Bohemian Rhapsody o filme critica

CRÍTICA | Bohemian Rhapsody é um presente para os fãs de Queen!

Prepare seu coração!

De “I’m just a poor boy and nobody loves me!” para “We Are The Champions“, Bohemian Rhapsody é o filme que os fãs de Queen mereciam ganhar

Farrokh Bulsara nasceu no dia 5 de setembro de 1946, em Zanzibar, hoje chamado Tanzânia. Aos 17 anos mudou para a Inglaterra com a sua família. Formado em design gráfico, Farrokh trabalhou como lojista e ajudante de aeroporto (tirando malas dos aviões). Até o dia em que a banda Smile, formada pelo guitarrista Brian May e pelo baterista Roger Taylor, ganhou seu novo vocalista. Um tempo depois, o trio passou a ser chamado de QueenJohn Deacon entrou na banda como baixista e Farrokh Bulsara assumiu o nome de Freddie Mercury.

E assim, a década de 70 nunca mais seria a mesma, já que foi a partir de 1971, que uma das maiores bandas de rock do mundo se formou. Queen não era só um grupo de quatro grandes talentosos músicos, Queen era uma família e juntos eles conseguiram inovar o gênero com músicas que iam além do rock, com grandes solos, com técnicas de estúdio “fora da caixinha” e letras marcantes. E Bohemian Rhapsody, o filme, é exatamente sobre essa trajetória.

Bohemian Rhapsody o filme

Não vamos entrar em uma comparação com a história real de Freddie Mercury, até por que, se tratando de entretenimento e filme biográfico, existe uma liberdade criativa no roteiro. O que vamos precisamente avaliar são as 2h15min do longa onde Rami Malek nos leva para dentro da tela por meio de sua atuação impecável. Bohemian Rhapsody é uma homenagem emocionante para um dos maiores – se não o maior – vocalista do mundo.

Versátil, criativo, talentoso e com uma aparência questionável, o filho de indianos ganhou o mundo com seus dentes pra frente, cabelo desajustado, relacionamentos confusos e músicas que marcaram gerações e ainda são sucessos nos dias de hoje.

Quase 27 anos após sua morte, Mercury e o Queen ganham as telas com um longa que retrata a trajetória do quarteto desde as primeiras gravações, os primeiros sucessos, as primeiras turnês e a criação das mais conhecidas músicas da banda. Dos seis minutos – e questionados pela gravadora da época – de Bohemian Rhapsody aos quatro vestidos de mulheres em I Want to Break Free, o longa é uma viagem ao passado e honra, com sutileza, a memória do cantor.

Bohemian Rhapsody a música

O filme ganhou esse nome em função ter sido a “virada na chave” para o sucesso da carreira deles em 1975. Além disso, acompanhamos Mercury (Malek), compondo o hit que mescla balada, ópera e hard rock. Talvez algumas partes da letra sejam inspiradas na vida pessoal do cantor, mas isto fica por conta do roteiro de Anthony McCarten, já que na vida real o significado desta letra nunca tenha sido revelado pelo grupo.

Ainda em vida, Freddie Mercury afirmou:

“É uma daquelas músicas que possui um sentimento de fantasia. Eu acho que as pessoas deveriam apenas ouvi-la, pensar sobre ela, e então refletir sobre o que ela tenta lhes dizer… “Bohemian Rhapsody” não surgiu do nada. Eu pesquisei um pouco, apesar de ser uma brincadeira que zomba da ópera. Por que não?”

É neste tom leve, porém dramático, que o filme desenrola sua trama. Conhecemos Mary Austin (Lucy Boynton), sua namorada e verdadeiro amor de sua vida e acompanhamos a vida de luxúria, bebida e drogas de Mercury, seu afastamento para lançar dois albums solos até 1985, onde a banda marcou seu retorno aos palcos em um dos maiores evento beneficentes do mundo, o Live Aid – considerado até hoje a melhor apresentação deles.

A cronologia do filme

O filme cria uma linha do tempo por meio dos sucessos da banda, uma escolha bem segura para apresentar a trama até o falecimento do cantor. É impressionante ver com Malek cresce em tela. De um tímido e estranho garoto da década de 70 para um o melhor cantor do mundo em menos de 20 anos. Além da trilha sonora, que certamente segura a audiência, Bohemian Rhapsody tem uma direção assertiva assinada por Dexter Fletcher (Voando Alto). O final é o esperado, mas termina em clima de nostalgia e leva a audiência a entender o que Freddie Mercury causava em seus fãs ao subir em um palco. A emoção é certa e as lágrimas rolam soltas.

Muito além de uma versátil voz, ele tinha personalidade em palco, sabia “se mexer” e envolver o público, fazendo todos cantarem suas músicas. Ele era um showman e esse peso é levado para o cinema com maestria. Rami Malek  deveria ganhar o Oscar de Melhor Ator sem questionamentos. A caracterização é impressionante, mas a atuação em si e “incorporação” do cantor vão além do que podíamos imaginar. Em vários momentos, ao longo filme, esquecemos que aquele Freddie não é o verdadeiro.

May, Deacon e Taylor

O filme é focado em Freddie, mas Brian May (Gwilym Lee), John Deacon (Joseph Mazzello) e Roger Taylor (Ben Hardy) são partes fundamentais da história. Aqui conhecemos um pouco do relacionamento de Freddie com cada um deles, as empatias e embates e como cada um enxergava o cantor.

Brian é posicionando como um “fã”, um cara que entra de cabeça nas ideia de Mercury e apoia cada sugestão dada. Deacon é o quieto do grupo, de poucas palavras, mas de um talento como compositor que ganha espaço na trama. E Roger é colocado como o bom moço da turma. Casado, mais sério e fortemente contra algumas decisões pessoais de Freddie.

Mas tudo isso é explorado nos bastidores, por que quando eles estão juntos, como Queen, o quarteto empolga e carrega o filme.

Gafes e momentos marcantes

O longa apresenta o show do Rio de Janeiro (1985) antes da criação de We Will Rock You (1977), e este é, aparentemente, o único “furo de roteiro” de fato. (Além da capital paulista ter sido o primeiro lugar no Brasil a receber a banda em 1981, em duas noites LOTADAS no estádio do Morumbi).

Seus romances e vida pessoal ganham uma dramatização embasam a personalidade do vocalista do Queen. O longa tem dois lados, eles se complementam, mas não interferem um no outro a ponto de tornar Bohemian Rhapsody um filme pedante ou sensacionalista. Afinal, o próprio Brian May, e co-produtor do longa, afirmou em entrevista que:

 “tem muitas emoções e alegrias neste filme. Então sim, é sempre sobre Freddie, Freddie, Freddie. Por que esta foi a única chance que tivemos para fazer um filme sobre o Freddie.”

Aqui a experiência é carregada pelo desenvolvimento de Freddie quanto cantor. Permita-se sentir como teriam sido os momentos de criação de músicas como Love Of My Life (1975), Somebody to Love (1976), We Are The Champions (1977), Another One Bites the Dust (1980), Crazy Little Thing Called Love (1980), Under Pressure (1981), Radio Ga Ga e I Want Break Free (1984),  até a emocionante Who Wants To Live Forever (1986). Bohemian Rhapsody não tem uma grande história de fundo, mas é uma experiência memorável para quem for fã da banda.

Vale a pena?

MUITO! A edição de som, a montagem e Rami dublando Freddie são elementos que tornam Bohemian Rhapsody em uma viagem no tempo digna de ser vista e revista. É uma biografia competente e o resultado é digno de uma banda como o Queen.

Levem lenço para o cinema. O longa estreia dia 1º de novembro.

Küsses,

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Tatá Snow

“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

Bohemian Rhapsody (2018)
10
Bohemian Rhapsody (2018)
O bom
  • Aidan Gillen (GOT) faz o agente deles, John Reid
  • Mike Myers faz uma participação como um dono de gravadora que negou lançar Bohemian Rhapsody. A reviravolta é ótima.
  • A vida amorosa de Mercury está presente, desde o Jim Hulton que o afundou até Jim Beach que estava ao seu lado quando faleceu. É lindo, poético e cheio de amor.
O ruim
  • Não há! <3
  • Direção
    10
  • Roteiro
    10
  • Elenco
    10
  • Produção / Fotografia
    10
Categorias
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