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CRÍTICA | Desencanto - Temporada 1 - Divertida e com potencial

(Des)encanto traz o criador de Os Simpsons e Futurama para a Netflix? Mas vale a pena?...

(Des)encanto traz o criador de Os Simpsons e Futurama para a Netflix? Mas vale a pena?

Matt Groening pode não ser um nome imediatamente reconhecível para parte da audiência brasileira, mas saiba que ele foi responsável por criar uma das séries mais influentes da televisão, Os Simpsons. O sitcom foi uma das primeiras animações voltadas para o mercado adulto e exibida no horário noturno. Nem precisamos dizer o impacto que Homer e todos os habitantes de Springfield tiveram no meio, com incontáveis emissoras correndo atrás para ter sua própria versão dos Simpsons em seus canais. É óbvio que eventualmente a Netflix, em sua missão de dominar todo o entretenimento, precisaria de um projeto de Groening em seu catálogo monstruoso. Entra (Des)encanto, a nova série elaborada por ele e seu time de produtores Bill Oakley, Josh Weinstein e David X. Cohen – que também trabalharam em Futurama.

(Des)encanto – Temporada 1

Em um mundo de fantasia medieval, existe um reino chamado Dreamland, e nele mora uma princesa chamada Teabeanie (Abbi Jacobson) ou “Bean” para os íntimos. Ela é atrapalhada, beberrona, desinteressada em seguir qualquer tipo de destino ou se casar com algum príncipe para forjar uma aliança política. Ela passa seus dias causando problemas para o pequeno reino.

Um belo dia, vira amiga de Elfo (Nat Faxon), um simpático elfo que abandona sua floresta mágica de doces e alegrias para experimentar coisas salgadas e tristeza. E surge também Luci (Eric André), um demônio pessoal de Bean que passa todo o tempo tentando-a a fazer coisas erradas (não que seja muito difícil). Juntos, vão se meter em altas confusões.

Futurama medieval

Fãs de Futurama vão identificar imediatamente a receita. Personagem feminina durona, amigo trapalhão e apaixonado, e companheiro sociopata e viciado. Assim como outras séries de Groening, parte do humor vem da criação detalhada do mundo ao seu redor. Em 10 episódios, com um time de roteiristas já calejados com o estilo, surgem diversos personagens, raças mágicas, piadas de fundo e referências. A grande diferença aqui vem do formato, como foi criada para binge watching, a série conta uma narrativa única ao longo da temporada.

Isto pesa contra (Des)encanto. São poucos episódios, e a necessidade de contar uma trama contínua termina contando uma história acelerada que não permite que os personagens permaneçam por tempo suficiente para causar o impacto necessário. De qualquer forma, como praticamente todas as séries de animação do gênero, a primeira temporada sempre funciona como laboratório para as ideias e uma promessa de uma segunda temporada mais afiada.

No fim

(Des)encanto não inova e nem reinventa o gênero. Se você é fã do estilo descompromissado que balança observações afiadas com um desinteresse apático sobre o mundo ao redor, vai se divertir com a série. Quem cresceu com Futurama certamente vai notar as semelhanças e sentir uma bela dose de nostalgia.

Apesar do gênero fantasia estar em alta, com séries como Game of Thrones e o reboot de Senhor dos Anéis, (Des)encanto não tem interesse em parodiar diretamente obras mais conhecidas, mas sim usar um humor que tenta arrancar risadas do absurdo do dia a dia de um universo como este. Talvez a obra mais semelhante seria Asterix de René Goscinny e Albert Uderzo.

É a coisa mais engraçada do mundo? Não. Mas, como costumamos falar, comédia é relativa. O máximo que podemos fazer é apresentar onde as piadas se encaixam e perguntar se você é a audiência.

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

Nota
7.8
Nota
O bom
  • Aquelas séries que você devora numa maratona só.
  • Fique atento para a cena pós-crédito no final da temporada.
O ruim
  • Essa mania de temporada com cliff hanger é cansativa com esse calendário de produção errático da Netflix.
  • A qualidade da animação podia melhorar um pouco.
  • Roteiro
    7
  • Elenco
    10
  • Enredo
    8
  • Direção
    6
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