[CRÍTICA] Capitão América: Guerra Civil – Um filme complexo da Marvel

Capitão América: Guerra Civil questiona a presença de super heróis no mundo e oferece uma análise inteligente sobre o tema Este ano, o Universo Cinematográfico Marvel traz novo fôlego...

Capitão América: Guerra Civil
questiona a presença de super heróis no mundo
e oferece uma análise inteligente sobre o tema

capitao-america-guerra-civil-posteres-nacionais (2)Este ano, o Universo Cinematográfico Marvel traz novo fôlego para o gênero de super heróis com Capitão América: Guerra Civil. Um filme denso, com uma problemática central questionadora e uma temática complexa que não abre mão do divertimento. Na trama, uma operação dos Vingadores em Lagos, na Nigéria, termina de forma trágica e fatal. Após anos de eventos catastróficos envolvendo seres aprimorados, a ONU propõe ao time o Pacto de Sokovia, um documento que regulamenta as operações dos heróis e que, caso assinado, eles só poderão fazer missões com a sanção das Nações Unidas.

Tony Stark (Robert Downey Jr.), ainda assombrado pelo seu envolvimento na criação de Ultron e ser indiretamente responsável pela destruição de Sokovia, imediatamente concorda. Steve Rogers (Chris Evans), que já enfrentou os riscos de confiar cegamente em uma organização, é contra e prefere que Os Vingadores operem com total autonomia. Homem de Ferro e Capitão América começam a recrutar outros heróis para seus lados e enquanto o conflito entre ambos gradualmente escala, o Soldado Invernal (Sebastian Stan) aparentemente ressurge na Europa cometendo atos terroristas.

Tanto Soldado Invernal quanto Guerra Civil são os longas mais adultos e questionadores da Marvel. Filmes de super heróis sempre trazem enormes cenas de destruição, mas talvez este seja o primeiro projeto onde a premissa é discutida de forma “realista”. Ambos os lados têm bons motivos e não é exatamente claro quem é o mocinho e quem é o vilão. Ao contrário da Distinta Concorrência que se contenta com algumas cenas do Senado americano e algumas discussões vagamente filosóficas, a nova aventura do Capitão América, de forma muito dinâmica, traz à tona tudo o que tem acontecido no Universo Cinematográfico Marvel dos últimos nove anos e ousa abordar as duras consequências que as espetaculares batalhas e destruições em massa trazem para os meros mortais presos na troca de tiros.

Enquanto Stark e Rogers se preparam para a inevitável guerra surge uma conspiração que escala o conflito envolvendo Wakanda, Sokovia e o Soldado Invernal, além da introdução dos novos recrutas, como o Homem-Formiga (Paul Rudd) para o lado do Capitão América e o Homem-Aranha para o lado do Homem de Ferro. A apresentação de Peter Parker (Tom Holland) traz um personagem bastante fiel à suas origens dos quadrinhos e, apesar de sua participação não ser tão central quanto em Guerra Civil dos quadrinhos, a presença do personagem serve muito bem para as cenas de ação e é uma bem-vinda apresentação de mais um peso pesado para este universo.

Apesar do Amigão da Vizinhança ser o mais esperado pelos fãs, a grande surpresa do longa é o Pantera Negra. O recluso reino de Wakanda acaba se envolvendo no Pacto de Sokovia após alguns dignatários do país serem mortos no incidente em Lagos e o herói se vê envolvido na batalha. O que começa como uma busca por vingança gradualmente evolui e o Rei T’Challa surge como o sábio e poderoso monarca que conhecemos dos quadrinhos. Uma introdução digna e uma enorme presença, graças ao carisma de Chadwick Boseman, que comanda uma atuação que alterna entre um tom de realeza moderno e um brutal guerreiro das selvas.

Apesar do enorme elenco ainda é um filme do Capitão América e ele é o personagem central. A premissa de Capitão América: Guerra Civil funciona perfeitamente para o herói, já que nos quadrinhos existem inúmeras histórias sobre Steve Rogers questionando se as decisões do seu governo realmente são as melhores e se ele, como um grande símbolo do país, deve apoia-las cegamente. A trama se encerra – não com a grande explosão, uma resolução confortável e a comemoração simples que estes heróis estão acostumados. Em um tom melancólico, dois grandes amigos se tornam rivais, lutam até o final, tomam medidas drásticas e sofrem duras perdas. Nenhum lado da guerra pode confirmar, com toda certeza, que venceu ou se está certo. Certamente um passo interessante para um universo que sempre buscou manter o status quo em seus desfechos.

Ao contrário de outros projetos com “VS” no título, a seriedade da premissa e o conflito central não mantém o longa inteiro em um constante marasmo depressivo e diversos tons de cinza. Há espaço para humor, para amizades e para boas piadas que tornam os momentos onde o conflito evolui para a violência ainda mais marcante. Joe e Anthony Russo se mostraram os diretores mais capacitados da Marvel Studios para criar cenas de ação frenéticas e originais. Alguns takes a la Jason Bourne ainda estão presentes, mas os irmãos também flertam com cenas de maiores escalas e o resultado final é surpreendente.

Vale a pena ver? Estamos falando da proposta mais ambiciosa de um projeto que existe nos cinemas e televisão há nove anos com uma trama ousada, boa direção, excelente elenco e uma verdadeira lição sobre como adaptar filmes de super heróis para o cinema, não importando se estamos falando de Marvetes ou DCnautas.

Capitão América: Guerra Civil estreia dia 28 de abril nos cinemas.

Até  a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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