[CRÍTICA] Desculpe o Transtorno – De SP para o Rio, a loucura pode ser contagiante

Vamos falar de loucuras. De ponte aérea também. Desculpe o Transtorno, mas temos um novo romance na área – meio Porta dos Fundos, mas vá lá Vamos sair da...

Vamos falar de loucuras. De ponte aérea também. Desculpe o Transtorno, mas temos um novo romance na área – meio Porta dos Fundos, mas vá lá

desculpe-o-transtorno-gregorio-duvivier-critica-1Vamos sair da mesmice de comédias brasileiras? Quando fala em cinema nacional, infelizmente, a maior parte das produções são comédias forçadas, esquecíveis e que parecem que estão lá para preencher cota. Ok, algumas têm qualidade, mas vamos combinar que não é a maioria. Desculpe o Transtorno, produção da Gullane, parecia ser uma comédia desse tipo. Amém, é um romance! Há momentos engraçados, descola umas boas risadas, alguns momentos de cri cri cri, mas sai do padrão nacional de fazer filmes.

Eduardo (Gregório Duvivier) é um cara meio travado, ama rotina, é pau mandado da namorada/noiva, sempre sério e com cabelo meio vaca lambeu (não literalmente, só que é arrumadinho demais). Bocejos só nessa descrição. Carioca, veio para SP quando os pais divorciaram e desde então ficou por aqui. Quando a mãe morre precisa voltar para a Cidade Maravilhosa e resolver as pendências do imóvel herdado.

Bárbara (Clarice Falcão) é uma moça boa praça, carioca, que trabalha distribuindo abraços no aeroporto vestida de coelho cor de rosa gigante. Quando, sem querer, um gatilho é ativado em Eduardo e sua segunda personalidade, Duca, toma conta do protagonista, é com Bárbara que a ação se desenrola. Em um romance, óbvio.

Bem mamão com açúcar, inicialmente foi pensado como um romance de ponte aérea, como os Gullane contaram durante a coletiva de imprensa. Mas ponte área, sério? Deu preguicinha só de pensar. Com o transtorno de personalidade múltipla, caso de Eduardo/Duca, fica um pouco mais interessante.

É bonitinho? É. Fofo? Um pouco. Revolucionário? Ahhhhh….. Duvivier e Falcão são fofos juntos, difícil negar. Mas as atuações continuam padrão Porta dos Fundos. O jeitinho de Bárbara pode ser visto em diversos vídeos no canal deles. Duvivier não sai muito da zona de conforto, mesmo assim entrega uma diferença palpável entre Eduardo (sempre tenso) e Duca (mais relaxado). Porém, Porchat mandaria melhor no papel #prontofalei.

Brincando o tempo todo com esteriótipos, os atores e Tomás Portella já avisam: não queremos tachar ninguém de nada. O filme é, segundo eles, uma jornada pelo auto descobrimento. Apesar disso, fica aquele fundinho de: hum, “estereotipou” demais. Duca, carioca, é descolado, relaxado, o amigão divertido da turma. Eduardo, paulista, é o centrado em trabalho, ama rotina. Lembram de alguma coisa? Dani Calabresa é aquela pessoa terrível, a Viviane, uma personagem chataaaaaaaa… Talvez para deixar bem claro que Bárbara é a garota demais e, pela atuação de Clarice, bem que precisa… Tipo, não é que a Bárbara realmente seja melhor. É que a Vivi é um terror. E esses são os elementos que compõe o triângulo meio quadrangular amoroso da trama.

O problema maior do filme, que desencanta um pouco, é o ritmo de vai e volta do Rio para SP, de SP para Rio. Duca quer ficar no Rio, mesmo que toda a vida de Eduardo sendo em terras paulistas. E é tremendamente infantil, estragando muitas coisas importantes para a personalidade principal deles. Algumas piadas são legais: Ruth e Raquel, de Mulheres de Areia, são bem citadas. Já quando falam de Dostoiévski, a piada brocha. E o pior, até agora, é quando Bárbara recita sobre o transtorno. Sinceramente: ficou didático demais, em um esforço de explicar para o espectador o que raios está acontecendo em tela. E não tem necessidade disso, temos diversos filmes que exploram essa temática, já estamos carimbados. Dá a impressão de que o roteiro estava pronto – ponte aérea – e que resolveram enfiar um dupla personalidade para deixar mais dinâmico.

Desculpe o Transtorno demorou para estrear. Há dois anos filmado, chegou aos cinemas finalmente, mas é o tipo de filme para ver na sessão da tarde, sem compromisso. É bonitinho, mas parece, em muitos momentos, um longa melhorado de um dos esquetes do Porta dos Fundos (se eles tivessem um vídeo romântico). Talvez se tivessem investido mais nos conflitos do “quadrado” amoroso, dando mais profundidade para personagens como Viviane, propiciando um conflito de verdade sobre com quem ele vai ficar – e é na cara que é a Bárbara, Viviane não é de longe nenhum pouco carismática e ninguém jamais torcerá para o time dela -, mais sobre o transtorno que dá nome ao filme, sendo mais do que um longa sobre ponte aérea (aliás, se quiserem um bom filme sobre esta temática, confira Ponte Aérea de Julia Rezende), com um romance relevante e profundo ao invés de piadinhas. Muitas idas, muitas vindas, e fica por isso mesmo

O sentimento que deixa é de um filme bonitinho, com fofurices distribuídas em momentos homeopáticos da trama, mas sai de cena deixando um gostinho de comédia romântica, mas sem a comédia em si – e talvez nem tanto romance também.

Quer um momento despretensioso com o elenco do Porta dos Fundos em momentos “eu sei atuar”, mas nos mesmos moldes de sempre, esse é o filme para você. Ou apenas relaxe e curta a versão Ruth e Raquel light em um respiro de comédias escrachadas demais que o cinema nacional produz. Neste aspecto, Desculpe o Transtorno funciona.

Obs.: O longa estreou no dia 15 de setembro e segue em exibição nos cinemas.

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