CRÍTICA | Cinquenta Tons Mais Escuros…De um pedido de casamento

Christian Grey pede Anastasia Steele em casamento na sequência ‘Cinquenta Tons Mais Escuros‘ Sexo, intrigas e segredos marcam o retorno do casal mais atrevido das telonas. Em Cinquenta Tons...

Christian Grey pede Anastasia Steele em casamento na sequência ‘Cinquenta Tons Mais Escuros

Sexo, intrigas e segredos marcam o retorno do casal mais atrevido das telonas. Em Cinquenta Tons Mais Escuros, Ana (Dakota Johnson) tem um novo emprego e Christian (Jamie Dornan) está depressivo. O casal retoma o relacionamento em grande estilo Shonda Rymes. Finalmente os dois dialogam mais do que transam e é impossível não se envolver na nova fase deste dramalhão.

O longa começa após o termino dos dois. Ana tem um emprego decente como assistente de um editor de livros. Seu chefe é o tipão charmoso safado cheio de segundas intenções com a doce e ingênua Ana. Grey, enciumado, artimanha algumas formas de stalkear sua namorada enquanto ela não está em seus braços. Ao ultrapassar os limites de controle, Ana o põe na parede e Grey veste a coleira de bom moço.

Entre cenas de sexo de reconciliação, Grey restaura a confiança de Ana. Eles passam a se comportar como um casal mais “normal”. Tomam café da manhã, dormem juntos, frequentam festas… Enquanto isso, nosso bilionário musculoso segue com seus presentes e mimos. Um computador, um carro, uma transferência de 24 mil dólares… Difícil não querer casar, né?

Surge Elena Lincoln (Kim botocada Bessinger), uma sócia em um dos negócios de Grey e melhor amiga de sua mãe Grace Grey (Marcia Gay Harden). A sessentona sexy também guarda um segredo do passado de Grey. Aliás, um passo atordoado sobre sua verdadeira mãe e uma ex-submissa transtornada que resolveu seguir Ana por aí.

Elena e Leila (Bella Heatchote) – a ex-escrava de Grey – perseguem a futura Sra. Grey com ameaças físicas e verbais. Mas elas não contavam com a ganância de Ana de sustentar sua relação, que agora é baunilha e não mais à base de pancadaria. PAUSA: homem bilionário de passado misterioso quer relacionamento sério com a mocinha que anda de transporte público? AH TÁ. Quem se importa com as duas loucas? Enfim… Ana agora é segura de si, sabe o que quer e não tem medo de tentar. Ó! Não é que as punições do primeiro filme surtiram efeitos?

Enquanto o chefe de Ana a persegue, Elena a persegue e Leila a persegue, Grey só quer uma resposta ao seu “pedido” de casamento: “Ana, case comigo. Eu quero dividir a minha vida com você!”. O jeitão mandão e impositivo do galã está ainda pior. Mesmo abrindo mão de um sexo mais selvagem, Grey realmente está apaixonado, levando a audiência à loucura como um bad boy bilionário de passado misterioso que quer relacionamento sério com a mocinha que anda de transporte público. Porquê? ISSO É UM ROMANCE GALERA!

Cinquenta Tons, no cinema, não é uma franquia para ser levada a sério. A premissa erótica de frases a lá novela mexicana e protagonista dominante compõe um arquétipo de desejo. Aquele desejo mais íntimo que os críticos politicamente corretos não aceitam e acabam por elencar os defeitos da saga cinematográfica, principalmente os de cume social. A pergunta”Onde já se viu uma mulher se apaixonar por um homem como o Christian Grey?” sustenta os argumentos dos mais politizados, enquanto leva os fãs ao delírio ao verem Grey e Ana em cena. E sim, é uma delícia.

As cenas de sexo, apesar de menos BDSM e mais amorzinho, estão bem dirigidas por James Foley e mais apimentadas. Primeiro porque Ana agora é quem manda na cama e segundo porque Grey… Bem, ele sabe o que faz. Pela ficção e no hype da fanfic baseada em Bella e Edward Cullen, Cinquenta Tons Mais Escuros entrega um romance melhor do que o da adolescente com o vampirão.

Pouco importa se ele não sabe perguntar as coisas e só sabe mandar, se ela se submete a ser mulher de um cara assim, se ele tem um passado explorado de forma rasa no roteiro, se o elenco de base é pouco envolvente… Cinquenta Tons é uma franquia soft porn que tem como objetivo mexer com a cabeça do espectador com seus vulgo absurdos.

O problema nem é a Ana ser passivona, mas sim o Grey ser controlador. Onde já se viu um homem, em pleno 2017, controlar uma mulher, né? Isso nem existe mais! Onde já se viu um homem punir uma mulher sexualmente em pleno 2017? Ninguém faz isso! Onde já se viu uma mulher ser submissa ao homem na cama em pleno 2017? QUE ABSURDO, né? *fim do sarcasmo*

O roteiro adaptado de Niall Leonard não se preocupa em resolver as perseguições e motivações de Elena e Leila de forma mirabolante. Tudo entra nos eixos em um desenrolar mais raso possível. A narrativa está focada em criar a tensão entre o casal ao longo da trama até o ponto ápice do filme onde Ana diz para Grey: “me leve para o quarto vermelho!”.

No fundo os fãs verão na telona o que foi lido. Se está bem adaptado ou não, já não podemos opinar. Aguardem a próxima crítica do filme aqui na Freakpop.

Voltando, pouco importa quem é o vilão. Cinquenta Tons Mais Escuros é mais um passo no relacionamento de Anastasia Steele e Christian Grey e cumpre com o seu objetivo: de incluir no entretenimento soft porn muito sexo, intrigas e segredos banais.

Shonda Rymes vai gostar! Além da história se passar em Seattle, Christian foi adotado por Grace, a médica do hospital que o recebeu após um acidente com a sua mãe. Ela se chama: Sra. Grey. Qualquer semelhança é mera coincidência… Ou plágio. O Grey Sloan Memorial Hospital agradece a referência.

Não espere um puta filme. Não espere nada além de um longa que se consagra por seus diálogos bregas, cenas cafonas e muito sexo “sexy sem ser vulgar”. Relaxe com a trilha sonora e aproveite! Em fevereiro de 2018, teremos um casamento para assistir em Cinquenta Tons de Liberdade.

Ps.: Tem cena pós-crédito!

Küsses,

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Tatá Snow

“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

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