[CRÍTICA] Cinco Graças: a realidade das mulheres

Filme turco indicado para Melhor Filme Estrangeiro ao Oscar® de 2016 é pesado e mostra como as mulheres são tratadas na Turquia e, sim, em grande parte do mundo Um sentimento: choque....

Filme turco indicado para Melhor Filme Estrangeiro ao Oscar® de 2016 é pesado e mostra como as mulheres são tratadas na Turquia e, sim, em grande parte do mundo

cinco-graças-mustang-posterUm sentimento: choque. Cinco Graças (Mustang) é um filme que nos faz pensar o quanto os direitos femininos são retrógrados. O quanto precisamos trabalhar para que as mulheres do mundo todo sejam tratadas como gente, como seres humanos em bases igualitárias e respeitosas. A discussão presente no filme é de suma importância e deve ter destaque sim no Oscar® 2016.

Cinco irmãs órfãs vivem sob os cuidados da avó e dos tios. Sonay, Selma, Ece, Nur e Lale, são jovens vivazes e bonitas que, por conta da fofoca alheia, são feitas prisioneiras dentro de sua própria casa. Criadas com rigidez pelo tio, que acredita na subserviência feminina, dá um basta na liberdade com que a avó as criou até então. Sem escola, trancadas para aprender como uma esposa deve se portar. E como deve se conformar.

Se há uma protagonista na história é a jovem Lale, que não se conforma com sua realidade e faz de tudo para escapar da prisão que sua vida se tornou. As irmãs assumem os diversos aspectos dos sentimentos que as mulheres experimentam ao longo da vida: sorte (Sonay), conformismo (Selma), tragédia (Ece), convencimento (Nur) e força e mudança (Lale). Lale narra toda a saga de sua vida e irmãs: como a virgindade e castidade são importantes, o comportamento masculino é opressor e as “minorias” são obrigadas a abaixar a cabeça, pois o mundo é assim e você tem que aceitar. Logo no início as mais velhas –  Sonay, Selma e Ece -, precisam comprovar a virgindade e são examinadas por um médico. Assim como Selma, por não ter sangrado na sua noite de núpcias, colocando em xeque sua inocência. O mundo se resume à castidade e como você se comporta para agradar a todos.

Merece o Oscar®? Com certeza. A primazia com que Cinco Graças é dirigido, o olhar de Lale sobre o mundo, mostrando como as mulheres precisam se unir – e se unem em determinada parte do filme -, é soberba. O roteiro é bem estruturado, coeso e bem trabalhado em frente as câmeras. Com um ritmo mais lento, nos faz sentir o marasmo que a vida das irmãs se tornou. Mas nem por isso desestimula a continuidade do filme. Há o cuidado de não piscar e perder qualquer nuance dos personagens, um olhar, uma palavra de súplica, um sorriso forçado. A edição de som é primorosa e acompanha a emoção em tela, seja de pena, seja de horror, seja de conformismo.

O mundo precisa de mais “Lales”, de mais luta, de mais questionamentos. De marchas, sutiãs queimados, greves… Somos uma força que, unidas, não podem segurar. Que Cinco Graças nos inspire a lutar por um mundo melhor. 

O filme estreia dia 21 de Janeiro no Brasil. 

Até a próxima. 

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