com três episódios que estão facilmente entre os mais fracos de toda a série. Não é necessariamente uma questão de execução, mas sim da falta de profundidade sobre os temas ou a coragem de explorar com garra a ansiedade que novas tecnologias provocam na psique humana.

A série nunca foi um exemplo sutileza, vale lembrar que sua estreia envolvia o primeiro ministro do Reino Unido e um porco, mas existia um senso de pavor que permeava a visão derrotista do futuro e é algo que falta nestes episódios novos. Quem sabe na próxima não recuperam essa ambição?

Até a próxima!

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Nota
5.7
Nota
  • Episódio 1 - Striking Vipers
    5
  • Episódio 2 - Smithereens
    6
  • Episódio 3 - Rachel, Jack and Ashley Too
    6
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