[CRÍTICA] Creed: Nascido para Lutar – Um sucessor digno de Rocky

Creed: Nascido para Lutar tem coração e é uma excelente celebração do legado de Rocky Balboa No papel, Creed: Nascido para Lutar tinha tudo para ser uma decisão questionável....

Creed: Nascido para Lutar tem coração
e é uma excelente celebração do legado de Rocky Balboa

creed-nascido-para-lutar-michael-b-jordan-sylvester-stallone-01No papel, Creed: Nascido para Lutar tinha tudo para ser uma decisão questionável. De todas as franquias cinematográficas que têm recebido o tratamento Marvel e criado um universo compartilhado, seria muito difícil encontrar alguém que acharia interessante a ideia de criar um Rockyverso, ainda mais ao considerar que a saga do Italian Stallion não é exatamente a coisa mais consistente do mundo em termos de tom e continuísmo, porém, a jornada do filho de Apollo Creed prova que, assim como seu antigo protagonista, a saga ainda tem muito o que mostrar no ringue.

Adonis “Donnie” Johnson (Michael B. Jordan) nunca conheceu seu verdadeiro pai. Órfão de sua mãe que faleceu no parto, o jovem passou sua infância na assistência social até ser detido em um presídio para menores. Lá, é resgatado por Mary Anne (Phylicia Rashad), a esposa de seu pai, o falecido e lendário boxeador Apollo Creed. Donnie cresce em uma vida repleta de conforto e riqueza ao lado de sua mãe adotiva, mas não consegue ignorar seu espírito de luta. Rápido e violento, ele sacia sua sede pelo pugilismo nos ringues do México enquanto mantém um emprego de escritório. Cansado da vida dupla, ele larga seu emprego e informa sua mãe que quer se tornar um boxeador profissional. Apesar dos avisos de Mary Anne das incontáveis vezes que Apollo chegou destruído em casa e sua trágica morte no ringue, Donnie está decidido. Ele sai do conforto de seu lar em Los Angeles rumo à Filadélfia em busca de seu “tio”, o também lendário Rocky Balboa (Sylvester Stallone).

Rocky vive uma vida pacata, cuidando de seu restaurante e visitando os túmulos de sua amada Adrian e seu melhor amigo Paulie. No começo, reluta em aceitar treinar Donnie, mas decide prepará-lo para se tornar um boxeador tanto física como psicologicamente. A química entre Stallone e Jordan é sensacional e, até nos momentos cômicos, surge de surpresa e nunca parece forçada. Claro que nem tudo são risadas: os temas de superação e redenção andam juntos. Rocky, apesar de sua fachada de durão, descobre que está doente e se mostra mais melancólico e solitário do que o glorioso herói de outrora. Sem sua esposa e seus amigos, ele ignora sua doença para deixar logo este mundo e correr ao encontro de todos as pessoas amadas que o deixaram para trás. Donnie luta para se provar no mundo e fugir da gigantesca sombra do legado de seu pai e mostrar para todos que ele pode caminhar com seus próprios passos. Juntos, um irá ajudar o outro a lutar e superar seus desafios.

O roteiro, desta vez assinado pelo diretor Ryan Coogler, traz um Rocky mais natural e com diálogos menos artificiais. O relacionamento amoroso de Donnie com Bianca (Tessa Thompson) aflora gradualmente e de forma natural. Ela é uma musicista talentosa que ,aos poucos, está perdendo a audição e pretende aproveitar ao máximo sua paixão e ainda ajuda os dois homens tristes que acabam de entrar em sua vida. Aliás, pontos para Thompson, que conseguiu desenvolver um interesse amoroso consideravelmente mais elaborado do que outros filmes do gênero e se mostra como uma forte sucessora para a Adrian de Talia Shire.

Rocky, para diversas gerações é mais do que um filme, é uma instituição. O legado da série é imenso e marcou a vida de muito marmanjo. Como diz o velho ditado, “Um homem só deve chorar três vezes na vida: no enterro da mãe, no nascimento do filho e assistindo Rocky”. Creed: Nascido para Lutar é um belo sucessor para a saga de Balboa. As homenagens são na medida certa e referenciam elementos de praticamente todos os filmes da série. Donnie enfrenta o fantasma de seu pai assistindo suas lutas antigas contra Rocky em um projetor na parede, uma metáfora sutil sobre o que está por vir no desenvolvimento do arco de personalidade do protagonista. 

Outra cena particularmente fantástica está na tradicional corrida pelas ruas da Filadélfia, uma outra homenagem ao herói da trama que agora precisa ser louvado para manter o foco em sua reabilitação e, porque não, redenção. A direção de Coogler é impecável, o protagonismo de cada cena é muito bem enquadrado e o diretor ousa com diferentes técnicas e takes para criar uma experiência verdadeiramente única. Lutas são gravadas inteiramente em um take único com o foco alternando entre oponentes e fora e dentro do ringue, mantendo a intensidade do combate e tirando o fôlego da audiência e, para os mais fãs, muitas lágrimas. 

E no final das contas, como já manda a tradição, Donnie e Rocky sobem os clássicos degraus, lentamente é claro, afinal, é um momento de transição monumental. Stallone passa a batuta de sua série mais icônica para uma nova geração e podemos dizer, com toda certeza, que nas mãos de Creed este legado está seguro. Após o decepcionante Nocaute, temos aqui um verdadeiro filme de boxe. É uma película que poderia ter dado errada inúmeras vezes, mas atende todas as expectativas e até supera algumas com um roteiro esperto que evita a pieguice exagerada, está cheio de atuações marcantes e não abre mão do charme e da inteligência.

O longa estreia dia 14 de Janeiro no Brasil.

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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