CRÍTICA | Doutor Estranho – Marvel mistura rock progressivo com brownies especiais

Doutor Estranho é o que acontece quando a Marvel Studios descobre a discografia do Yes… … e aquele saco estranho de “manjericão” que seu tio hippie guarda na gaveta...

Doutor Estranho é o que acontece quando a
Marvel Studios descobre a discografia do Yes…

doutor-estranho-marvel-01… e aquele saco estranho de “manjericão” que seu tio hippie guarda na gaveta de cuecas. Após 13 filmes seguindo uma receita bastante industrializada é difícil associar a palavra “ousadia” com a monstruosa máquina de fazer dinheiro que é a Marvel Studios. São filmes que fazem sucesso, rendem bons bilhões ao camundongo alegre, mas que raramente exploram águas não navegadas. Isto é, até Doutor Estranho.

Capitão América: Guerra Civil é a fase jovem adulta na faculdade da Marvel, com um pequeno amadurecimento e sensibilidade para temas políticos. Doutor Estranho é a festa no grêmio estudantil regada de alucinógenos. Stephen Strange (Benedict Cumberbatch) é um brilhante e aclamado cirurgião, cujos talentos na medicina só se equiparam a sua arrogância. A caminho de uma palestra, sofre um acidente de carro e suas mãos são arruinadas. Desesperado por uma solução onde toda a ciência mundana falhou, Strange vai até o Nepal atrás de um misterioso local chamado Kamar-Taj. Lá, se depara com uma ordem de magos incumbidos de proteger a Terra contra ameaças sobrenaturais de todos os cantos sombrios do Multiverso. Sob a tutela do Ancião (Tilda Swinton), o Doutor Estranho gradualmente aprende sobre as artes místicas e, eventualmente, se vê no meio de uma batalha contra magos malignos liderados por Kaecilius (Mad Mikkelsen).

Visualmente, não há nada parecido com Doutor Estranho. O uso de magia no filme é espetacular! Com conjurações, projeções astrais e desdobramentos da realidade que chegam a causar vertigem. As cidades viram palcos para lutas místicas que contorcem, distorcem e modificam o plano físico de uma forma que só pode ser descrita como “A Origem de Christopher Nolan… com mescalina”. O treinamento dos magos também é interessante, mais inspirado em artes marciais do que varinhas e literatura (o método mais popular para crianças britânicas), deixando a jornada de aprendizado de Stephen dinâmica.

Apesar do visual impactante, infelizmente a Marvel ainda sofre com seus já conhecidos vícios. Doutor Estranho ainda é um filme de origem do herói, portanto, espere o roteiro batido nas já cansadas teclas de um primeiro filme de saga. Rachel McAdams está presente no papel da Dra. Palmer, uma antiga namorada de Strange que está lá por… Motivos. Sua participação é tão rasa que mal atende as necessidade de “interesse amoroso obrigatório”. Kaecilius seria um vilão interessante, mas sofre da mesma falta de dimensão de outros antagonistas, como Ivan Vanko (Homem de Ferro 2) e Malekith (Thor: O Mundo Sombrio). É difícil criar um vilão marcante quando este não tem absolutamente nenhum vínculo com o herói ou até mesmo motivos para antagonizá-lo diretamente. Mal sabemos seu impulso, com personagens apenas dizendo frases vagas sobre não ter aceito os ensinamentos do Ancião.

Estranhamente, o roteiro tem dificuldades em inserir o Doutor Estranho em uma batalha que não interessa a ele e que já está rolando há tempos. Ele termina se envolvendo mais pela ação frenética que o joga em diversas batalhas, do que de fato com um desenvolvimento concreto do personagem. Seu parceiro nisto tudo é Mordo (Chiwetel Ejiofor), que já é mago há anos e, de fato, entende os riscos da guerra. Infelizmente, “Mordo” não vende tantos ingressos quanto “Doutor Estranho” nos pôsteres.

A trama de Doutor Estranho busca mais explicar como Stephen Strange se tornará o Mago Supremo da Terra e defensor das artes místicas do que narrar um enredo envolvente. Inúmeros personagens, que eventualmente se tornarão vilões e aliados, são introduzidos rapidamente, mas seus verdadeiros impactos só serão revelados em filmes subsequentes. A Marvel finalmente introduziu o elemento de magia em seu universo, mas não deixa a loucura dos visuais refletir em seu roteiro.

Vale a pena?  Visualmente, a Casa das Ideias (e até outras séries) nunca fizeram nada parecido. O roteiro, apesar de deixar a desejar, é uma boa história de origem e o filme é recheado de easter eggs (no final do texto, fizemos uma lista).

Estreia dia 3 de novembro nos cinemas.

Até a próxima!

[alert type=red ]SEGREDOS DO MUNDO MÍSTICO DA MARVEL[/alert]

Aqui compilamos uma série de easter eggs, menções e elementos presentes em Doutor Estranho – alguns são spoilers.

[divider]Ragnarok no horizonte[/divider]

Na primeira cena pós-crédito, Doutor Estranho se reúne com Thor para discutir a presença de Asgardianos em Nova York. O Deus do Trovão veio à Terra com seu irmão Loki em busca de Odin. Strange promete ajudá-los para evitar que o Deus da Trapaça cause mais estragos. Muito provavelmente veremos o Doutor Estranho em Thor: Ragnarok no ano que vem.

[divider]Morte aos Magos[/divider]

A segunda cena pós-crédito mostra Mordo em sua jornada para se tornar um vilão. No filme, ele é um devoto da ordem do Ancião que vê sua fé abalada na batalha final. Agora, dedica-se a eliminar a presença de usuários de magia da Terra acreditando que eles são uma violação da ordem natural do universo.

[divider]O Juiz do Multiverso[/divider]

No filme, Mordo usa uma arma mágica chamada “O Bastão do Tribunal Vivo”. O Tribunal Vivo é uma das entidades mais poderosas do Universo Marvel e responsável por manter o equilíbrio entre o Bem e o Mal em todo o Multiverso. Será que veremos ele em futuros filmes?

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[divider]Deus Sombrio[/divider]

Outro artefato de Mordo são as botas de Watoomb. Trata-se de um Deus que participou da Guerra das Sete Esferas diversas entidades omniscientes tentaram recrutar o Doutor Estranho. Alguns do artefatos mais poderosos do Universo Marvel são atribuídos a Watoomb, inclusive as Varas de Watoomb que conferem ao usuários poderes incríveis. Wang usa uma delas na batalha final contra Kaecilius.

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[divider]Irmão do Irmão Vodu[/divider]

Um dos magos protetores dos Sanctum Santorums espalhados pela Terra é o Mago Daniel Drumm. Nos quadrinhos, ele é o irmão de Jericho Drumm, o Irmão Vodu, um herói usuário de magia que chegou a se tornar o Mago Supremo após Stephen Strange.

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[divider]A mãe de uma fugitiva[/divider]

Uma das protetoras das artes místicas no filme é Tina Minoru. Ela estreou na série Fugitivos de Brian K. Vaughan. Na saga, um grupo de adolescentes descobrem que seus pais são membros de um sindicato do crime conhecido como Orgulho. Cada casal de adultos representa um arquétipo de vilão e seus filhos usam suas habilidades herdadas para lutar contra o mal. O casal Minoru são magos sombrios e sua filha, Nico faz uso de suas habilidades mágicas para lutar contra o crime. O site de streaming Hulu encomendou uma série baseada nos Fugitivos, não se sabe ao certo se esta série fará parte do Universo Cinematográfico Marvel. Pelo menos sabemos que já existe uma forma de conecta-los.

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[divider]Vingador Tombado[/divider]

Esta é bem rápida e precisa de bastante atenção. Um pouco antes do trágico acidente de Stephen Strange, ele está no telefone avaliando casos médicos. Entre eles, seu assistente fala de um “homem, afro-americano, coronel da aeronáutica, ferimento da espinha dorsal devido a uso de armadura experimental”. Parece familiar?

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Agora sabemos que os eventos de Doutor Estranho aconteceram imediatamente após os eventos de Guerra Civil.

Perdemos algum easter egg ou  referência? Deixe seus achados nos comentários!

 

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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