CRÍTICA | Dor e Gloria - Almodóvar por Almodóvar ou nem tanto?

CRÍTICA | Dor e Gloria - Sucesso em Cannes estreia no Brasil

Filme do diretor espanhol chega nos cinemas nesta quinta-feira

Bastante comentado no Festival de Cinema de Cannes e com bons números nas bilheterias espanholas, Pedro Almodóvar reúne dois de seus prediletos em seu novo longa metragem Dor e Glória.

No filme, Antonio Banderas é o alter ego de Almodóvar, Salvador Mallo, um diretor de cinema melancólico que sofre com dores no corpo após uma série de problemas de saúde, o que o impede de continuar trabalhando, enquanto Penélope Cruz interpreta sua mãe durante a sua infância em um pequeno vilarejo na Espanha.

Aliás, Banderas chegou a usar como figurino réplicas do vestuário de Almodóvar, que brincou que encontrou no ator o seu Mastroianni, fazendo referência ao italiano Marcello Mastroianni que protagonizou , filme em que Federico Fellini usou sua própria vida como inspiração. O apartamento de Salvador fica na mesma rua da casa do diretor e os livros e obras de arte que incorporam o cenário também pertencem ao idealizador.

Apesar disso, provavelmente esse não vai ser o trabalho mais marcante dos artistas principais, mas vale prestar atenção em Asier Flores, que faz o papel de Salvador mais novo. Ele é simplesmente um fofo!

Mesmo dizendo publicamente que essa é sua obra mais intimista, o cineasta deixou claro que não é uma autobiografia. Misturando momentos de sua vida e com ficção, o filme é uma autoficção, um gênero em que o autor também é o narrador e protagonista da história.

Desse modo o espectador sai do cinema querendo saber o que é verdade e o que não é. Por exemplo, antes de lançar Julieta (2016), Almodóvar também duvidava que rodaria mais algum filme. Foi nessa época que teve a ideia que acarretou na primeira cena do longa.

O texto que originou a obra foi escrito na década de 80 e fazia parte de um outro projeto que acabou não acontecendo. Depois de algumas adaptações, Dor e Glória fecha a trilogia criada de forma espontânea sobre desejo e ficção, iniciada em 1987 com A Lei do Desejo e seguida por Má Educação (2004), estrelado por Gael Garcia Bernal.

Nos três longas os protagonistas são homens, homossexuais e diretores. As narrativas não são lineares e cruzam temáticas como família, infância, escola cristã, coral de igreja, textos do dramaturgo francês Jean Cocteau e, é claro, a paixão por cinema.

Dor e Gloria é bem europeu (ou seja, mais autoral), além de ser sensível, tanto na narrativa quanto na direção de fotografia. Seu roteiro e montagem são bem trabalhados, balanceando as sequências de passado e presente, e surpreendendo na cena final.

O longa já tem seus direitos comprados pela Netflix, então logo logo você vai poder conferir ele por on demand, mas eu não perderia a chance de dar um pulinho no cinema no fim de semana pra conferir o filme com um balde de pipoca.

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Nota:
8
Nota:
O bom
  • Boa montagem e roteiro
  • Personagens interessantes
  • O final surpreende
  • Retrato intimista de Almodóvar sobre ele mesmo
O ruim
  • Não são as atuações mais marcantes de Cruz e Banderas
  • Alguns podem não gostar de cinema europeu
  • Direção
    8
  • Roteiro
    8.5
  • Elenco
    7.5
  • Produção/Fotografia
    8
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