[CRÍTICA] Como Ser Solteira – Uma receita de bolo ou uma crítica ao gênero?

Surge um novo modelo de protagonista em Como Ser Solteira ou não? Nova Iorque, cidade cenário de diversos filmes românticos sobre corações partidos, traições, sexo casual e paquera. Sejam bem...

Surge um novo modelo de protagonista em Como Ser Solteira ou não?

como-ser-solteira-filme-warner-bros-03Nova Iorque, cidade cenário de diversos filmes românticos sobre corações partidos, traições, sexo casual e paquera. Sejam bem vindos à capital do prazer, do luxo, das patricinhas do Upper East Side e dos sexys donos de bares. Aqui acompanhamos uma história sobre uma donzela mais sem graça que água de xuxu e que precisa urgentemente assistir as seis temporadas de Sex and The City. Mas calma, nem tudo está perdido. Nossa protagonista ainda pode aprender algo e conquistar o mundo aprendendo a Como Ser Solteira.

Dakota Johnson deixou de lado as palmatórias de Sr. Grey para cair de paraquedas em uma personagem de zero apelo sexual. Alice (Johnson) é uma recém-formada que terminou um relacionamento estável de quatro anos para morar com sua irmã, a estressada médica – também solteira – Meg (Leslie Mann). Após seu primeiro dia de trabalho em um escritório de advogados, Alice conhece Robin (Rebel Wilson), uma mulher de personalidade forte cujo objetivo todas as noites é beber adoidada, acordar ao lado de um cara x e retornar para o trabalho sem ressaca. De cara, ela vê em Alice uma alma perdida para o confinamento dos relacionamentos estagnados e leva a moça para curtir uma verdadeira noite novaiorquina regada à cachaça e sexo casual. A jovem, que não sabe nem conquistar um drink free em um bar durante um happy hour, precisa de muitas aulas e ensinamentos, mas aos poucos ela vai se soltando.

Em outro núcleo temos Meg, uma pediatra workaholic, grávida via inseminação artificial, que busca preencher um vazio em sua vida amorosa. Por acaso conhece Ken (Jake Lacy) que se apaixona por ela sem saber de sua gravidez e eles enfrentam uma relação bem semelhante ao filme Plano B (2010) com a J-Lo e o Alex O’Loughlin.

No terceiro núcleo, e um dos mais interessantes, a jovem solteira Lucy (Alison BrieCommunity) tem problemas de acesso à internet em seu apartamento e resolve trabalhar, todos os dias, trajada de pijamas, no bar que fica embaixo de seu apartamento. Como uma “vingança” a Tom (Anders Holm), proprietário do local que garante extensas noites de barulho, Lucy fica amiga dele, um solteirão convicto que detém diversas artimanhas para não se apegar à nenhuma mulher e não deixar nenhuma mulher se aproximar demais.

Como Ser Solteira basicamente se desenrolada em cima desses três núcleos e com todos os clichês conhecidos de comédias românticas, como os personagens secundários mais interessantes do que os protagonistas, a presença de uma figura rendida ao amor, um outro personagem que negará o amor e o final feliz. Algo visto em filmes com grupos variados de personagens como Nova York, Eu Te Amo (2008), Simplesmente Amor (2003), Ele Não Está Tão Afim de Você (2009) e Noite de Ano Novo (2011).

A grande merda nesse gênero é a missão quase impossível de se reinventar. Os longas mais contemporâneos, que tentam conversar com o mundo real por meio de diálogos e situações reais, tem se afundado na imensidão do “conto de fadas” e do maldito “E Eles Viveram Felizes Para Sempre” sem perceber ou não intencionalmente. Por mais que o filme seja composto pela mocinha, mocinho, melhor amiga da mocinha e melhor amigo do mocinho, a mocinha SEMPRE acaba com o mocinho. E isso é chato. Muito chato! Será que Como Ser Solteira comete o mesmo erro?

Nos últimos 10 anos, acompanhamos uma enxurrada de comédias românticas que seguem a mesma e cansada receita de bolo. Garota workaholic trabalha com emprego dos sonhos (editora de revista de moda, produtora de TV, banqueteira), apesar de ser bem realizada profissionalmente, sente que falta algo na vida, algo masculino de preferência. Surge um solteirão, desencanado, de 30 anos de idade se comportando como um universitário com seu melhor amigo, este geralmente, um comediante com mais talento que do que o roteiro realmente exige. Ela se apaixona no primeiro ato, termina o namoro no segundo e no terceiro costuma largar sua carreira e seu estilo de vida “certinho” para ficar com o rapaz. O que este filme traz de novo? A protagonista não quer se apaixonar, ela não quer nada, ela sequer tem algo que possamos chamar de personalidade? Brilhante né? Olha só Buzzfeed, pelo jeito as mulheres “venceram”.

As atrapalhadas de Robin, a gordinha de autoestima elevada – que poderia ser substituta do amigo gay, carrega os momentos de humor e sarcasmo com seus ensinamentos sobre a solteirice. Rebel Wilson, como sempre, rouba a cena com diálogos rápidos e um comportamento masculinizado, já aqui ela é uma solteirona convicta a favor do sexo casual. Machistas de plantão….sentem e chorem. Temos até a sensação de que ela teve suas cenas cortadas para dar mais espaço para a mocinha que ama uma gravata cinza.

Por fim, Como Ser Solteira tem elementos que poderiam ter sido melhor desenvolvidos, mas de cara conta com uma proposta de protagonista diferente que surge como um ar fresco na receita de bolo. Outro ponto é o seu final e mensagem transmitida, que mesmo sendo clichê, ainda assim coloca as figuras masculinas em posições sempre ocupadas pelas mulheres. Uma inversão quase feliz.

O longa estreia dia 25 de fevereiro nos cinemas, tem uma ótima trilha sonora com hits pops do momento, a direção de Christian Ditter é bem bacana e o final surpreendente. Quem será que vai segurar o prêmio “superação” nessa trama? Será que esse arquétipo de mulher vivido por Johnson será copiado pelas próximas 10 mil comédias românticas? Se quiser saber mais sobre os galãs deste longa, não deixe de conferir esta entrevista com os atores Jake Lacy e Anders Holm.

Küsses,

Comente via Facebook!
Tatá Snow

“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

Categorias
Sem categoria

Ver também