[CRÍTICA] Deadpool – Um filme de quadrinhos sem botar defeito (sem spoilers)

Não se preocupem meninas e meninos, esta crítica de Deadpool será completamente sem spoilers Deadpool sempre foi um personagem peculiar. O mercenário mais bocudo da Marvel, além de seus...

Não se preocupem meninas e meninos,
esta crítica de Deadpool será completamente sem spoilers

deadpool-filme-posterDeadpool sempre foi um personagem peculiar. O mercenário mais bocudo da Marvel, além de seus já conhecidos poderes de cura, sempre garantiu histórias interessantes graças a um dos aspectos de sua já conhecida insanidade: o fato de Wade Wilson saber que ele é um personagem de quadrinhos. Com esta premissa, nas HQs, Deadpool sempre quebrava a ação para fazer comentários bizarros sobre a natureza do meio e tirar sarro da própria Marvel. Em uma era onde o meta-humor se tornou uma presença doméstica, graças à constante descarga de privada de conteúdo que carinhosamente chamamos de internet. Após a triste estreia do personagem nas telonas em X-Men Origens: Wolverine (onde o “Mercenário Tagarela” tragicamente apareceu sem boca) e a confusa cronologia dos filmes dos mutunas, como simplesmente reintroduzir Deadpool?

Simples. Com o tom despretensioso e divertido que todo o marketing do filme nos prometeu, a trama deixa de lado os demais filmes dos X-Men para contar uma história única, bem amarrada, com começo, meio e fim, e o mais fantástico: sem a intenção de deixar a narrativa em aberto para empurrar uma continuação. Seguindo a tradição do personagem nos quadrinhos, Deadpool constantemente direciona a palavra à audiência quebrando a quarta parede e adaptando o meta-humor sobre quadrinhos para oferecer muitas piadas sobre os demais filmes de super herói, tanto da Marvel quanto da “concorrência”.

A história é completamente fiel á origem do personagem nos quadrinhos. Wade (Ryan Reynolds) é um mercenário boca suja, meio louco, mas bem intencionado, que descobre que tem câncer em estágio terminal. Preocupado em deixar para trás o amor de sua vida, Vanessa Carlysle (Morena Baccarin), ele se sujeita a participar de um tratamento experimental em um laboratório secreto do Arma X. Ali, passa meses sendo torturado até seu gene mutante despertar, o que o concede um fator de cura e uma pele completamente deformada. Apesar de curado, Wade não tem coragem de se revelar para Vanessa com seu rosto cheio de marcas. Ele assume a identidade de Deadpool para se vingar de Ajax (Ed Skrein), o cientista maligno e antagonista principal do filme. Ao longo do caminho, alguns rostos conhecidos aparecem para ajuda-lo na missão.

O que sucede é uma verdadeira sequencia de excelentes cenas de ação, milhares de piadas e uma experiência verdadeiramente empolgante. Deadpool se destaca da concorrência por talvez ser o primeiro filme de super heróis que se compromete em primeiro lugar a agradar os fãs. A fidelidade com a qual o longa adota o bizarro universo de Wade Wilson para as telas é impressionante, naturalmente, com o cuidado necessário para não alienar as legiões de pessoas que não são familiares com o personagem.

Ryan Reynolds mostra que este é o super herói que nasceu para interpretar e sua dedicação nos diálogos e até sua capacidade de se auto-zombar como ator dão a um filme uma atuação digna de respeito. Ed Skrein como Ajax funciona, boa parte das vezes e sua presença física é ameaçadora o suficiente, talvez por falta de experiência do ator, o personagem parece um pouco unidimensional, sempre com as mesmas expressões. Fica difícil entender se isto foi feito intencionalmente. Morena Baccarin como sempre é um show de carisma e acompanha muito bem as situações depravadas que o roteiro exige.

Vale a pena? Se o “tom maníaco depressivo e vozes de gargarejo de gasolina e Derby” da DC, o “assista todas as séries, filmes e suplementos literários para entender o que está rolando” da Marvel Disney ou o “como assim viagem no tempo?” de X-Men está começando a te cansar, convidamos você a perder algumas horinhas vibrando com pancadaria ou dando risadas com menções completamente imaturas de genitália masculinas.

O filme estreia 11 de Fevereiro no Brasil.

Até a próxima!

Abaixo, separamos alguns easter eggs para ficar de olho no filme, naturalmente, só vá adiante se quiser ver alguns spoilers!

[toggler title=”Clique para ver easter eggs” ]

1. Mutantes, mutantes, mutantes

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Naturalmente nos trailers já é revelado que Colosso (Stefan Kapicic) e Negasonic Teenage Warhead (Brianna Hildebrand) estarão presentes no filme lutando ao lado de Deadpool. Fiquem atentos, porque não são os únicos mutantes. De fundo é possível ver Medula e Câmara no filme!

2. Hail Hydra

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Um dos capangas anônimos destinados a ter uma morte triste, rápida e violenta se chama Bob. Uma provável referência a Bob, o Agente da Hydra. Um dos muitos soldados sem identidade da organização terrorista que acaba virando um dos aliados relutantes de Deadpool. Naturalmente, como a Disney ainda detém os direitos sobre a Hydra, em nenhum momento a organização é mencionada no filme.

3. X-F0rce

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Rob Liefeld já havia confirmado que em 2017 teríamos uma adaptação de X-Force com Ryan Reynolds reprisando no papel de Deadpool. X-Force foi uma versão mais “anos 90” dos X-Men, o que traduz como, mais armas impossivelmente grandes, pochetes nas pernas, braços metálicos e “atitude”. O líder deste grupo era Cable, uma resposta mais militarizada ao pacato e professoral Xavier. Fiquem atentos a cena pós-créditos do filme para saber mais!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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