[CRÍTICA] De Onde Eu Te Vejo – Um dos melhores filmes nacionais. Apaixonante!

De Onde Eu Te Vejo estreia dia 7 de abril nos cinemas São Paulo, a capital conhecida nacionalmente como a cidade que não dorme e que trabalha 24 horas...

De Onde Eu Te Vejo estreia dia 7 de abril nos cinemas

de-onde-eu-te-vejo-critica-1São Paulo, a capital conhecida nacionalmente como a cidade que não dorme e que trabalha 24 horas por dia. Seus edifícios, centro antigo e calçadas formam o palco da história de amor do casal Fábio (Domingos Montagner) e Ana Lúcia (Denise Fraga). Residentes da selva de pedra há 20 anos, a carioca Ana e o paulista Fábio foram unidos pelo destino ao chegarem na cidade e, nos dias de hoje, passam por duas crises pessoais: uma conjugal e outra com a cidade.

A ex-arquiteta Ana é uma figura intrigante. Atrapalhada, repleta de filosofias e devaneios sobre a vida, não enxerga mais em sua relação com Fábio algo diferente ou motivador. Seu ex-marido, por sua vez, é um jornalista mais sensato, talvez um pouco acomodado, mas que não aceita de cara a separação. Os dois passam a residir em apartamentos diferentes, porém, um de frente para o outro. De uma janela para a outra, apenas com uma rua de distância, eles trocam palavras, gestos e olhares que podem por um fim ou não na relação.

De Onde Eu Te Vejo é muito mais do que uma comédia romântica ou romance dramático. É um filme que carrega uma alma muito específica capaz de avassalar os corações mais apaixonados e os mais descrentes. A relação de Ana e Fábio é construída ao longo de uma narrativa com elementos muitos especiais. De uma lâmpada de um abajur a um prédio antigo, a cidade é um cenário que complementa o desenrolar da cinza fase do casamento dos protagonistas. O roteiro de Leonardo Moreira e Rafael Gomes é recheado de metáforas e referências ao desgaste natural do que é antigo na cidade versus um amor que está chegando ao fim. A capital é parte fundamental da relação do casal e sua deterioração é explorada para compor os aspectos de tristeza e nostalgia do casamento. Um cinema antigo de rua que está fechado, uma senhora que reside há anos na mesma casa e uma cantina italiana compõe a obra do diretor Luis Villaça, embalada por uma trilha sonora marcante.

No histórico de longas nacionais, De Onde Eu Te Vejo ganha destaque em diversos pontos. O entrosamento dos protagonistas e a forma como a história de Ana e Fábio é contada simplesmente tornam esta película em um projeto especial. Sua produção e direção se distanciam (ufa!) dos clichês de comédias romântica, tem um humor muito bem trabalhado, seu ritmo consegue apresentar os personagens de uma forma que a audiência, de fato, sentirá que os conhece e, por trás de tudo isso, São Paulo é mostrada de uma forma muito rica e que valoriza ambientações e locais que carregam a história da cidade. Esqueçam takes aéreos na Av. Paulista ou na Marginal Pinheiros: preparem-se para reconhecer o balcão da Lanchonete do Estadão, a fachada da Pinacoteca do Estado, a Praça dos Ciclistas e ruas über paulistas do centro. A riqueza da fotografia deste filme e a homenagem, de certa forma, feita à cidade, são…incríveis!

Ana e Fábio, com tudo isso, ainda são pais. A jovem Manu (Manoela Aliperti) está prestes à sair de casa rumo ao interior para estudar em uma faculdade. Ela é bem independente e retrata fielmente uma versão dos jovens de hoje. Super antenada, conectada e madura, ela age quase como “pais de seus pais” e consegue enxergar no casal as respostas que eles são incapazes de compreender ou aceitar. Seu relacionamento com os dois, que diversas vezes são chamados pelos nomes e não por “papai” e “mamãe”, é formado por comportamentos que misturam inquietude jovial com a necessidade do amadurecimento.

Fechando o arco de personagens, Marisa Orth, um dos grandes destaques como coadjuvante, interpreta Olga. A também jornalista, colega de trabalho de Fábio, solteira, quarentona, estressada, fumante, fã de roupas escuras e, de novo, estressada, é uma das melhores personificações do arquétipo paulista já feito no cinema. Suas inseguranças, relação atordoada com a cidade e comportamentos, formam um “espelho” que Ana e Fábio têm dificuldades de encarar. É bem interessante.

Para finalizar, De Onde Eu Te Vejo é uma obra de arte. Não tem como pontuar problemas ou entrar de cabeça numa crítica técnica. O longa entrega com muita originalidade uma temática básica já conhecida de outros filmes, mas resulta em uma obra nacional de muita qualidade e que tem potencial para deixar sua mensagem aos casais em crise, aos apaixonados, aos solteiros e aos descrentes no cupido sem ser piegas e pedante. É um filme que daqui há anos ainda conseguirá transmitir algo para quem assistir. Um verdadeiro presente ao histórico do cinema nacional.

Küsses e bom CINEMA! Levem um lencinho, ok?

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Tatá Snow

“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

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