[CRÍTICA] Café Society – onde Woody Allen vem só para constar

Woody Allen já teve seus tempos áureos. Boas produções. Diálogos inteligentes. E aí tem Café Society… Oh, f***! Essa crítica ficou um pouco no forno. Eu fiquei matutando sobre...

Woody Allen já teve seus tempos áureos. Boas produções. Diálogos inteligentes. E aí tem Café Society… Oh, f***!

cafe-society-woody-allen-critica-freakpop-3Essa crítica ficou um pouco no forno. Eu fiquei matutando sobre como iria abordar um filme de Woody Allen, já que não sou exatamente uma fã do cara. E mais: muitas pessoas estão amando Café Society, com estrondosos elogios. E tudo o que eu consigo pensar é: putz, serei a única a dar o contra? Sim, serei a advogada do diabo, a do Contra, a chata. Desculpe, mas não gostei. E sim, tive que pedir autorização aqui na Freakpop para escrever em primeira pessoa.

Café Society é visualmente lindo. Desde o figurino até a fotografia, não dá para negar que o filme é bonito. Só que não dá para viver de beleza. A história é completamente esquecível, sem grandes emoções – o que é um problema, já que é uma narrativa sobre o amor e seus percalços. Não tem diálogos marcantes, personagens realmente relevantes, um conflito genuinamente ~suspiro~ de tirar o fôlego.

Tudo começa bem, não me entenda mal. Tem outros pontinhos positivos, que falarei mais abaixo. Mas vamos ao enredo! O jovem Bobby (Jesse Eisenberg) se muda para Los Angeles em busca de uma vida melhor, com mais emoção, com mais sentido. Querendo trabalhar com seu tio Phil (Steve Carell), um magnata do show business, é colocado de molho por algumas semanas até cair nas graças de Phil e virar seu garotinho de recados. Vonnie (Kristen Stewart), secretária do tio, é escalada para apresentar Los Angeles ao pobre garotinho de Nova York. Sabe-se lá o motivo, o ingênuo Bobby se apaixona por Vonnie, que já tem um relacionamento com um homem mais velho e casado. Detalhe: Vonnie é sem sal, sem açúcar, e mostra que Kristen continua precisando de aulas de atuação. Mas hei! Ela até que melhorou: consegue fechar a boca aqui!! Iupiii!

Ó, dores do coração! Nessa, Vonnie leva um pé na bunda e se entrega ao relacionamento com Bobby, inocente no começo, mas que chega até um quase noivado. Enquanto isso, Phil está péssimo por ter terminado um caso de amor e é aconselhado pelo sobrinho a se entregar ao sentimento e lutar pela sua amada. O problema? Lembra do cara casado que a Vonnie namorava? Pois é, no maior dos clichês patrão-secretária, Phil traía a esposa com Vonnie. Momento perfeito para o emoticon horrorizado do WhatsAppwhatsapp-emoticones-emojis-aplicacion-apps

 

No fim, Phil segue seu conselho e arremata a garota dos braços do próprio sobrinho que, desiludido, volta para Nova York para trabalhar para o irmão. Aspas: esse núcleo até que é interessante, já que o irmão é um gangster meio barra pesada. Ben (Corey Stoll) abre uma boate para legitimar parte de seus negócios e assim que Bobby acaba desenvolvendo autoconfiança, ganhando dinheiro e alcançando bom status social. E de boate o local vira um point de pessoas importantes, famosas e cheias de conexões ~Café Society~ e onde conhece sua futura esposa, Verônica (Blake Lively), nome que origina o Vonnie lá de cima. Ótimo para não errar o nome de ninguém em momentos íntimos, se é que me entende.

O problema é que tudo é tão esquecível… Não tem diálogos inteligentes, tudo é uma rotina que, por mais que seja bem montada, não tem o apelo e a qualidade que se esperam de Woody Allen. Ele é bonito, só. Nem o principal conflito, que só aparece lá pelos idos do final, compensa. Vonnie e Phil aparecem em Nova York e visitam Bobby, um lindo casal feliz. Fazem anos, ele superou, correto? NÃO. Mesmo com uma esposa linda, um bebê e todo sucesso profissional o fizeram esquecer Vonnie. E parece que ela tampouco o esqueceu. E a grande reviravolta, dá para sentir seu gostinho, vem, vem. VEM! E bum. Fiquei olhando o letreiro com cara de tacho esperando mais cenas.

ESSE É UM FILME TOTALMENTE ESQUECÍVEL. Feito só para constar e avisar ao mundo que Woody Allen ainda está vivo e operante, só pode. Se tivesse que definir uma temperatura para Café Society seria morno. E não é aquele morno confortável, gostosinho e aconchegante. É morno de coisa requentada e sem sabor, aquele café que você acha que dá para salvar, que está com uma cara boa, o cheiro não é tão ruim (lembre-se, eu já não curto Woody Allen) e você pensa: ok, dá para tomar. E percebe que essa não foi a melhor decisão da sua vida.

Como já disse, existem pontinhos positivos. A evolução do personagem de Carell é interessante, e o núcleo de Ben é engraçado e bem montado. Sou suspeita, gosto dos dois atores responsáveis por esses papéis, mas são os únicos que realmente mostram algo. Blake é usada apenas como uma mera figurante, Kristen… Bom… O que falar mais dessa moça? Triste de pensar em quanto ela ganha… Jesse segue o mesmo padrão do filme todo: é morno.

Ah, sem contar uma narração estranha que aparece quando quer e do nada some, para explicar os eventos para os espectadores. Woody meu caro, o roteiro não é complexo o suficiente para precisar explicar nada, tá?

Café Society vale a pena? Em um dia chuvoso onde não tem mais nada para fazer. Todas as suas séries já foram assistidas e estão em hiato, já zerou sua lista de filmes-desejo e Café Society está lá bobeando na Netflix ou no seu NOW. Nos cinemas eu não recomendo.

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