CRÍTICA | De Encontro com a Vida é mais do que uma comédia romântica

Aquele filme delicia que te tira do drama da vida real para um drama fictício envolvente

Muito além de uma comédia romântica, De Encontro com a Vida surpreende

A promessa do pôster é uma comédia romântica, mas De Encontro com a Vida não é um legítimo exemplar do gênero. Há comédia e há romance, e não há nada contra uma legítima história de casal que dá certo no final da sessão, mas o longa dirigido por Marc Rothemund oferece mais do que isso.

A história

Saliya (Kostja Ulmann) é um garoto alemão que sonha em trabalhar em um grande hotel desde o dia em que entrou em um deles quando tinha 14 anos. Para ele, nada se assemelha mais a algo belo e civilizado do que a convivência de pessoas de toda parte em um estabelecimento bem administrado. Mas seu sonho é atropelado por um problema de visão que teria feito a maioria desistir. Saliya, entretanto, persiste até ser aceito como trainee no maior hotel de Munique graças a um pequeno detalhe. Após ser rejeitado inúmeras vezes, ele omite seu problema de visão.

A problemática

O que acontece daí em diante é uma aventura que o público acompanha entre o espanto, a descrença e a diversão. Como outras pessoas que enfrentam problemas com um dos sentidos, Saliya compensa a falha com outras habilidades. Sua audição é apurada, o que não consegue ver, ele memoriza, o que é facilitado pelo ambiente ordenado do hotel, mas dificultado pela miríade de coisas a fazer, e é impressionante como tantos não percebem a peculiaridade do funcionário. Pelo caminho ele também coleciona apoios, o primeiro e o mais fiel captado logo na entrada, Max (Jacob Matschenz), um bon vivant que deveria estar trabalhando no restaurante do pai, mas está no hotel como castigo.

Saliya resume a situação dos dois, ele quer e não pode, Max pode e não quer. Disposto a aproveitar cada oportunidade e bem menos sério que o colega, Max é a principal fonte de diversão do longa. Vale um parêntesis pensar quem faria o mesmo que Saliya, que ajuda esse desconhecido durante a entrevista, sem pesar que os dois disputam uma vaga na mesma empresa.

Muito além da visão…

Mas não é preciso dizer que mesmo com toda a ajuda e determinação, chega o momento em que o jogo de Saliya não se sustenta. É a crise de sua história, a de alguém que apenas sonhava em ter um emprego, enfrenta uma grande puxada de tapete do destino, luta, é derrubado novamente e tem de aprender como seguir dali em diante. É uma história de elogio ao espírito humano e à determinação, mas o longa baseado na vida real de Saliya Kahawatte nunca se transforma em um discurso apelativo ou num sermão religioso ou de autoajuda.

Vale a pena?

É uma história de um rapaz com um problema sério, mas contada de forma divertida e leve, com um elenco bem encaixado em seus papeis e um enredo construído para divertir e entreter. Uma pausa merecida em meio aos grandes dramas dentro e fora da tela.

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8.3
The Good
  • Jacob Matschenz faz um ótimo trabalho como o amigo do protagonista e como fonte de comédia, um safado gentil tradicional, que parece estar na vida a passeio até mostrar seu lado sério.
  • Encarregado de interpretar não só uma pessoa real como também o portador de um sério problema de visão, o que exige postura e gestual específicos, Kostja Ulmann segura o filme com leveza e charme.
  • É preciso relembrar que a história é baseada em fatos reais ou a ideia de que alguém possa esconder um sério problema de visão de todos à sua volta seria considerada completamente absurda.
The Bad
  • Embora não seja o foco da história, o enredo abre um pouco de espaço para a questão do imigrante na Europa, tanto com a situação da família de Saliya como com o caso de outro funcionário do hotel. Mas assim como a história do protagonista, aqui não há espaço para lágrimas.
  • Direção
    8
  • Elenco
    9
  • Roteiro
    8
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